Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Abel Cavira
Nascido em Fortaleza, CE.
Filho de Edgardo Siebra, O maior Guerreiro dos Multiversos e Fátima Cavalcante, Deusa das Amazonas, presenteado com uma irmã chamada Carolina, A Maior das Heroínas e conectado com a Estrela Mor das Galáxias, Fabi Fernandes.
Como toda criatura que não nasce de ovos cósmicos, fui gerado em um ventre e tive meu primeiro contato com o sangue ao sair de parto normal. Talvez aquele líquido vermelho tenha se entranhado mais do que deveria em mim.
Cresci com a sensação ludibriante de gostar do medo que o terror provoca e, depois de anos, finalmente meu chamado para contribuir com esse gênero maravilhoso aconteceu.
Fã do terror clássico, visceral ou paranormal, desejo contribuir para que o Brasil abra ainda mais este espaço tão marcado por narizes torcidos e frescurinhas.
Aos 32 anos sou estudante de Direito, Servidor Público e amo escrever e ler Terror, Fantasia, Ficção-científica e Suspense. Mas minha maior paixão são histórias de vampiros (exceto os que brilham sob o sol).
Influências literárias: STEPHEN KING, ANNE RICE, H. P. LOVECRAFT, EDGAR ALAN POE, BRAM STOKER, MARY SHELLEY, LEONEL CALDELA, AFONSO SOLANO, RAPHAEL DRACCON, entre outros.





Royal Flush parte 1

E todos que estão aqui não sabem da maldita senha, gordão? – pensei.

— Boa noite, cavalheiros! — cumprimentou o sujeito, interrompendo o dono do bar. Firme, tinha uma postura elegante, cheia de presença. Magro, rosto afilado, olhos verdes, cabelos ruivos e paletó branco. — Vim juntar-me aos senhores. Vamos ao poker?

Cara-de-peixe olhou por cima dos óculos, que escorriam para a ponta do nariz. Meu antigo cliente não falou nada (a propósito, o nome dele era Carlos), mas fitou, com curiosidade, o recém-chegado. O outro jogador parado estava, parado ficou.

Enfim, Carlos quebrou o gelo.

— Boa noite, seja bem-vindo senhor… hããã…

— E quão triviais são os nomes em uma mesa de carteado, não acha, companheiro? — O visitante sacou uma bolada de grana de um dos bolsos da calça e a arremessou sobre a mesa. — É sobre isto que estou falando. Vamos ao jogo, pois fora desta mesa não me interessa saber quem é quem. — A fala soou amigável. Abriu um sorriso enorme e carismático.

Todos os outros trocaram olhares.

— Sente. — Era o sujeito caladão. Sempre tranquilo.

Todos sentados, iniciaram-se as partidas, que adentraram a madrugada.

Àquela hora, tudo o que ainda existia em minha conta bancária já pertencia ao caladão da mesa. Não tinha mais porra nenhuma… Exceto minha casa. E, num último suspiro, tentando conquistar algo de volta para prosseguir no jogo, apostei-a.

Cara-de-peixe e Carlos pularam fora daquela rodada, eu tremia com o que via nas mãos. O caladão e o estranho cobriram a aposta.

Hora de mostrar as cartas.

O recém-chegado revelou um Royal Flush.

Minha jogada era uma bela porcaria, Perdi tudo!

Restava um homem… e foi aí que a merda atolou a canela!

Mais um Royal Flush surgiu diante de nossos olhos!

Clima de suspense. Todos nos encarávamos. A luminária destacava a fumaça de cigarro que parecia ter parado no ar. As outras cartas foram viradas e, feita uma contagem, calculou-se o seguinte:

— Trapaceiro filho da puta! — gritou Caladão, erguendo-se. A cadeira foi ao chão. Sacou um revólver cromado, mirou para a cabeça do novato.

Engraçado. Só ali, reparando bem no estranho (que chamarei de Trapaceiro), vi que tinha um ar exótico. Lembrava um boneco de cera, com olhos vítreos, palidez sombria e, não sei se estava muito bêbado, mas não o vi piscar.

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Abel Cavira
Royal Flush parte 1

E todos que estão aqui não sabem da maldita senha, gordão? – pensei.

— Boa noite, cavalheiros! — cumprimentou o sujeito, interrompendo o dono do bar. Firme, tinha uma postura elegante, cheia de presença. Magro, rosto afilado, olhos verdes, cabelos ruivos e paletó branco. — Vim juntar-me aos senhores. Vamos ao poker?

Cara-de-peixe olhou por cima dos óculos, que escorriam para a ponta do nariz. Meu antigo cliente não falou nada (a propósito, o nome dele era Carlos), mas fitou, com curiosidade, o recém-chegado. O outro jogador parado estava, parado ficou.

Enfim, Carlos quebrou o gelo.

— Boa noite, seja bem-vindo senhor… hããã…

— E quão triviais são os nomes em uma mesa de carteado, não acha, companheiro? — O visitante sacou uma bolada de grana de um dos bolsos da calça e a arremessou sobre a mesa. — É sobre isto que estou falando. Vamos ao jogo, pois fora desta mesa não me interessa saber quem é quem. — A fala soou amigável. Abriu um sorriso enorme e carismático.

Todos os outros trocaram olhares.

— Sente. — Era o sujeito caladão. Sempre tranquilo.

Todos sentados, iniciaram-se as partidas, que adentraram a madrugada.

Àquela hora, tudo o que ainda existia em minha conta bancária já pertencia ao caladão da mesa. Não tinha mais porra nenhuma… Exceto minha casa. E, num último suspiro, tentando conquistar algo de volta para prosseguir no jogo, apostei-a.

Cara-de-peixe e Carlos pularam fora daquela rodada, eu tremia com o que via nas mãos. O caladão e o estranho cobriram a aposta.

Hora de mostrar as cartas.

O recém-chegado revelou um Royal Flush.

Minha jogada era uma bela porcaria, Perdi tudo!

Restava um homem… e foi aí que a merda atolou a canela!

Mais um Royal Flush surgiu diante de nossos olhos!

Clima de suspense. Todos nos encarávamos. A luminária destacava a fumaça de cigarro que parecia ter parado no ar. As outras cartas foram viradas e, feita uma contagem, calculou-se o seguinte:

— Trapaceiro filho da puta! — gritou Caladão, erguendo-se. A cadeira foi ao chão. Sacou um revólver cromado, mirou para a cabeça do novato.

Engraçado. Só ali, reparando bem no estranho (que chamarei de Trapaceiro), vi que tinha um ar exótico. Lembrava um boneco de cera, com olhos vítreos, palidez sombria e, não sei se estava muito bêbado, mas não o vi piscar.

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