Apocalipse - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







Apocalipse

Certo dia, Juca estava no trabalho, quando recebeu a notícia pela televisão de que uma bomba havia sido estourada perto da sua casa, saiu desesperado e foi correndo ao encontro da sua mulher e filha. Lá chegando, encontrou sua casa completamente destruída e pegando fogo, mesmo assim ele entrou e encontrou a mulher e a filha mortas abraçadas embaixo dos escombros. Ele saiu dali e nunca mais foi o mesmo, não tinha mais casa e nem família, sabia que em breve não teria mais emprego também, então procurou um abrigo, na casa de alguns amigos, que na iminência da guerra haviam construído um bunker subterrâneo e o receberam de bom grado. Ficou lá por vários meses, até que não houvesse mais tropas na cidade, e quando saíram descobriram que não havia mais cidade também, estava tudo destruído, não havia mais governo e nem polícia, parecia que haviam sido abandonados por completo, e foi aí que começou o seu calvário, que dura até hoje.

***

Juca pegou a arma que estava ao lado do casal e viu que ainda havia 5 balas no tambor, a guardou na cintura e começou a vasculhar o resto do abrigo em busca de alguma comida, encontrou algumas latas de conserva e as colocou na mochila, fora isso o abrigo não tinha mais nada de útil, ele fez um sinal da cruz olhando para o casal em decomposição e saiu. Chegando na parte de cima da casa ele viu uma movimentação do lado de fora, seu coração gelou, se abaixou atrás de um sofá da sala e ficou escondido rezando para que não entrassem na casa. Passaram-se vários minutos até que os barulhos sessaram, e ele se sentiu seguro. Levantou-se e foi sorrateiramente até a janela para ver se era seguro sair da casa. Ficou observando por um tempo até que achou que não tinha mais ninguém do lado de fora, pegou sua mochila e saiu. Foi se esgueirando pelas sombras em direção à casa em que estava morando no momento, ele não ficava muito tempo em um mesmo lugar, ia de casa em casa para não correr o risco de trombar com as gangues. Não era muito longe, ele logo chegou, depositou o conteúdo da mochila na mesa e examinou o que tinha conseguido na sua pequena missão: uma lata de ervilhas, uma lata de azeitonas, uma de palmito e uma de pepino em conserva, não era grande coisa, mas já era um banquete para quem estava a vários dias sem comer nada.

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Adam Mattos
Apocalipse

Certo dia, Juca estava no trabalho, quando recebeu a notícia pela televisão de que uma bomba havia sido estourada perto da sua casa, saiu desesperado e foi correndo ao encontro da sua mulher e filha. Lá chegando, encontrou sua casa completamente destruída e pegando fogo, mesmo assim ele entrou e encontrou a mulher e a filha mortas abraçadas embaixo dos escombros. Ele saiu dali e nunca mais foi o mesmo, não tinha mais casa e nem família, sabia que em breve não teria mais emprego também, então procurou um abrigo, na casa de alguns amigos, que na iminência da guerra haviam construído um bunker subterrâneo e o receberam de bom grado. Ficou lá por vários meses, até que não houvesse mais tropas na cidade, e quando saíram descobriram que não havia mais cidade também, estava tudo destruído, não havia mais governo e nem polícia, parecia que haviam sido abandonados por completo, e foi aí que começou o seu calvário, que dura até hoje.

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Juca pegou a arma que estava ao lado do casal e viu que ainda havia 5 balas no tambor, a guardou na cintura e começou a vasculhar o resto do abrigo em busca de alguma comida, encontrou algumas latas de conserva e as colocou na mochila, fora isso o abrigo não tinha mais nada de útil, ele fez um sinal da cruz olhando para o casal em decomposição e saiu. Chegando na parte de cima da casa ele viu uma movimentação do lado de fora, seu coração gelou, se abaixou atrás de um sofá da sala e ficou escondido rezando para que não entrassem na casa. Passaram-se vários minutos até que os barulhos sessaram, e ele se sentiu seguro. Levantou-se e foi sorrateiramente até a janela para ver se era seguro sair da casa. Ficou observando por um tempo até que achou que não tinha mais ninguém do lado de fora, pegou sua mochila e saiu. Foi se esgueirando pelas sombras em direção à casa em que estava morando no momento, ele não ficava muito tempo em um mesmo lugar, ia de casa em casa para não correr o risco de trombar com as gangues. Não era muito longe, ele logo chegou, depositou o conteúdo da mochila na mesa e examinou o que tinha conseguido na sua pequena missão: uma lata de ervilhas, uma lata de azeitonas, uma de palmito e uma de pepino em conserva, não era grande coisa, mas já era um banquete para quem estava a vários dias sem comer nada.

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