Apocalipse - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







Apocalipse

Quando acordou, Juca estava novamente na Jaula, com os ombros, na altura onde se encontravam os braços latejando com uma lancinante dor, e sentia um cheiro delicioso de carne, que não sentia a muito tempo, em volta da fogueira os homens cantavam uma canção:

“Obrigado meu senhor por essa comida

Muito bem vinda nesses tempos obscuros

Por mais que ela seja um tanto arredia

E os nossos métodos um pouco escusos

Nossa refeição ainda que tardia

Pode deixar nossos dias menos escuros

Terminando de cantar um homem se aproximou de Juca com um prato de comida com um pouco de carne nele, abriu a jaula, se aproximou e disse:

– Coma um pouco.

– Não vou comer, essa carne é do meu braço.

– É sim, e é uma delícia, não é um pedido, é uma ordem.

Puxou uma arma e apontou para a cabeça de Juca.

– Veja bem, você não pode morrer, se não a sua carne vai estragar, nós não temos geladeira para guardar não é mesmo? Portanto você vai ficar vivo querendo ou não, se não comer, a gente pode transformar seus últimos dias bem menos agradáveis, pode ter certeza.

Juca já não tinha mais forças, ele sabia qual era o seu destino, virara refeição para aqueles homens, seu maior medo se concretizou, e agora ele não tinha mais braços, portanto não tinha nem como pensar em fugir, a única coisa que podia fazer era aceitar a sua sina e viver seus últimos dias como gado esperando para virar comida, abriu a boca e meteu a cara no prato que estava no chão à sua frente, fazendo com que partes da sua carne encostassem em seus olhos fechados e entrassem em seu nariz e experimentou um pedaço do seu próprio braço, era surpreendentemente gostosa, e ele entendeu porque aqueles homens faziam isso, a carne era realmente boa, e a única coisa que ainda tinha em abundância no mundo era gente esperando para ser comida.

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Adam Mattos
Apocalipse

Quando acordou, Juca estava novamente na Jaula, com os ombros, na altura onde se encontravam os braços latejando com uma lancinante dor, e sentia um cheiro delicioso de carne, que não sentia a muito tempo, em volta da fogueira os homens cantavam uma canção:

“Obrigado meu senhor por essa comida

Muito bem vinda nesses tempos obscuros

Por mais que ela seja um tanto arredia

E os nossos métodos um pouco escusos

Nossa refeição ainda que tardia

Pode deixar nossos dias menos escuros

Terminando de cantar um homem se aproximou de Juca com um prato de comida com um pouco de carne nele, abriu a jaula, se aproximou e disse:

– Coma um pouco.

– Não vou comer, essa carne é do meu braço.

– É sim, e é uma delícia, não é um pedido, é uma ordem.

Puxou uma arma e apontou para a cabeça de Juca.

– Veja bem, você não pode morrer, se não a sua carne vai estragar, nós não temos geladeira para guardar não é mesmo? Portanto você vai ficar vivo querendo ou não, se não comer, a gente pode transformar seus últimos dias bem menos agradáveis, pode ter certeza.

Juca já não tinha mais forças, ele sabia qual era o seu destino, virara refeição para aqueles homens, seu maior medo se concretizou, e agora ele não tinha mais braços, portanto não tinha nem como pensar em fugir, a única coisa que podia fazer era aceitar a sua sina e viver seus últimos dias como gado esperando para virar comida, abriu a boca e meteu a cara no prato que estava no chão à sua frente, fazendo com que partes da sua carne encostassem em seus olhos fechados e entrassem em seu nariz e experimentou um pedaço do seu próprio braço, era surpreendentemente gostosa, e ele entendeu porque aqueles homens faziam isso, a carne era realmente boa, e a única coisa que ainda tinha em abundância no mundo era gente esperando para ser comida.

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