Ditadura - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







Ditadura

            – Pelo amor de Deus, eu falo tudo o que você quiser saber, eu me encontrava com alguns outros comunistas num bar no centro que não me lembro o nome, a gente conversava sobre política, e em como iriamos começar alguma revolução, mas não sei o nome de nenhum deles, nós só nos tratávamos por codinomes. Pelo amor de Deus, não faça nada com a minha filha, eu disse tudo o que sei, mas se me soltar eu descubro mais e trago pra você tudo o que você quiser, tenha misericórdia.

            – Eu não acredito em você, acho que está mentindo. Você é só um professor de história que fala demais, só isso.

Ele se aproximou de mim com a furadeira ligada, e momentos antes de estraçalhar o meu cérebro com a broca afiada, só consegui pensar que estávamos vivendo novamente um período de ditadura militar, mais de seis décadas depois do golpe de 1964. 

           

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Adam Mattos
Ditadura

            – Pelo amor de Deus, eu falo tudo o que você quiser saber, eu me encontrava com alguns outros comunistas num bar no centro que não me lembro o nome, a gente conversava sobre política, e em como iriamos começar alguma revolução, mas não sei o nome de nenhum deles, nós só nos tratávamos por codinomes. Pelo amor de Deus, não faça nada com a minha filha, eu disse tudo o que sei, mas se me soltar eu descubro mais e trago pra você tudo o que você quiser, tenha misericórdia.

            – Eu não acredito em você, acho que está mentindo. Você é só um professor de história que fala demais, só isso.

Ele se aproximou de mim com a furadeira ligada, e momentos antes de estraçalhar o meu cérebro com a broca afiada, só consegui pensar que estávamos vivendo novamente um período de ditadura militar, mais de seis décadas depois do golpe de 1964. 

           

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