Minha Luta - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







Minha Luta

Dia 20 de abril de 1989. O dia mais feliz da vida de Heitor e Carolina. Nascia o o primogênito da família: Henry. Nome dado em homenagem ao personagem Henry Spencer do filme “Eraserhead”, interpretado pelo falecido Jack Nance. Nasceu com 3,9kg, saudável e lindo! Ah como era lindo! Os pais passavam horas babando em cima do bebê, sem acreditar que tivessem sido responsáveis por tamanha perfeição. 

O pequeno Henry, crescia e sua inteligência fora do normal para uma criança daquela idade ia ficando cada vez mais clara. Com um ano, já andava normalmente e falava tudo. Tinha um vocabulário impressionante. 

Certa vez, com um ano e meio, durante o almoço, perguntou ao pai Porque que teve a segunda guerra mundial. Essa pergunta pegou os dois desprevenidos e os deixou estupefatos. Onde ele havia ouvido falar sobre isso? Como os dois vinham de família judias, e eram – na medida que a correria diária os permitia – praticantes da religião, esse era um assunto muito delicado. Limitaram-se a responder que foi por divergências entre os países envolvidos. Henry definitivamente não tinha idade suficiente para ouvir as atrocidades que seu povo sofreu pela mão dos nazistas. 

Com três anos, decidiram que era hora de leva-lo à sinagoga pela primeira vez. Para começar a se familiarizar com os ensinamentos do velho testamento, o Torá. Os pais o vestiram com sua melhor roupa e foram colocar o quipá em sua cabeça. Quando o pequeno Henry se enfureceu, começou a gritar que não usaria aquilo, que era idiota ter que por um chapeuzinho ridículo para ir sei lá onde. Então os pais explicaram que para entrar na casa de Deus, como forma de respeito e temor à ele.  Foi quando receberam uma resposta que os deixou paralisados: “isso é ridículo, a Bíblia cristã não fala nada sobre isso. Essa religião de vocês é idiota. Eu sou cristão! A vida toda fui  cristão, até o dia da minha morte. 

Os pais não sabiam o que responder. Assustados é muito supersticiosos acharam que o filho estava possuído. Não insistiram mais em levá-lo à sinagoga e passaram a observá-lo de perto. 

Aos 4 anos o encontraram assistindo no Netflix um filme sobre o holocausto. Acharam que o garoto estaria chorando com toda a crueldade mostrada na tela, mas – e nesse ponto a mãe é o pai discordam – a mãe jura que viu um vislumbre de sorriso nos lábios do filho. 

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Adam Mattos
Minha Luta

Dia 20 de abril de 1989. O dia mais feliz da vida de Heitor e Carolina. Nascia o o primogênito da família: Henry. Nome dado em homenagem ao personagem Henry Spencer do filme “Eraserhead”, interpretado pelo falecido Jack Nance. Nasceu com 3,9kg, saudável e lindo! Ah como era lindo! Os pais passavam horas babando em cima do bebê, sem acreditar que tivessem sido responsáveis por tamanha perfeição. 

O pequeno Henry, crescia e sua inteligência fora do normal para uma criança daquela idade ia ficando cada vez mais clara. Com um ano, já andava normalmente e falava tudo. Tinha um vocabulário impressionante. 

Certa vez, com um ano e meio, durante o almoço, perguntou ao pai Porque que teve a segunda guerra mundial. Essa pergunta pegou os dois desprevenidos e os deixou estupefatos. Onde ele havia ouvido falar sobre isso? Como os dois vinham de família judias, e eram – na medida que a correria diária os permitia – praticantes da religião, esse era um assunto muito delicado. Limitaram-se a responder que foi por divergências entre os países envolvidos. Henry definitivamente não tinha idade suficiente para ouvir as atrocidades que seu povo sofreu pela mão dos nazistas. 

Com três anos, decidiram que era hora de leva-lo à sinagoga pela primeira vez. Para começar a se familiarizar com os ensinamentos do velho testamento, o Torá. Os pais o vestiram com sua melhor roupa e foram colocar o quipá em sua cabeça. Quando o pequeno Henry se enfureceu, começou a gritar que não usaria aquilo, que era idiota ter que por um chapeuzinho ridículo para ir sei lá onde. Então os pais explicaram que para entrar na casa de Deus, como forma de respeito e temor à ele.  Foi quando receberam uma resposta que os deixou paralisados: “isso é ridículo, a Bíblia cristã não fala nada sobre isso. Essa religião de vocês é idiota. Eu sou cristão! A vida toda fui  cristão, até o dia da minha morte. 

Os pais não sabiam o que responder. Assustados é muito supersticiosos acharam que o filho estava possuído. Não insistiram mais em levá-lo à sinagoga e passaram a observá-lo de perto. 

Aos 4 anos o encontraram assistindo no Netflix um filme sobre o holocausto. Acharam que o garoto estaria chorando com toda a crueldade mostrada na tela, mas – e nesse ponto a mãe é o pai discordam – a mãe jura que viu um vislumbre de sorriso nos lábios do filho. 

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