O Acidente - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







O Acidente

       Carlos estava dirigindo o seu carro pela estrada, voltando do trabalho, ele trabalhava em uma empresa de contabilidade em Curitiba, mas morava em Campo Largo, portanto pegava a estrada todos os dias. Nesse dia ele havia saído do trabalho e ido a um Happy Hour com os colegas, havia bebido algumas cervejas e duas doses de uísque Jack Daniels com coca cola, estava embriagado. Voltava tranquilamente, como sempre fazia, ouvindo música bem alta e cantando junto, quando por um segundo apenas se distraiu ao trocar de música no celular e fechou um carro que o ultrapassava pela esquerda, o jogando para a pista contrária, esse carro obrigado a atravessar a outra pista para não bater em Carlos, não conseguiu se desviar de um caminhão que vinha na direção contrária e bateu de frente a toda velocidade. Carlos viu o que tinha feito e rapidamente voltou à sua pista e não parou, continuou o seu caminho com as pernas moles e sem saber se parava para ajudar de alguma forma, mas se fizesse isso fatalmente seria preso, pois estava embriagado na BR, preferiu continuar seu trajeto até em sua casa e rezar para que ninguém tivesse visto o que havia acontecido e nem anotado a placa do seu carro.

 

***

       Carlos era casado, tinha três filhos, um garoto de oito anos, e duas meninas, uma de dez e outra de quatorze anos. Era feliz no casamento e no emprego, ganhava bem, morava em uma bela casa construída por eles do jeito que queriam, eles viviam felizes, até aquele fatídico dia. Quando chegou em casa, estava catatônico, a esposa e os filhos perceberam que algo estava errado, mas ele apenas se desvencilhava das perguntas dizendo estar muito cansado, e precisando de um banho para recuperar as energias, subiu as escadas, tirou a roupa, entrou no chuveiro e deixou a água cair sobre a sua cabeça com a esperança de que aquilo fosse apenas um pesadelo e que ele acordasse a qualquer momento. Deixou a água escorrer pelo seu corpo e chorou compulsivamente.

       A esposa ouvindo o choro do marido foi correndo até o banheiro acudí-lo, mas a porta estava trancada.

       – Meu amor, está tudo bem? Fala comigo

       Nenhuma resposta.

       – Carlos, abre a porta, o que está acontecendo?

       Carlos desligou o chuveiro, se secou e foi de encontro a esposa que estava desesperada o esperando na porta do banheiro.

       Quando ele saiu, ainda chorando, ela o abraçou fraternalmente e o deixou chorar em seu ombro por vários minutos, até ele se acalmar e conseguir falar.

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Adam Mattos
O Acidente

       Carlos estava dirigindo o seu carro pela estrada, voltando do trabalho, ele trabalhava em uma empresa de contabilidade em Curitiba, mas morava em Campo Largo, portanto pegava a estrada todos os dias. Nesse dia ele havia saído do trabalho e ido a um Happy Hour com os colegas, havia bebido algumas cervejas e duas doses de uísque Jack Daniels com coca cola, estava embriagado. Voltava tranquilamente, como sempre fazia, ouvindo música bem alta e cantando junto, quando por um segundo apenas se distraiu ao trocar de música no celular e fechou um carro que o ultrapassava pela esquerda, o jogando para a pista contrária, esse carro obrigado a atravessar a outra pista para não bater em Carlos, não conseguiu se desviar de um caminhão que vinha na direção contrária e bateu de frente a toda velocidade. Carlos viu o que tinha feito e rapidamente voltou à sua pista e não parou, continuou o seu caminho com as pernas moles e sem saber se parava para ajudar de alguma forma, mas se fizesse isso fatalmente seria preso, pois estava embriagado na BR, preferiu continuar seu trajeto até em sua casa e rezar para que ninguém tivesse visto o que havia acontecido e nem anotado a placa do seu carro.

 

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       Carlos era casado, tinha três filhos, um garoto de oito anos, e duas meninas, uma de dez e outra de quatorze anos. Era feliz no casamento e no emprego, ganhava bem, morava em uma bela casa construída por eles do jeito que queriam, eles viviam felizes, até aquele fatídico dia. Quando chegou em casa, estava catatônico, a esposa e os filhos perceberam que algo estava errado, mas ele apenas se desvencilhava das perguntas dizendo estar muito cansado, e precisando de um banho para recuperar as energias, subiu as escadas, tirou a roupa, entrou no chuveiro e deixou a água cair sobre a sua cabeça com a esperança de que aquilo fosse apenas um pesadelo e que ele acordasse a qualquer momento. Deixou a água escorrer pelo seu corpo e chorou compulsivamente.

       A esposa ouvindo o choro do marido foi correndo até o banheiro acudí-lo, mas a porta estava trancada.

       – Meu amor, está tudo bem? Fala comigo

       Nenhuma resposta.

       – Carlos, abre a porta, o que está acontecendo?

       Carlos desligou o chuveiro, se secou e foi de encontro a esposa que estava desesperada o esperando na porta do banheiro.

       Quando ele saiu, ainda chorando, ela o abraçou fraternalmente e o deixou chorar em seu ombro por vários minutos, até ele se acalmar e conseguir falar.

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