O Acidente - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







O Acidente

***

       Certo dia, Carlos chegou em casa, e junto da correspondência havia uma carta sem remetente, que aparentemente havia sido deixada diretamente lá, sem intermédio do correio, endereçada a ele em um envelope pardo. Ele abriu e dentro do envelope havia uma colagem feita com letras cortadas de revistas que dizia: Eu sei o que você fez, e você vai pagar por isso. O coração dele gelou, e mais que depressa escondeu a carta da esposa, subiu até o seu quarto, pegou um isqueiro e a queimou na pia do banheiro. Como será possível que alguém saiba do que aconteceu? No jornal disse que não havia testemunhas, como alguém que não a polícia pode saber? Ele estava em pânico e chegou a pensar em ele mesmo chamar a polícia, pois a carta era claramente uma ameaça, mas como poderia fazer isso sem se comprometer? Desceu rapidamente as escadas e disse a esposa que precisava dar uma saidinha, pegou seu casaco, entrou em seu carro e foi em direção ao bar mais próximo, ele precisava desesperadamente de uma bebida. Virou dois copos de uísque puro, sem gelo para ajuda-lo a pensar, qual seria o próximo passo? A pessoa, seja lá quem for, sabe onde ele mora e levou a carta pessoalmente. O que ele poderia fazer? Se mudar dali? Mas o que iria dizer à esposa? Carlos estava completamente perdido. Bebeu mais duas doses de uísque, e quando já estava bêbado o suficiente para quem sabe conseguir dormir, voltou para casa. Ele passou mais uma noite em claro, temendo por si e pela sua família.

       Alguns dias depois da ameaça, ele ainda estava no trabalho quando o telefone tocou, era sua esposa, ele atendeu:

       – Alo

       – Oi meu amor, eu estou desesperada, a Camila não voltou da escola, eu fui até lá e me disseram que ela saiu no horário normal, mas já faz mais de uma hora e ela ainda não chegou, o celular dela está desligado, o que eu faço?

       – Calma meu amor, ela deve ter passado na casa de alguma amiguinha, espera mais um pouco que ela chega, eu já estou voltando para casa, se ela não tiver chegado ainda à gente vai até a polícia.

       – Tá bom, mas vem logo, por favor!

       – Estou saindo daqui agora, meia hora estou em casa.

       Carlos saiu do trabalho apavorado, por mais que não quisesse preocupar a esposa, ele não conseguia parar de pensar na carta ameaçadora que ele recebera, e a filha nunca se atrasava sem avisar, no fundo ele sabia que algo tinha acontecido.
Saiu do trabalho e voltou pra casa voando, chegou em menos de 20 minutos, para constatar que a filha ainda não estava em casa, encontrou a esposa e os dois outros filhos na sala desesperados.

       – Carlos, eu já telefonei pra todas as amigas da Camila, e ela não está com nenhuma delas, aconteceu alguma coisa, a gente tem que ir à polícia.

       – Tudo bem, deixa que eu vou, e você fica aqui para caso ela chegue em casa ou telefone.

       – Tá bom, mas me liga pra dizer o que eles falaram assim que sair de lá.

       – Pode deixar.

Páginas: 1 2 3 4

Adam Mattos
O Acidente

***

       Certo dia, Carlos chegou em casa, e junto da correspondência havia uma carta sem remetente, que aparentemente havia sido deixada diretamente lá, sem intermédio do correio, endereçada a ele em um envelope pardo. Ele abriu e dentro do envelope havia uma colagem feita com letras cortadas de revistas que dizia: Eu sei o que você fez, e você vai pagar por isso. O coração dele gelou, e mais que depressa escondeu a carta da esposa, subiu até o seu quarto, pegou um isqueiro e a queimou na pia do banheiro. Como será possível que alguém saiba do que aconteceu? No jornal disse que não havia testemunhas, como alguém que não a polícia pode saber? Ele estava em pânico e chegou a pensar em ele mesmo chamar a polícia, pois a carta era claramente uma ameaça, mas como poderia fazer isso sem se comprometer? Desceu rapidamente as escadas e disse a esposa que precisava dar uma saidinha, pegou seu casaco, entrou em seu carro e foi em direção ao bar mais próximo, ele precisava desesperadamente de uma bebida. Virou dois copos de uísque puro, sem gelo para ajuda-lo a pensar, qual seria o próximo passo? A pessoa, seja lá quem for, sabe onde ele mora e levou a carta pessoalmente. O que ele poderia fazer? Se mudar dali? Mas o que iria dizer à esposa? Carlos estava completamente perdido. Bebeu mais duas doses de uísque, e quando já estava bêbado o suficiente para quem sabe conseguir dormir, voltou para casa. Ele passou mais uma noite em claro, temendo por si e pela sua família.

       Alguns dias depois da ameaça, ele ainda estava no trabalho quando o telefone tocou, era sua esposa, ele atendeu:

       – Alo

       – Oi meu amor, eu estou desesperada, a Camila não voltou da escola, eu fui até lá e me disseram que ela saiu no horário normal, mas já faz mais de uma hora e ela ainda não chegou, o celular dela está desligado, o que eu faço?

       – Calma meu amor, ela deve ter passado na casa de alguma amiguinha, espera mais um pouco que ela chega, eu já estou voltando para casa, se ela não tiver chegado ainda à gente vai até a polícia.

       – Tá bom, mas vem logo, por favor!

       – Estou saindo daqui agora, meia hora estou em casa.

       Carlos saiu do trabalho apavorado, por mais que não quisesse preocupar a esposa, ele não conseguia parar de pensar na carta ameaçadora que ele recebera, e a filha nunca se atrasava sem avisar, no fundo ele sabia que algo tinha acontecido.
Saiu do trabalho e voltou pra casa voando, chegou em menos de 20 minutos, para constatar que a filha ainda não estava em casa, encontrou a esposa e os dois outros filhos na sala desesperados.

       – Carlos, eu já telefonei pra todas as amigas da Camila, e ela não está com nenhuma delas, aconteceu alguma coisa, a gente tem que ir à polícia.

       – Tudo bem, deixa que eu vou, e você fica aqui para caso ela chegue em casa ou telefone.

       – Tá bom, mas me liga pra dizer o que eles falaram assim que sair de lá.

       – Pode deixar.

Páginas: 1 2 3 4