O.B. - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







O.B.

João Vicente definitivamente não era uma pessoa comum. Tinha 42 anos, mas na maior parte do tempo comportava-se como um adolescente.  Saía para beber e usar drogas todos os finais de semana, mas apenas nos finais de semana, pois apesar dos seus abusos era o que os especialistas chamam de “alcoólatra funcional”. Durante a semana trabalhava como cirurgião de emergência em um hospital no centro de Curitiba. Não vou mentir para vocês, é claro que de vez em quando ele ia trabalhar bêbado, ou em noites de plantão, dava umas fugidinha ao banheiro para uma carreira de cocaína, mas essa não era a regra, ele gostava de estar sóbrio para operar.

Em uma segunda feira qualquer, no ano passado começou uma serie de eventos que desencadeou nessa história que eu vou te contar. Quem eu sou? Isso não importa, eu sou apenas um interlocutor de um caso bizarro que aconteceu na capital da “Rússia brasileira”, o nosso querido Paraná. E pensar que tudo aconteceu por causa de um absorvente interno.

Eram 10:15 da manhã, João estava trabalhando há mais ou menos duas horas, estava sóbrio, e tinha acabado de atender um senhor, vítima de enfarto, que felizmente sobreviveu, e agora recuperava-se na UTI. Chegou na lanchonete do hospital para comprar um café e sair fumar um cigarro. Enquanto rumava para a saída lateral B viu uma mulher deslumbrante, de mini saia, um decote v que deixava boa parte dos seios fartos à mostra. Ficou hipnotizado e parou para olhá-la. Ela andava elegantemente pelo corredor do hospital, como um belo cisne desfila pelas pradarias dinamarquesas, dona do lugar. Quando ela estava atravessando a porta, há uns 20 metros de distancia, João percebeu que ela deixou algo cair no chão, quando mexia na bolsa. Imediatamente saiu do transe e foi em direção ao objeto não identificado, com o intuito que devolver à moça e quem sabe começar uma conversa amigável que fatalmente terminaria em um sexo selvagem no motel barato que existia a poucos metros do hospital. Se aproximou do local, se abaixou e pegou o que ela deixara cair, isso mesmo, era o que você já deve ter descoberto: um absorvente interno. Ele o pegou do chão e permaneceu ali por alguns segundos sem saber o que fazer. E quem pode culpá-lo? Como chegar em uma mulher e dizer: “Moça, você derrubou o seu absorvente” e esperar que isso evolua para qualquer coisa além de um sorriso constrangido e uma fuga instantânea por parte dela do local? Era isso que passava pela cabeça de João. Mas depois de alguns segundos chegou a conclusão de que não tinha nada a perder, e se não fizesse nada, nunca mais veria aquela deusa nórdica em sua frente. Levantou-se e correu para fora do hospital, mas quando chegou lá, não viu nenhum sinal dela. Como ela pode ter desaparecido? Pensou. Mas a resposta é muito menos interessante do que você pode estar imaginando. Quando ela derrubou o absorvente, estava mexendo na bolsa, provavelmente em busca da chave do seu carro que devia estar estacionado bem em frente há saída lateral B. Bom, isso é o que eu suponho, pois não estava lá para saber. Fato é que, desolado, João colocou o absorvente no bolso da camisa e ia entrar no hospital, quando ouviu alguém gritar o seu nome. Virou-se e viu sua ex-mulher, se aproximando. Caralho, merda, puta que pariu, filha da puta, desgraça de vida miserável dos infernos.

Páginas: 1 2

João Vicente definitivamente não era uma pessoa comum. Tinha 42 anos, mas na maior parte do tempo comportava-se como um adolescente.  Saía para beber e usar drogas todos os finais de semana, mas apenas nos finais de semana, pois apesar dos seus abusos era o que os especialistas chamam de “alcoólatra funcional”. Durante a semana trabalhava como cirurgião de emergência em um hospital no centro de Curitiba. Não vou mentir para vocês, é claro que de vez em quando ele ia trabalhar bêbado, ou em noites de plantão, dava umas fugidinha ao banheiro para uma carreira de cocaína, mas essa não era a regra, ele gostava de estar sóbrio para operar.

Em uma segunda feira qualquer, no ano passado começou uma serie de eventos que desencadeou nessa história que eu vou te contar. Quem eu sou? Isso não importa, eu sou apenas um interlocutor de um caso bizarro que aconteceu na capital da “Rússia brasileira”, o nosso querido Paraná. E pensar que tudo aconteceu por causa de um absorvente interno.

Eram 10:15 da manhã, João estava trabalhando há mais ou menos duas horas, estava sóbrio, e tinha acabado de atender um senhor, vítima de enfarto, que felizmente sobreviveu, e agora recuperava-se na UTI. Chegou na lanchonete do hospital para comprar um café e sair fumar um cigarro. Enquanto rumava para a saída lateral B viu uma mulher deslumbrante, de mini saia, um decote v que deixava boa parte dos seios fartos à mostra. Ficou hipnotizado e parou para olhá-la. Ela andava elegantemente pelo corredor do hospital, como um belo cisne desfila pelas pradarias dinamarquesas, dona do lugar. Quando ela estava atravessando a porta, há uns 20 metros de distancia, João percebeu que ela deixou algo cair no chão, quando mexia na bolsa. Imediatamente saiu do transe e foi em direção ao objeto não identificado, com o intuito que devolver à moça e quem sabe começar uma conversa amigável que fatalmente terminaria em um sexo selvagem no motel barato que existia a poucos metros do hospital. Se aproximou do local, se abaixou e pegou o que ela deixara cair, isso mesmo, era o que você já deve ter descoberto: um absorvente interno. Ele o pegou do chão e permaneceu ali por alguns segundos sem saber o que fazer. E quem pode culpá-lo? Como chegar em uma mulher e dizer: “Moça, você derrubou o seu absorvente” e esperar que isso evolua para qualquer coisa além de um sorriso constrangido e uma fuga instantânea por parte dela do local? Era isso que passava pela cabeça de João. Mas depois de alguns segundos chegou a conclusão de que não tinha nada a perder, e se não fizesse nada, nunca mais veria aquela deusa nórdica em sua frente. Levantou-se e correu para fora do hospital, mas quando chegou lá, não viu nenhum sinal dela. Como ela pode ter desaparecido? Pensou. Mas a resposta é muito menos interessante do que você pode estar imaginando. Quando ela derrubou o absorvente, estava mexendo na bolsa, provavelmente em busca da chave do seu carro que devia estar estacionado bem em frente há saída lateral B. Bom, isso é o que eu suponho, pois não estava lá para saber. Fato é que, desolado, João colocou o absorvente no bolso da camisa e ia entrar no hospital, quando ouviu alguém gritar o seu nome. Virou-se e viu sua ex-mulher, se aproximando. Caralho, merda, puta que pariu, filha da puta, desgraça de vida miserável dos infernos.

Páginas: 1 2