O caçador de buzinas - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







O caçador de buzinas

Acho que para que você entenda completamente essa história, eu devo uma apresentação formal, e creio que para que entenda melhor as motivações do pobre (sim, pobre) Juca, eu devo contar a minha história e o efeito que causo nas pessoas. Inclusive, caso se identifique, olhe sobre o ombro, quem sabe eu não estou atrás de você, dando risadas e esperando a hora de te levar comigo?

Os japoneses me chamam de Shinigami, ou Yama, o Deus do submundo, uma espécie de oposto de Buda, que determina a morte das pessoas, incitando-as de alguma forma a tirar a própria vida. Veja bem, eu não mato ninguém, não sou um ser materializador, apenas vivo dentro do ser humano, e a decisão de me abraçar ou não é de cada um.

 

***

           

Bom, vamos começar a nossa história pelo início.

Juca tinha treze anos quando flertou comigo pela primeira vez, ele estava em uma festa na casa de alguns amigos, todos bebendo, como é comum nessa idade. Diferente do que você pode estar pensando, não, não é a bebida que abre a porta para a minha chegada. A bebida geralmente já é algo que as pessoas que estão comigo por perto usam como subterfúgio para me aguentar. Não, o que abre as portas para mim é algo muito mais complexo, que está dentro do próprio ser humano, mas nós ainda vamos chegar lá.

Naquele dia, Juca estava nessa festa, bebendo com seus amigos, quando uma menina, Clara, de apenas quatorze anos, desmaiou após beber muita vodca com energético. Naquele momento da festa estavam presentes apenas Juca, Clara e mais três amigos — dois também de treze anos e um, o dono da casa, de dezesseis. Quando Clara desmaiou, Carlos, o dono da casa, pegou-a no colo e a levou para um dos quartos, seguido pelos outros três. Chegando lá, ele começou a tirar a roupa da menina, seguido de risos e incentivo dos outros garotos, menos de Juca, que apesar de não querer fazer aquilo, não conseguiu se opor. Estava paralisado de medo e sem conseguir impedir os outros de concluir o que estavam prestes a fazer. Com a menina nua na cama, Carlos pegou o telefone celular e começou a filmá-la, dando gargalhadas e filmando cada centímetro do corpo nu da adolescente desacordada. Juca finalmente conseguiu se livrar da paralisia momentânea, saiu rapidamente do quarto, cambaleando sob efeito do álcool, e correu direto para a porta da frente, abriu e foi correndo para casa.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7

Adam Mattos
O caçador de buzinas

Acho que para que você entenda completamente essa história, eu devo uma apresentação formal, e creio que para que entenda melhor as motivações do pobre (sim, pobre) Juca, eu devo contar a minha história e o efeito que causo nas pessoas. Inclusive, caso se identifique, olhe sobre o ombro, quem sabe eu não estou atrás de você, dando risadas e esperando a hora de te levar comigo?

Os japoneses me chamam de Shinigami, ou Yama, o Deus do submundo, uma espécie de oposto de Buda, que determina a morte das pessoas, incitando-as de alguma forma a tirar a própria vida. Veja bem, eu não mato ninguém, não sou um ser materializador, apenas vivo dentro do ser humano, e a decisão de me abraçar ou não é de cada um.

 

***

           

Bom, vamos começar a nossa história pelo início.

Juca tinha treze anos quando flertou comigo pela primeira vez, ele estava em uma festa na casa de alguns amigos, todos bebendo, como é comum nessa idade. Diferente do que você pode estar pensando, não, não é a bebida que abre a porta para a minha chegada. A bebida geralmente já é algo que as pessoas que estão comigo por perto usam como subterfúgio para me aguentar. Não, o que abre as portas para mim é algo muito mais complexo, que está dentro do próprio ser humano, mas nós ainda vamos chegar lá.

Naquele dia, Juca estava nessa festa, bebendo com seus amigos, quando uma menina, Clara, de apenas quatorze anos, desmaiou após beber muita vodca com energético. Naquele momento da festa estavam presentes apenas Juca, Clara e mais três amigos — dois também de treze anos e um, o dono da casa, de dezesseis. Quando Clara desmaiou, Carlos, o dono da casa, pegou-a no colo e a levou para um dos quartos, seguido pelos outros três. Chegando lá, ele começou a tirar a roupa da menina, seguido de risos e incentivo dos outros garotos, menos de Juca, que apesar de não querer fazer aquilo, não conseguiu se opor. Estava paralisado de medo e sem conseguir impedir os outros de concluir o que estavam prestes a fazer. Com a menina nua na cama, Carlos pegou o telefone celular e começou a filmá-la, dando gargalhadas e filmando cada centímetro do corpo nu da adolescente desacordada. Juca finalmente conseguiu se livrar da paralisia momentânea, saiu rapidamente do quarto, cambaleando sob efeito do álcool, e correu direto para a porta da frente, abriu e foi correndo para casa.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7