O caçador de buzinas - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







O caçador de buzinas

Quando o buraco era grande o suficiente para passar um corpo, Juca esticou a mão e puxou o homem pelo colarinho da camisa para fora do carro, dilacerando pedaços de sua carne no que restou do para-brisas quebrado. O buzinador não tinha forças para se defender, era um rapaz de uns trinta anos, um pai de família que saiu de casa naquele horário para comprar fraldas para o filho, coincidentemente, estava voltando da mesma farmácia que Juca.

Juca esmagou a cabeça do homem no meio-fio usando às vezes o pé de cabra, outras o próprio pé descalço. Ele só parou quando o homem estava morto, com a cabeça completamente esmagada no asfalto, como se fosse uma folha de papel grudada em um corpo sem vida. Naquele momento, Juca não tinha mais dor de cabeça, muito pelo contrário, estava em êxtase. Era a adrenalina falando mais alto. Eu estava com ele, e logo eu o dominaria por completo.

 

***

Juca chegou em casa, acendeu um cigarro, tomou o resto do Wild Turkey que ainda restava e relaxou. Não pensou em mais nada, só conseguia pensar no que acabara de fazer, na vida que acabara que ceifar. E a troco de quê? Será que era suficiente acabar com a vida de alguém por uma buzinada? Enfim, ele estava se entregando a mim.

 

***

 

No noticiário do dia seguinte as notícias davam conta que testemunhas viram um vampiro, usando uma capa vermelha saltar de dentro de um carro e pular sobre o outro, quebrar os vidros com as próprias mãos, puxá-lo de dentro do carro, sugar o sangue do seu pescoço e comer a sua cabeça até virar um nada. Um mendigo que passava pelo local jurava ter visto o monstro se transformar em um morcego e sair voando após o crime.

 

***

 

Juca se sentou na varanda do seu minúsculo apartamento e pensou sobre o que tinha acabado de ouvir. Um vampiro. Ele gostava da ideia de ser confundido com um monstro e se transformar em uma lenda. Algum dia alguém poderia fazer um filme sobre o vampiro de Curitiba, o verdadeiro, não aquele farsante que ninguém nunca viu, esse que já viram até se transformar em morcego. É, ele realmente gostava da ideia, mas isso não aliviava o sentimento de culpa com o que tinha feito.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7

Adam Mattos
O caçador de buzinas

Quando o buraco era grande o suficiente para passar um corpo, Juca esticou a mão e puxou o homem pelo colarinho da camisa para fora do carro, dilacerando pedaços de sua carne no que restou do para-brisas quebrado. O buzinador não tinha forças para se defender, era um rapaz de uns trinta anos, um pai de família que saiu de casa naquele horário para comprar fraldas para o filho, coincidentemente, estava voltando da mesma farmácia que Juca.

Juca esmagou a cabeça do homem no meio-fio usando às vezes o pé de cabra, outras o próprio pé descalço. Ele só parou quando o homem estava morto, com a cabeça completamente esmagada no asfalto, como se fosse uma folha de papel grudada em um corpo sem vida. Naquele momento, Juca não tinha mais dor de cabeça, muito pelo contrário, estava em êxtase. Era a adrenalina falando mais alto. Eu estava com ele, e logo eu o dominaria por completo.

 

***

Juca chegou em casa, acendeu um cigarro, tomou o resto do Wild Turkey que ainda restava e relaxou. Não pensou em mais nada, só conseguia pensar no que acabara de fazer, na vida que acabara que ceifar. E a troco de quê? Será que era suficiente acabar com a vida de alguém por uma buzinada? Enfim, ele estava se entregando a mim.

 

***

 

No noticiário do dia seguinte as notícias davam conta que testemunhas viram um vampiro, usando uma capa vermelha saltar de dentro de um carro e pular sobre o outro, quebrar os vidros com as próprias mãos, puxá-lo de dentro do carro, sugar o sangue do seu pescoço e comer a sua cabeça até virar um nada. Um mendigo que passava pelo local jurava ter visto o monstro se transformar em um morcego e sair voando após o crime.

 

***

 

Juca se sentou na varanda do seu minúsculo apartamento e pensou sobre o que tinha acabado de ouvir. Um vampiro. Ele gostava da ideia de ser confundido com um monstro e se transformar em uma lenda. Algum dia alguém poderia fazer um filme sobre o vampiro de Curitiba, o verdadeiro, não aquele farsante que ninguém nunca viu, esse que já viram até se transformar em morcego. É, ele realmente gostava da ideia, mas isso não aliviava o sentimento de culpa com o que tinha feito.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7