O caçador de buzinas - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







O caçador de buzinas

Na mesma notícia que falava do vampiro, relataram que a vítima deixou um filho recém-nascido e uma esposa recém-casada. Ele não aguentava pensar naquelas duas pobres criaturas que não tinham nada a ver com aquilo e que ficariam eternamente marcadas por um ato de selvageria cometido pelo vampiro de Curitiba — sim, ele adotou o apelido.

Juca finalmente estava se entregando a mim, ele não sabia, mas desde os treze anos de idade eu vinha esperando por esse momento, vinha o monitorando e o aguardando. Eu vi todos os atos que ele cometeu e todas as falhas que culminaram em desespero e em desamor, todas as desesperanças causadas por desilusões. Todos os sentimentos de amarguras e rancores guardados que ele acumulou nesses anos todos foram monitorados por mim, e tudo culminou nisso, no ato de selvageria em que agora abraçava de vez o seu Shinigami. Sem pensar duas vezes, ele pulou da varanda para as luzes da cidade, tentando, quem sabe, virar um morcego e viver eternamente em sua lenda recém-criada.

 

*Publicado originalmente no livro: “Expresso 666” da Andross Editora

 

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Adam Mattos
O caçador de buzinas

Na mesma notícia que falava do vampiro, relataram que a vítima deixou um filho recém-nascido e uma esposa recém-casada. Ele não aguentava pensar naquelas duas pobres criaturas que não tinham nada a ver com aquilo e que ficariam eternamente marcadas por um ato de selvageria cometido pelo vampiro de Curitiba — sim, ele adotou o apelido.

Juca finalmente estava se entregando a mim, ele não sabia, mas desde os treze anos de idade eu vinha esperando por esse momento, vinha o monitorando e o aguardando. Eu vi todos os atos que ele cometeu e todas as falhas que culminaram em desespero e em desamor, todas as desesperanças causadas por desilusões. Todos os sentimentos de amarguras e rancores guardados que ele acumulou nesses anos todos foram monitorados por mim, e tudo culminou nisso, no ato de selvageria em que agora abraçava de vez o seu Shinigami. Sem pensar duas vezes, ele pulou da varanda para as luzes da cidade, tentando, quem sabe, virar um morcego e viver eternamente em sua lenda recém-criada.

 

*Publicado originalmente no livro: “Expresso 666” da Andross Editora

 

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