O Forasteiro - Adam Mattos
Adam Mattos
Sou advogado, aficcionado por leitura de todos os gêneros, e a minha grande paixão recém descoberta é a escrita.
Já publiquei em algumas antologias de terror e de temas variados, além de ter publicado também em antologias de poesias.
O maldito me fascina, tanto na leitura quanto na escrita, meu objetivo é causar calafrios em quem lê, e em mim mesmo que escrevo.
O feio, subversivo e errante é o mal aglutinador da espécie humana, que merece ser dominado pelo medo. Cuidado, aprecie minhas obras com a mente aberta e o estômago forte.







O Forasteiro

Antenor era um sujeito pacato de 54 anos, morava em uma cidade do interior do Paraná, e gostava das coisas simples da vida, colher frutas do pé e come-las ali mesmo, deitar de costas no gramado do seu quintal e observar as nuvens durante o dia, e as estrelas durante a noite. Era viúvo e aposentado por invalidez, desde que sofrera um acidente na fábrica em que trabalhava e perdeu sua mão esquerda, sua vida era bem normal, apesar da deficiência. Ele dirigia um carro automático, gostava de jardinagem, cuidava de uma bela horta nos fundos da sua casa e esporadicamente frequentava um dos únicos bares da cidade para jogar cacheta e beber cerveja batendo papo com os amigos, fora isso era um homem solitário e gostava disso. Tinha uma empregada que o ajudava nas tarefas de casa, portanto sua rotina era acordar, tomar café, e passar o resto da manhã cuidando do seu jardim e da sua horta; almoçava, e à tarde lia alguns livros ou saía para caminhar pela cidade a esmo, outro dos seus hobbys, à noite era assistir novela, lia mais alguma coisa e dormia cedo.

Certo dia, Antenor estava no mercado, quando um homem que aparentava ter uns 40 e poucos anos, parou o carro do lado dele, era um Corolla, carro incomum para aquela cidade, o que logo chamou a sua atenção, o homem vendo a deficiência de Antenor, prontamente se ofereceu para ajudar a guardar as comprar dele no carro, Antenor não precisava de ajuda, mas ficou intrigado com o forasteiro e resolveu aceitar.

– Bom dia, me chamo Juarez e o senhor?

– Antenor, muito prazer.

Apertaram as mãos

– Você não é daqui né?

– Não, quer dizer, não era, agora sou, acabo de me mudar.

– É mesmo? E veio fazer o que aqui nesse fim de mundo?

– Estava precisando mudar de ares, e aqui é o lugar perfeito pra mim, muita natureza e calmaria; é tudo o que eu preciso, sou escritor.

– Poxa, que legal, eu leio muito.

– Quem sabe logo logo não lê algo que eu escrevi.

– Eu adoraria.

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Adam Mattos
O Forasteiro

Antenor era um sujeito pacato de 54 anos, morava em uma cidade do interior do Paraná, e gostava das coisas simples da vida, colher frutas do pé e come-las ali mesmo, deitar de costas no gramado do seu quintal e observar as nuvens durante o dia, e as estrelas durante a noite. Era viúvo e aposentado por invalidez, desde que sofrera um acidente na fábrica em que trabalhava e perdeu sua mão esquerda, sua vida era bem normal, apesar da deficiência. Ele dirigia um carro automático, gostava de jardinagem, cuidava de uma bela horta nos fundos da sua casa e esporadicamente frequentava um dos únicos bares da cidade para jogar cacheta e beber cerveja batendo papo com os amigos, fora isso era um homem solitário e gostava disso. Tinha uma empregada que o ajudava nas tarefas de casa, portanto sua rotina era acordar, tomar café, e passar o resto da manhã cuidando do seu jardim e da sua horta; almoçava, e à tarde lia alguns livros ou saía para caminhar pela cidade a esmo, outro dos seus hobbys, à noite era assistir novela, lia mais alguma coisa e dormia cedo.

Certo dia, Antenor estava no mercado, quando um homem que aparentava ter uns 40 e poucos anos, parou o carro do lado dele, era um Corolla, carro incomum para aquela cidade, o que logo chamou a sua atenção, o homem vendo a deficiência de Antenor, prontamente se ofereceu para ajudar a guardar as comprar dele no carro, Antenor não precisava de ajuda, mas ficou intrigado com o forasteiro e resolveu aceitar.

– Bom dia, me chamo Juarez e o senhor?

– Antenor, muito prazer.

Apertaram as mãos

– Você não é daqui né?

– Não, quer dizer, não era, agora sou, acabo de me mudar.

– É mesmo? E veio fazer o que aqui nesse fim de mundo?

– Estava precisando mudar de ares, e aqui é o lugar perfeito pra mim, muita natureza e calmaria; é tudo o que eu preciso, sou escritor.

– Poxa, que legal, eu leio muito.

– Quem sabe logo logo não lê algo que eu escrevi.

– Eu adoraria.

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