A Dança da Vampira - Aislan Coulter
Aislan Coulter
Escritor de horror, mistério e ficção-científica. É contra o preconceito linguístico, acredita que a mosca sobrevoou as cabeças dos cangaceiros, que Hitler enganou Stalin e que Nero incendiou Roma. Adepto e defensor do teste de empatia Voight-Kampff Principais influências: Stephen King, Clive Barker, William Hjortsberg, Bram Stocker, Anne Rice, Peter Straub, William Peter Blatty, Jason Dark, Jack Woods, Philip K. Dick, Chuck Palahniuk, Irvine Welsh, Jon Ronson, William Golding, Joseph Conrad…





A Dança da Vampira

A bisteca despedaçou, o suco escuro respingou por toda a mesa. O homem puxou o catarro, que quase saía pelo nariz, a secreção deu um gosto especial ao bife. Mastigou a carne sem tirar os olhos do palco.

A música estava acabando, a prostituta acelerava os passos. O pole dance parecia uma extensão fajuta do seu corpo. Ele envergava em todos os movimentos. Olhando para o grande mastro, a impressão que se tinha era de que aquele chiqueiro estava sustentado por aquela coluna sexual.

Depois de lustrar o indicador com a língua, o violeiro ergueu o dedo sugestivamente. Numa ligação quase telepática, o garoto franzino do outro lado do balcão respondeu com um gesto familiar: mão esquerda embaixo, a palma virada para cima; mão direita em cima, a palma virada para baixo — distância entre as mãos aproximadamente 30 cm: mais uma cerveja!

A música havia acabado, uma fumaça cinzenta cobria o palco. Um homem empunhado de um microfone descascado se posicionou ao centro do tablado. O cafetão suava dentro do terno folgado. Usava uma camisa vermelha — parecia forro de caixão —, uma calça listrada e sapatos cuidadosamente engraxados. O cabelo penteado para trás trazia a testa com entradas acentuadas. Com gestos hipnóticos, anunciou o próximo espetáculo. A atração principal: Leudete.

A dançarina era uma silhueta mal distribuída em meio à fumaça. Um bando de caminhoneiros estava próximo ao palco; o dinheiro amassado se espalhava pelo tablado.

Leudete começou os movimentos. A barriga — marcada por estrias brancas e profundas — saltava por cima da encardida lingerie, lembrando-a do aborto malsucedido. O rebolado sustentava a beleza lunar — a pele era dura com aspecto casca de laranja. As crateras se misturavam com uma tatuagem verde que começava nas costas, repousava sobre o ventre e estendia-se até a nádega esquerda. Uma camada grossa e escura com poros dilatados habitava a virilha.

Talvez a visão projetada não fosse essa. O segurança trabalhava duro para conter o público que ameaçava invadir o palco.

O violeiro parecia hipnotizado por aquela figura que mais parecia um balão sanfona em final de quermesse. Ele se aproximou do palco e esperou a stripper notar sua presença. Ela se dirigiu até o forasteiro, inclinou o traseiro e sacudiu para valer. Envergonhado, ele prendeu parte do cachê na calcinha de Leudete.

Páginas: 1 2 3

Aislan Coulter
A Dança da Vampira

A bisteca despedaçou, o suco escuro respingou por toda a mesa. O homem puxou o catarro, que quase saía pelo nariz, a secreção deu um gosto especial ao bife. Mastigou a carne sem tirar os olhos do palco.

A música estava acabando, a prostituta acelerava os passos. O pole dance parecia uma extensão fajuta do seu corpo. Ele envergava em todos os movimentos. Olhando para o grande mastro, a impressão que se tinha era de que aquele chiqueiro estava sustentado por aquela coluna sexual.

Depois de lustrar o indicador com a língua, o violeiro ergueu o dedo sugestivamente. Numa ligação quase telepática, o garoto franzino do outro lado do balcão respondeu com um gesto familiar: mão esquerda embaixo, a palma virada para cima; mão direita em cima, a palma virada para baixo — distância entre as mãos aproximadamente 30 cm: mais uma cerveja!

A música havia acabado, uma fumaça cinzenta cobria o palco. Um homem empunhado de um microfone descascado se posicionou ao centro do tablado. O cafetão suava dentro do terno folgado. Usava uma camisa vermelha — parecia forro de caixão —, uma calça listrada e sapatos cuidadosamente engraxados. O cabelo penteado para trás trazia a testa com entradas acentuadas. Com gestos hipnóticos, anunciou o próximo espetáculo. A atração principal: Leudete.

A dançarina era uma silhueta mal distribuída em meio à fumaça. Um bando de caminhoneiros estava próximo ao palco; o dinheiro amassado se espalhava pelo tablado.

Leudete começou os movimentos. A barriga — marcada por estrias brancas e profundas — saltava por cima da encardida lingerie, lembrando-a do aborto malsucedido. O rebolado sustentava a beleza lunar — a pele era dura com aspecto casca de laranja. As crateras se misturavam com uma tatuagem verde que começava nas costas, repousava sobre o ventre e estendia-se até a nádega esquerda. Uma camada grossa e escura com poros dilatados habitava a virilha.

Talvez a visão projetada não fosse essa. O segurança trabalhava duro para conter o público que ameaçava invadir o palco.

O violeiro parecia hipnotizado por aquela figura que mais parecia um balão sanfona em final de quermesse. Ele se aproximou do palco e esperou a stripper notar sua presença. Ela se dirigiu até o forasteiro, inclinou o traseiro e sacudiu para valer. Envergonhado, ele prendeu parte do cachê na calcinha de Leudete.

Páginas: 1 2 3