Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Aislan Coulter
Escritor de horror, mistério e ficção-científica. É contra o preconceito linguístico, acredita que a mosca sobrevoou as cabeças dos cangaceiros, que Hitler enganou Stalin e que Nero incendiou Roma. Adepto e defensor do teste de empatia Voight-Kampff Principais influências: Stephen King, Clive Barker, William Hjortsberg, Bram Stocker, Anne Rice, Peter Straub, William Peter Blatty, Jason Dark, Jack Woods, Philip K. Dick, Chuck Palahniuk, Irvine Welsh, Jon Ronson, William Golding, Joseph Conrad…





Devaneias

Maleitas Frias. É assim que chamam essas noites. Sem muitas estrelas, carregadas de nuvens e com a lua ―gorando mau-olhado‖. O vento sopra forte nas Maleitas Frias. Ele ecoa da promíscua Rizolut até o cume da rocha. Carrega incêndio, morte e perversidade. São apenas doze dias — os doze últimos da Quaresma.
No penúltimo dia é a hora das Devaneias. Seios grandes, bumbum arredondado, pernas torneadas; percentual baixo de gordura. Clitóris avantajado — roxo forte. Com esse corpo escultural, falta beleza à face: rosto cadavérico — chimpanzé seco.
Na Etiópia, elas recebiam outro nome: Javaias. Na Tailândia se chamavam ThiaTiu-Zu. O livro dos mortos egípcio registra Nose Sah. Eram adoradas na Mesopotâmia e temidas ao leste do Nilo.
Elas têm acompanhado o cangaço até o presente momento, e eles não sabem disso e nunca será revelado. O que está em questão é a alimentação. Elas se alimentam de excremento humano.
Os cangaceiros, geralmente, diante da rotina sangrenta, comem rápido — o que dificulta a digestão. O alimento leva cerca de nove horas para transitar no organismo e chegar como uma massa uniforme ao intestino grosso, onde permanece por cerca de dois a três dias. Nesse período parte da água — dez a doze litros — e sais é absorvida, para que na região final do cólon a massa fecal se solidifique. O aspecto castanho-pardo, pastoso, com grãos separados; o feijão e o milho destacado — parecem até que passaram direto sem o toque das mandíbulas — são o prato principal das diabas.
Teve um cabra doido, sujeito maluco. Ventania! Essa era sua graça. Ventania foi homem de palavra, amuleto da sorte do cangaço. Ele tinha sua Devaneia. Mantinha a fada sempre excitada, fazia dela seu depósito de espermas. Uma noite, após uma peleja, saiu da mata e notou que a fada sobrevoava as proximidades. Fingiu dormir e pegou a maldita se lambuzando. Aquilo revirou o estômago do cangaceiro. Enraivecido, atirou. A cabeça da ninfa despedaçou.
Amedrontado, foi ter com Lampião.

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Aislan Coulter
Devaneias

Maleitas Frias. É assim que chamam essas noites. Sem muitas estrelas, carregadas de nuvens e com a lua ―gorando mau-olhado‖. O vento sopra forte nas Maleitas Frias. Ele ecoa da promíscua Rizolut até o cume da rocha. Carrega incêndio, morte e perversidade. São apenas doze dias — os doze últimos da Quaresma.
No penúltimo dia é a hora das Devaneias. Seios grandes, bumbum arredondado, pernas torneadas; percentual baixo de gordura. Clitóris avantajado — roxo forte. Com esse corpo escultural, falta beleza à face: rosto cadavérico — chimpanzé seco.
Na Etiópia, elas recebiam outro nome: Javaias. Na Tailândia se chamavam ThiaTiu-Zu. O livro dos mortos egípcio registra Nose Sah. Eram adoradas na Mesopotâmia e temidas ao leste do Nilo.
Elas têm acompanhado o cangaço até o presente momento, e eles não sabem disso e nunca será revelado. O que está em questão é a alimentação. Elas se alimentam de excremento humano.
Os cangaceiros, geralmente, diante da rotina sangrenta, comem rápido — o que dificulta a digestão. O alimento leva cerca de nove horas para transitar no organismo e chegar como uma massa uniforme ao intestino grosso, onde permanece por cerca de dois a três dias. Nesse período parte da água — dez a doze litros — e sais é absorvida, para que na região final do cólon a massa fecal se solidifique. O aspecto castanho-pardo, pastoso, com grãos separados; o feijão e o milho destacado — parecem até que passaram direto sem o toque das mandíbulas — são o prato principal das diabas.
Teve um cabra doido, sujeito maluco. Ventania! Essa era sua graça. Ventania foi homem de palavra, amuleto da sorte do cangaço. Ele tinha sua Devaneia. Mantinha a fada sempre excitada, fazia dela seu depósito de espermas. Uma noite, após uma peleja, saiu da mata e notou que a fada sobrevoava as proximidades. Fingiu dormir e pegou a maldita se lambuzando. Aquilo revirou o estômago do cangaceiro. Enraivecido, atirou. A cabeça da ninfa despedaçou.
Amedrontado, foi ter com Lampião.

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