S - Aislan Coulter
Aislan Coulter
Escritor de horror, mistério e ficção-científica. É contra o preconceito linguístico, acredita que a mosca sobrevoou as cabeças dos cangaceiros, que Hitler enganou Stalin e que Nero incendiou Roma. Adepto e defensor do teste de empatia Voight-Kampff Principais influências: Stephen King, Clive Barker, William Hjortsberg, Bram Stocker, Anne Rice, Peter Straub, William Peter Blatty, Jason Dark, Jack Woods, Philip K. Dick, Chuck Palahniuk, Irvine Welsh, Jon Ronson, William Golding, Joseph Conrad…





S

— O crânio está arrebentado na parte de trás e fica vazando. Vaza sangue e um pouco de massa cefálica.

— Porra! — Ele é um zumbi negro com uma pisada forte. Quando ele pula, balança tudo.

— O que mais?

— Parece que tem aquela doença de pele que dá, geralmente, em pessoas de cor,  saca?

— Não. Como é?

— A pele do rosto fica esbranquiçada…

— Acho que já vi uns malucos com isso aí, mas, tipo, lá na África.

— Você já foi pra África, Mané?

— Não, né, seu porra. Vi na TV.

— Hum.

— Mas continua aí. Como ele é?

— O rosto dele é todo cortado e os olhos parecem olhos de inseto.

— O aleijado é feio pra encrenca, hein?

— Se é! A língua é grande e grossa, repartida igual à de um réptil, e trépida.

— E o lance de prender o Pererê?

— Esse papo de jogar uma rede num rodamoinho e depois colocar o Pererê numa garrafa é furado.

— Sempre pensei que fosse conversa fiada.

— E é!

— E ele enrola a crina dos cavalos?

— Ele não trança, não. Ele come a carne da nuca dos cavalos.

— Hummm… Pesada… Me ajude aqui. Isso… segure os pés… Você se importa se eu for primeiro?

— Me importo, sim, Mané. Vamos tirar a sorte. Par ou ímpar!

— Par!

— Ímpar!

— Hahaaaa, ganhei!!!

— Droga.

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— O crânio está arrebentado na parte de trás e fica vazando. Vaza sangue e um pouco de massa cefálica.

— Porra! — Ele é um zumbi negro com uma pisada forte. Quando ele pula, balança tudo.

— O que mais?

— Parece que tem aquela doença de pele que dá, geralmente, em pessoas de cor,  saca?

— Não. Como é?

— A pele do rosto fica esbranquiçada…

— Acho que já vi uns malucos com isso aí, mas, tipo, lá na África.

— Você já foi pra África, Mané?

— Não, né, seu porra. Vi na TV.

— Hum.

— Mas continua aí. Como ele é?

— O rosto dele é todo cortado e os olhos parecem olhos de inseto.

— O aleijado é feio pra encrenca, hein?

— Se é! A língua é grande e grossa, repartida igual à de um réptil, e trépida.

— E o lance de prender o Pererê?

— Esse papo de jogar uma rede num rodamoinho e depois colocar o Pererê numa garrafa é furado.

— Sempre pensei que fosse conversa fiada.

— E é!

— E ele enrola a crina dos cavalos?

— Ele não trança, não. Ele come a carne da nuca dos cavalos.

— Hummm… Pesada… Me ajude aqui. Isso… segure os pés… Você se importa se eu for primeiro?

— Me importo, sim, Mané. Vamos tirar a sorte. Par ou ímpar!

— Par!

— Ímpar!

— Hahaaaa, ganhei!!!

— Droga.

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