A gota - Alan Cassol
Alan Cassol
Contemporâneo de McQuade, o Lobo solitário, nasci para dar voadora nos dogmas do pensamento binário.
Escrevo para não afugentar os fantasmas incríveis que sobrevoam e espantam as ruínas de uma lasca da minha mente que ainda é adubada com farelinhos de vergonha na cara.
Viajei durante anos nos vagões empoeirados dos beatniks, cortei lenha com Tolstói e Dostoiévski, bebi pinga com Cervantes, fui chofer do Henry Miller, fiz cócegas nos pés da Brontë, e batizei a água do Kafka.
Hoje observo o movimento e saio por aí com um cesto de palha cheio de medalhas para condecorar os responsavéis pelas minhas inspirações.





A gota

Na mesma noite, na cela D, João, mais conhecido como O Chaveiro da Morte, estava passando por problemas intestinais. O infeliz não desgrudava seu traseiro grande e branco da privada.

Nos tempos de liberdade, o chaveiro Joa, como era chamado por seus colegas de trabalho, se vangloriava por ter invadido 47 residências e assassinar mais de 30 pessoas. João foi apanhado quando tentava invadir a casa do próprio chefe. Depois de imobilizá-lo com uma barra de ferro na cabeça, o patrão obrigou João a engolir mais de 50 chaves antes de chamar a polícia. Resultado: A lesão causada por meia centena de chaves de metal embrulhadas nas tripas, fez com que o rabo de João se tornasse um verdadeiro tanque de guerra desgovernado.

João percebeu um líquido gelado entrar pelo cu e se alojar no intestino grosso e delgado. Ele deu um salto para frente e se levantou com extrema rapidez com a ajuda dos braços. Uma dor aguda tomou conta da barriga de João, fazendo com que ele escorasse o corpo na parede. Quando finalmente reuniu forças para gritar por ajuda, sentiu o impacto das tripas explodindo e, na sequência, uma bola do tamanho de uma melancia grande se apresentou dentro da barriga. João caiu de joelhos e se apoiou com as mãos no chão. Por onde o líquido gelado entrou, a bola começou a sair. O rabo de João começou a rasgar, um rombo até o Cóccix, outro partindo ao meio o saco escrotal. Uma grande bolsa de sangue emergiu do ânus arrombado do Chaveiro da Morte e se espatifou no chão. Pedaços de tripas, fígado, rins, estômago e fezes se misturaram com o sangue pútrido no chão. Os olhos de João estavam esbugalhados com a pior dor que um homem já sentiu.

Marcelo gritava e chorava enquanto tampava o nariz. Álvaro tremia as mãos tentando abrir a cela do mais novo defunto do corredor prisional.

Uma grande quantidade de pessoas estava fazendo os serviços que são feitos após uma morte não natural. Marcelo observava atentamente a movimentação.

− Pergunta pra ele – Álvaro apontou o dedo na direção da cela de Marcelo. – Os dois viviam de conversa.

Um investigador se aproximou de Marcelo e perguntou se ele tinha alguma ideia do que aconteceu na cela D.

− Não tenho a mínima noção, detetive de bosta. – Marcelo sorriu ironicamente.

− Deixem este preso de bosta pra lá, ele não sabe de nada. – disse o “detetive de bosta”.

− Eu sei de algo – todos se voltaram para Marcelo – Amanhã serão as minhas tripas que vocês vão guardar em um saco preto – Marcelo sorriu alucinadamente.

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Alan Cassol
A gota

Na mesma noite, na cela D, João, mais conhecido como O Chaveiro da Morte, estava passando por problemas intestinais. O infeliz não desgrudava seu traseiro grande e branco da privada.

Nos tempos de liberdade, o chaveiro Joa, como era chamado por seus colegas de trabalho, se vangloriava por ter invadido 47 residências e assassinar mais de 30 pessoas. João foi apanhado quando tentava invadir a casa do próprio chefe. Depois de imobilizá-lo com uma barra de ferro na cabeça, o patrão obrigou João a engolir mais de 50 chaves antes de chamar a polícia. Resultado: A lesão causada por meia centena de chaves de metal embrulhadas nas tripas, fez com que o rabo de João se tornasse um verdadeiro tanque de guerra desgovernado.

João percebeu um líquido gelado entrar pelo cu e se alojar no intestino grosso e delgado. Ele deu um salto para frente e se levantou com extrema rapidez com a ajuda dos braços. Uma dor aguda tomou conta da barriga de João, fazendo com que ele escorasse o corpo na parede. Quando finalmente reuniu forças para gritar por ajuda, sentiu o impacto das tripas explodindo e, na sequência, uma bola do tamanho de uma melancia grande se apresentou dentro da barriga. João caiu de joelhos e se apoiou com as mãos no chão. Por onde o líquido gelado entrou, a bola começou a sair. O rabo de João começou a rasgar, um rombo até o Cóccix, outro partindo ao meio o saco escrotal. Uma grande bolsa de sangue emergiu do ânus arrombado do Chaveiro da Morte e se espatifou no chão. Pedaços de tripas, fígado, rins, estômago e fezes se misturaram com o sangue pútrido no chão. Os olhos de João estavam esbugalhados com a pior dor que um homem já sentiu.

Marcelo gritava e chorava enquanto tampava o nariz. Álvaro tremia as mãos tentando abrir a cela do mais novo defunto do corredor prisional.

Uma grande quantidade de pessoas estava fazendo os serviços que são feitos após uma morte não natural. Marcelo observava atentamente a movimentação.

− Pergunta pra ele – Álvaro apontou o dedo na direção da cela de Marcelo. – Os dois viviam de conversa.

Um investigador se aproximou de Marcelo e perguntou se ele tinha alguma ideia do que aconteceu na cela D.

− Não tenho a mínima noção, detetive de bosta. – Marcelo sorriu ironicamente.

− Deixem este preso de bosta pra lá, ele não sabe de nada. – disse o “detetive de bosta”.

− Eu sei de algo – todos se voltaram para Marcelo – Amanhã serão as minhas tripas que vocês vão guardar em um saco preto – Marcelo sorriu alucinadamente.

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