A gota - Alan Cassol
Alan Cassol
Contemporâneo de McQuade, o Lobo solitário, nasci para dar voadora nos dogmas do pensamento binário.
Escrevo para não afugentar os fantasmas incríveis que sobrevoam e espantam as ruínas de uma lasca da minha mente que ainda é adubada com farelinhos de vergonha na cara.
Viajei durante anos nos vagões empoeirados dos beatniks, cortei lenha com Tolstói e Dostoiévski, bebi pinga com Cervantes, fui chofer do Henry Miller, fiz cócegas nos pés da Brontë, e batizei a água do Kafka.
Hoje observo o movimento e saio por aí com um cesto de palha cheio de medalhas para condecorar os responsavéis pelas minhas inspirações.





A gota

Os investigadores pediram a transferência de Marcelo o quanto antes por motivo de segurança até que a investigação fosse concluída. Marcelo era o único preso remanescente no local.

Álvaro chegou em seu apartamento quase ao meio-dia, sentou-se no sofá e abriu uma garrafa de cerveja. Um pensamento visitou a sua mente: “será que pode ter algo a ver com aquele p…, não, não posso estar pensando tamanha loucura”. Dez minutos depois, Álvaro já estava roncando no sofá. A garrafa de cerveja ficou metade cheia.

A mancha de sangue que ficou impregnada na jaqueta de Álvaro quando ele encostou no corpo de João começou a tomar conta de todas as vestimentas dele. Álvaro acordou com a sensação de estar sendo esmagado por uma prensa hidráulica. As roupas ensanguentadas começaram a pressionar o corpo até o carcereiro ter o privilégio de sentir todos os seus ossos se esmigalhando até virar centenas de pequenos punhais dentro do corpo. O carcereiro de 51 anos estava morto.

Ao perceberem a falta de Álvaro no trabalho à noite, o guarda Alex foi chamado às pressas para cobrir o turno.
Marcelo estava deitado no chão, ele não pregava o olho há duas noites. Por volta das 3h da madrugada, “ela” começou a saltitar dentro do cérebro de Marcelo. Parecia que algo estava dançando dentro da cabeça do infeliz prisioneiro. Ele acordou no mesmo instante e começou a coçar desesperadamente a cabeça. Chegou até a batê-la contra a parede. Uma coceira “incoçável” deve ser uma das piores sensações humanas.

Marcelo foi chamado para pegar um pouco de sol por volta das 14h. Lá, ele recebeu o aviso de que seria transferido na manhã seguinte. “Tanto faz. Amanhã,a minha cela será uma eterna sala escura”.

Marcelo se encontrava de pé, com as mãos nas grades e olhando para a parede do corredor. Uma súbita falta de energia fez o corredor ficar na mais completa escuridão ao mesmo tempo em que a cela de Marcelo se abriu. Ele saiu desconfiado e se dirigiu até a porta da entrada principal. Ao abrir a porta, ele se deparou com o guarda Alex caído ao lado de uma enorme poça de sangue. O sangue formou algo parecido com uma serpente e foi de encontro a Marcelo. Depois de ter dado 6 passos para trás, ele parou. A serpente de sangue subiu pela parede do corredor e chegou até o teto, fazendo com que as luzes começassem a piscar até voltar ao estado de iluminação normal. O sangue se fixou em formato de um círculo de 2 metros de diâmetro no teto. Por mais que Marcelo não quisesse acreditar no que estava vendo, o círculo começou a descer como uma gosma e, aos poucos, uma enorme cruz de sangue foi se formando ao encontro da cabeça de Marcelo. Com extrema violência, ela cravou-se no meio do crânio e rasgou o corpo de Marcelo ao meio.

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Alan Cassol
A gota

Os investigadores pediram a transferência de Marcelo o quanto antes por motivo de segurança até que a investigação fosse concluída. Marcelo era o único preso remanescente no local.

Álvaro chegou em seu apartamento quase ao meio-dia, sentou-se no sofá e abriu uma garrafa de cerveja. Um pensamento visitou a sua mente: “será que pode ter algo a ver com aquele p…, não, não posso estar pensando tamanha loucura”. Dez minutos depois, Álvaro já estava roncando no sofá. A garrafa de cerveja ficou metade cheia.

A mancha de sangue que ficou impregnada na jaqueta de Álvaro quando ele encostou no corpo de João começou a tomar conta de todas as vestimentas dele. Álvaro acordou com a sensação de estar sendo esmagado por uma prensa hidráulica. As roupas ensanguentadas começaram a pressionar o corpo até o carcereiro ter o privilégio de sentir todos os seus ossos se esmigalhando até virar centenas de pequenos punhais dentro do corpo. O carcereiro de 51 anos estava morto.

Ao perceberem a falta de Álvaro no trabalho à noite, o guarda Alex foi chamado às pressas para cobrir o turno.
Marcelo estava deitado no chão, ele não pregava o olho há duas noites. Por volta das 3h da madrugada, “ela” começou a saltitar dentro do cérebro de Marcelo. Parecia que algo estava dançando dentro da cabeça do infeliz prisioneiro. Ele acordou no mesmo instante e começou a coçar desesperadamente a cabeça. Chegou até a batê-la contra a parede. Uma coceira “incoçável” deve ser uma das piores sensações humanas.

Marcelo foi chamado para pegar um pouco de sol por volta das 14h. Lá, ele recebeu o aviso de que seria transferido na manhã seguinte. “Tanto faz. Amanhã,a minha cela será uma eterna sala escura”.

Marcelo se encontrava de pé, com as mãos nas grades e olhando para a parede do corredor. Uma súbita falta de energia fez o corredor ficar na mais completa escuridão ao mesmo tempo em que a cela de Marcelo se abriu. Ele saiu desconfiado e se dirigiu até a porta da entrada principal. Ao abrir a porta, ele se deparou com o guarda Alex caído ao lado de uma enorme poça de sangue. O sangue formou algo parecido com uma serpente e foi de encontro a Marcelo. Depois de ter dado 6 passos para trás, ele parou. A serpente de sangue subiu pela parede do corredor e chegou até o teto, fazendo com que as luzes começassem a piscar até voltar ao estado de iluminação normal. O sangue se fixou em formato de um círculo de 2 metros de diâmetro no teto. Por mais que Marcelo não quisesse acreditar no que estava vendo, o círculo começou a descer como uma gosma e, aos poucos, uma enorme cruz de sangue foi se formando ao encontro da cabeça de Marcelo. Com extrema violência, ela cravou-se no meio do crânio e rasgou o corpo de Marcelo ao meio.

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