Desbotado - Alan Cassol
Alan Cassol
Contemporâneo de McQuade, o Lobo solitário, nasci para dar voadora nos dogmas do pensamento binário.
Escrevo para não afugentar os fantasmas incríveis que sobrevoam e espantam as ruínas de uma lasca da minha mente que ainda é adubada com farelinhos de vergonha na cara.
Viajei durante anos nos vagões empoeirados dos beatniks, cortei lenha com Tolstói e Dostoiévski, bebi pinga com Cervantes, fui chofer do Henry Miller, fiz cócegas nos pés da Brontë, e batizei a água do Kafka.
Hoje observo o movimento e saio por aí com um cesto de palha cheio de medalhas para condecorar os responsavéis pelas minhas inspirações.





Desbotado

Caminha, grande ser desbotado
Seja o tétano dos alegres
Mergulha na poça de lama
E coma as pedras da mentira colorida
Devolva os pensamentos otimistas
A quem não sabe o que fazer com eles

Sinta a queimada da soga
No lombo rachado, na falha
Onde pisam os parasitas semianárquicos
Que são sofômanos da boa vontade
E a forma de paralisá-los momentaneamente
É no flagelo com correntes putrefatas

Quem ficou cravado no chão
Para ver o movimento da cólera serpenteando?
A dor do aço, sangra e ferve nas mãos calejadas
Depois da grande noite de mordidas e dentes quebrados
A Calma avisa, por carta, que não voltará
“Não volto para o açoite do imediatismo sínico”
E a Calma agora é um deus

Caminha, grande ser desbotado
A vida dá voltas na corda
Já sentiu vontade de arrancar a pele?
É claro que não, porque não há mais nada para sair
A magia do espelho avisa que não há cara
De pé no chão corre mais o fio da faca
Como a vida foge lambendo os beiços, arreganhada

Alan Cassol
Desbotado

Caminha, grande ser desbotado
Seja o tétano dos alegres
Mergulha na poça de lama
E coma as pedras da mentira colorida
Devolva os pensamentos otimistas
A quem não sabe o que fazer com eles

Sinta a queimada da soga
No lombo rachado, na falha
Onde pisam os parasitas semianárquicos
Que são sofômanos da boa vontade
E a forma de paralisá-los momentaneamente
É no flagelo com correntes putrefatas

Quem ficou cravado no chão
Para ver o movimento da cólera serpenteando?
A dor do aço, sangra e ferve nas mãos calejadas
Depois da grande noite de mordidas e dentes quebrados
A Calma avisa, por carta, que não voltará
“Não volto para o açoite do imediatismo sínico”
E a Calma agora é um deus

Caminha, grande ser desbotado
A vida dá voltas na corda
Já sentiu vontade de arrancar a pele?
É claro que não, porque não há mais nada para sair
A magia do espelho avisa que não há cara
De pé no chão corre mais o fio da faca
Como a vida foge lambendo os beiços, arreganhada