No meio da noite - Allan Fear
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





No meio da noite

Ela sentiu comichões na cabeça e um suor frio escorrer por seu pescoço. Mas ela tentou ignorar, queria voltar a dormir, estava ainda com muito sono.

3:22 marcava o rádio relógio sobre o raque do outro lado do quarto. Ela abriu os olhos, enxergando apenas os números vermelhos-brilhantes do relógio, o resto era apenas trevas e nada mais.

Estava frio; ela puxou a coberta até o pescoço para se aquecer, fechou os olhos e tentou deixar o sono a envolver, mas aquele incômodo na cabeça, como se dezenas de insetos estivessem fazendo uma ciranda em seu cabelo a incomodou.

Ela levou a mão e coçou, mas sufocou um grito de nojo e pavor quando sentiu seus dedos tocando algo mole, pegajoso e úmido. Ela arrancou um pedaço daquilo e aproximou-o de seu nariz. O cheiro nojento fez seu estômago embrulhar.

Ela tateou a outra mão até encontrar e puxar a cordinha do abajur, mas quando a lâmpada não acendeu, lembrou-se de que tinha queimado e ela ainda não havia trocado.

Ela precisava ver o que estava acontecendo em sua cabeça, puxou a coberta para um lado, sentindo o ar frio gelar até seus ossos e saiu da cama.

Ela sentiu o corpo oscilar na escuridão e lembrou-se dos drinks que tomara mais cedo. Ela havia exagerado.

Ela cambaleou até o banheiro, praticamente se equilibrando na parede do corredor além da porta do quarto. Lá fora uma coruja piava sua canção fúnebre.

Ela adentrou o banheiro, clicou no interruptor e foi inundada pela pálida luz branca que a fez piscar várias vezes antes de encarar seu reflexo no vidro do espelho trincado.

Sua boca escancarou diante da visão macabra. O horror se apossou dela.

Sua face estava vermelha, coberta de sangue e de sua cabeça, pedaços de cérebro caíam como grandes pedaços de caspa.

Como aquilo havia ocorrido? Como ela poderia estar viva com seu cérebro pulando pra fora da cabeça feito macarrão miojo em água fervendo?

Seu cabelo preto estava ensopado de sangue espesso, meio coagulado. Ela tocou o topo da cabeça, não sentia dor, apenas aquela comichão desagradável.

Mais pedaços de cérebro caíram, saltitando na pia. Num ato de desespero ela começou a tirar mais e mais e lavou o rosto com água fria.

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Allan Fear
No meio da noite

Ela sentiu comichões na cabeça e um suor frio escorrer por seu pescoço. Mas ela tentou ignorar, queria voltar a dormir, estava ainda com muito sono.

3:22 marcava o rádio relógio sobre o raque do outro lado do quarto. Ela abriu os olhos, enxergando apenas os números vermelhos-brilhantes do relógio, o resto era apenas trevas e nada mais.

Estava frio; ela puxou a coberta até o pescoço para se aquecer, fechou os olhos e tentou deixar o sono a envolver, mas aquele incômodo na cabeça, como se dezenas de insetos estivessem fazendo uma ciranda em seu cabelo a incomodou.

Ela levou a mão e coçou, mas sufocou um grito de nojo e pavor quando sentiu seus dedos tocando algo mole, pegajoso e úmido. Ela arrancou um pedaço daquilo e aproximou-o de seu nariz. O cheiro nojento fez seu estômago embrulhar.

Ela tateou a outra mão até encontrar e puxar a cordinha do abajur, mas quando a lâmpada não acendeu, lembrou-se de que tinha queimado e ela ainda não havia trocado.

Ela precisava ver o que estava acontecendo em sua cabeça, puxou a coberta para um lado, sentindo o ar frio gelar até seus ossos e saiu da cama.

Ela sentiu o corpo oscilar na escuridão e lembrou-se dos drinks que tomara mais cedo. Ela havia exagerado.

Ela cambaleou até o banheiro, praticamente se equilibrando na parede do corredor além da porta do quarto. Lá fora uma coruja piava sua canção fúnebre.

Ela adentrou o banheiro, clicou no interruptor e foi inundada pela pálida luz branca que a fez piscar várias vezes antes de encarar seu reflexo no vidro do espelho trincado.

Sua boca escancarou diante da visão macabra. O horror se apossou dela.

Sua face estava vermelha, coberta de sangue e de sua cabeça, pedaços de cérebro caíam como grandes pedaços de caspa.

Como aquilo havia ocorrido? Como ela poderia estar viva com seu cérebro pulando pra fora da cabeça feito macarrão miojo em água fervendo?

Seu cabelo preto estava ensopado de sangue espesso, meio coagulado. Ela tocou o topo da cabeça, não sentia dor, apenas aquela comichão desagradável.

Mais pedaços de cérebro caíram, saltitando na pia. Num ato de desespero ela começou a tirar mais e mais e lavou o rosto com água fria.

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