O caso do zumbi paulista - Allan Fear
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





O caso do zumbi paulista

Era um dia quente de verão, acordei cedo, tomei uma ducha e engoli um café quente e forte. Isso sempre anima meu dia. Sentia falta da minha velha, minha pobre esposa, que Deus a tenha.

Meu nome é Clovis Ernesto, já estou na casa dos 65 e o que vou contar é algo bem estranho que me aconteceu há exatos 3 dias.
Passei um pente para dar um jeito nos fios de cabelo brancos que circulavam minha careca e ganhei a rua. Era dia de vacinação para idosos ou, pé na cova, como Harold, um amigo já na casa dos 71, costumava dizer. Eu odeio filas, por isso me levantei bem cedinho e fui para o centro médico.

Eu residia em uma cidade do interior Paulista chamada Ariranha, que tinha quase uns 10 mil habitantes. Quando era mais jovem, eu vivia nas grandes cidades, e olha onde vim parar.

Foram uns 5 minutos de caminhada até o centro médico. Cheguei e aguardei abrirem os portões. Uma pequena fila se formou atrás de mim, formada, em sua maioria, por lavadeiras que falavam como maritacas e que adoravam dizer como a vida estava uma merda, como os maridos as tratavam mal. A velha ladainha da porra. Eu só bufava qualquer coisa e elas achavam que eu estava dando a mínima para a merda de suas vidas.

Por fim, um jovem segurança abriu os portões e eu adentrei o centro médico. Fui o primeiro a ser atendido. Entrei numa sala pequena e a enfermeira, gorda como uma porca, terminou de ingerir seu café da manhã, um grande pão de sal com linguiça e um copo de suco de laranja. Ela sorriu para mim exibindo seus dentes amarelos. A pele era clara e o nariz pontudo sempre me lembrava uma grande ratazana gorda. É, eu sei, sou um tanto quanto rabugento, mas depois de certa idade a vida fode mesmo com você, e eu andava sempre irritado depois que a minha esposa morreu há uns 2 anos.

A enfermeira, que usava um jaleco meio encardido, abriu o lote de vacinas tirou uma ampola, espetou uma agulha e absorveu o líquido amarelado, muito parecido com urina.

– Não vai doer nadinha, Sr. Clovis. – Garantiu ela, achando que eu fosse a porra de um moleque. – É como uma…

– Aplica essa merda logo. – Bufei carrancudo; – Já tomei tanta injeção que nem sinto mais nada, também pudera, a pele do meu braço tá igual a do meu saco.

Ela murmurou algo e aplicou a vacina no meu braço. Não senti a picada, não senti nada.

Mas quando me levantava para ir embora, todo o meu corpo começou a se debater em uma convulsão intensa, eu não conseguia me controlar, babava e me debatia compulsivamente até que, por fim, estatelei no chão e tudo ficou escuro como breu.

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Allan Fear
O caso do zumbi paulista

Era um dia quente de verão, acordei cedo, tomei uma ducha e engoli um café quente e forte. Isso sempre anima meu dia. Sentia falta da minha velha, minha pobre esposa, que Deus a tenha.

Meu nome é Clovis Ernesto, já estou na casa dos 65 e o que vou contar é algo bem estranho que me aconteceu há exatos 3 dias.
Passei um pente para dar um jeito nos fios de cabelo brancos que circulavam minha careca e ganhei a rua. Era dia de vacinação para idosos ou, pé na cova, como Harold, um amigo já na casa dos 71, costumava dizer. Eu odeio filas, por isso me levantei bem cedinho e fui para o centro médico.

Eu residia em uma cidade do interior Paulista chamada Ariranha, que tinha quase uns 10 mil habitantes. Quando era mais jovem, eu vivia nas grandes cidades, e olha onde vim parar.

Foram uns 5 minutos de caminhada até o centro médico. Cheguei e aguardei abrirem os portões. Uma pequena fila se formou atrás de mim, formada, em sua maioria, por lavadeiras que falavam como maritacas e que adoravam dizer como a vida estava uma merda, como os maridos as tratavam mal. A velha ladainha da porra. Eu só bufava qualquer coisa e elas achavam que eu estava dando a mínima para a merda de suas vidas.

Por fim, um jovem segurança abriu os portões e eu adentrei o centro médico. Fui o primeiro a ser atendido. Entrei numa sala pequena e a enfermeira, gorda como uma porca, terminou de ingerir seu café da manhã, um grande pão de sal com linguiça e um copo de suco de laranja. Ela sorriu para mim exibindo seus dentes amarelos. A pele era clara e o nariz pontudo sempre me lembrava uma grande ratazana gorda. É, eu sei, sou um tanto quanto rabugento, mas depois de certa idade a vida fode mesmo com você, e eu andava sempre irritado depois que a minha esposa morreu há uns 2 anos.

A enfermeira, que usava um jaleco meio encardido, abriu o lote de vacinas tirou uma ampola, espetou uma agulha e absorveu o líquido amarelado, muito parecido com urina.

– Não vai doer nadinha, Sr. Clovis. – Garantiu ela, achando que eu fosse a porra de um moleque. – É como uma…

– Aplica essa merda logo. – Bufei carrancudo; – Já tomei tanta injeção que nem sinto mais nada, também pudera, a pele do meu braço tá igual a do meu saco.

Ela murmurou algo e aplicou a vacina no meu braço. Não senti a picada, não senti nada.

Mas quando me levantava para ir embora, todo o meu corpo começou a se debater em uma convulsão intensa, eu não conseguia me controlar, babava e me debatia compulsivamente até que, por fim, estatelei no chão e tudo ficou escuro como breu.

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