Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





O caso do zumbi paulista

Mas, se eu era mesmo um morto-vivo eu precisava comer carne humana certo? Não era isso que os errantes comiam nos filmes? Se dizem que comem, então deve haver algum fundamento.

Pode parecer bizarro, acordar em seu próprio funeral e descobrir que você não está morto, mas também não está vivo, e que de alguma forma consegue falar, andar e sente uma fome do cão. Na verdade, a fome meio que estava me dominando, mesmo que eu tentasse pensar em outras coisas, tudo que importava era me alimentar e matar aquela fome angustiante e feroz que parecia estar me corroendo por dentro.

A campainha tocou. Eu corri para a porta do meu barraco e escancarei-a. E lá estava o meu velho conhecido, o Doutor Rubens, o médico da cidade.

Assustado, me olhando incrédulo ele adentrou o aposento. Fechei a porta atrás dele.

– Você foi diagnosticado morto há 3 dias, meu caro Clovis – Começou o Doutor, coçando o queixo de barba rala enquanto me encarava fascinado. Era um homem já na casa dos 60. Baixinho, gorducho e de pele rosada, como um leitão. – O lote da vacina veio com problemas e isso foi a motivo de sua morte, causando uma alta dosagem de adrenalina no seu sangue e posteriormente uma parada cardíaca. Mas aqui estava você, vivo! Isso é um milagre, mas precisamos ir para o centro médico agora fazer uns exames e…

Eu não deixei ele terminar. Sua cara redonda, me fitando excitado pelo fascínio do milagre de minha volta, me deixou com fome, muita fome, então o ataquei, agarrando seus ombros e dando a maior mordida faminta em seu pescoço, devorando um grande e suculento pedaço de carne.

Eu havia mordido a jugular do doutor, fazendo seu sangue vermelho brilhante jorrar, como um bebedouro para vampiros.
Um banquete, eu me esbaldei daquele velho obeso, gordo como um suíno. A carne humana parecia doce, suculenta, uma iguaria que derretia entre meus dentes, o caldinho morno do sangue descendo pela minha garganta ia acalmando minha ferocidade, saciando minha fome.

Ainda era eu, mas um novo eu, o senso de moral havia desaparecido, deixando-me ser dominado pelo puro instinto de sobrevivência.

Eu me esbaldei, sem remorso, sem pena, sem me importar, assim como todo mundo faz ao comer a carne de um animal no almoço, sem dar a mínima para quem era aquele animal. Apenas devorado a refeição mais importante do dia.

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Allan Fear
O caso do zumbi paulista

Mas, se eu era mesmo um morto-vivo eu precisava comer carne humana certo? Não era isso que os errantes comiam nos filmes? Se dizem que comem, então deve haver algum fundamento.

Pode parecer bizarro, acordar em seu próprio funeral e descobrir que você não está morto, mas também não está vivo, e que de alguma forma consegue falar, andar e sente uma fome do cão. Na verdade, a fome meio que estava me dominando, mesmo que eu tentasse pensar em outras coisas, tudo que importava era me alimentar e matar aquela fome angustiante e feroz que parecia estar me corroendo por dentro.

A campainha tocou. Eu corri para a porta do meu barraco e escancarei-a. E lá estava o meu velho conhecido, o Doutor Rubens, o médico da cidade.

Assustado, me olhando incrédulo ele adentrou o aposento. Fechei a porta atrás dele.

– Você foi diagnosticado morto há 3 dias, meu caro Clovis – Começou o Doutor, coçando o queixo de barba rala enquanto me encarava fascinado. Era um homem já na casa dos 60. Baixinho, gorducho e de pele rosada, como um leitão. – O lote da vacina veio com problemas e isso foi a motivo de sua morte, causando uma alta dosagem de adrenalina no seu sangue e posteriormente uma parada cardíaca. Mas aqui estava você, vivo! Isso é um milagre, mas precisamos ir para o centro médico agora fazer uns exames e…

Eu não deixei ele terminar. Sua cara redonda, me fitando excitado pelo fascínio do milagre de minha volta, me deixou com fome, muita fome, então o ataquei, agarrando seus ombros e dando a maior mordida faminta em seu pescoço, devorando um grande e suculento pedaço de carne.

Eu havia mordido a jugular do doutor, fazendo seu sangue vermelho brilhante jorrar, como um bebedouro para vampiros.
Um banquete, eu me esbaldei daquele velho obeso, gordo como um suíno. A carne humana parecia doce, suculenta, uma iguaria que derretia entre meus dentes, o caldinho morno do sangue descendo pela minha garganta ia acalmando minha ferocidade, saciando minha fome.

Ainda era eu, mas um novo eu, o senso de moral havia desaparecido, deixando-me ser dominado pelo puro instinto de sobrevivência.

Eu me esbaldei, sem remorso, sem pena, sem me importar, assim como todo mundo faz ao comer a carne de um animal no almoço, sem dar a mínima para quem era aquele animal. Apenas devorado a refeição mais importante do dia.

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