O maior filho da puta do Brasil - Allan Fear
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





O maior filho da puta do Brasil

        Ele não era o Joselito, mas tinha algo em comum com aquele ser perverso, não era sua aparência, mas sim uma insanidade voraz, sádica e um tanto quanto sórdida que tornava seus atos inapropriados.

        Malungo era seu nome, tinha 44 anos e tentou a vida no exterior, indo morar no Japão com uma asiática que conhecera por um aplicativo, mas ele era daqueles tipos fadados ao fracasso, e devido as suas atitudes nada convencionais, foi expulso do país e deportado ao Brasil, mais precisamente para a cidade do Rio de Janeiro.

        Malungo morava com seus pais, era um rapaz de pele muito clara, você o confundiria facilmente com um russo, tinha a cara bolachuda e cheia de sardas, dava a impressão de que lhe faltava um dente de tanto que seus incisivos centrais superiores eram separados. Tinha o cabelo ruivo encaracolado e orelhas de Dumbo. Gostava de usar bermudas xadrez com zíper e camiseta azul, que apenas evidenciava mais sua barriga saliente. Sua estatura era de 1,75.

        -Pô velho! Não tem cerveja nessa porra? – Gritou Malungo batendo a porta da geladeira e se voltando para o pai, um senhor na casa dos 70 anos, que estava sentado no sofá da sala vendo formula 1 naquela tranquila manhã de domingo. -Me dá grana pra eu ir no Walmart comprar umas geladas e um tira gosto!

        Malungo saiu para aquela manhã ensolarada, usava óculos de sol com lentes azuis e andava com aquele sorriso sínico no rosto rechonchudo. Desceu a Rua Gonzaga de Campos e parou em um semáforo na Av. Dom Hélder Câmara.

        Quando o semáforo abriu para os pedestres ele percebeu um cego se aproximar, era um homem na casa dos 50, alto e meio corcunda, pedindo ajuda para atravessar a rua. Instantaneamente um sorriso de escárnio brilhou na face de Malungo.

        Malungo colocou a mão no ombro do cego, puxou sua bengala de madeira e empurrou-o em direção à rua, não deixando colocar seu pé direito na frente, fazendo o homem tomar um tombo feio.

        Malungo riu, como se tivesse acabado de fazer uma boa ação e atravessou a rua enquanto o semáforo para pedestres ainda estava aberto. Atrás dele o cego cuspia-lhe maldições.

        -Seu filho da puta! – Berrou um motorista descendo do carro para ajudar o cego caído.

        -Devolve a bengala do cego seu ordinário!…- esbravejou uma mulher.

        Malungo então quebrou a bengala forçando-a contra o joelho, dividindo-a em duas e atirou os pedaços para as pessoas que se juntavam em volta do homem cego, que continuava proferindo maldições contra ele, fazendo-o correr para evitar ser linchado.

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Allan Fear
O maior filho da puta do Brasil

        Ele não era o Joselito, mas tinha algo em comum com aquele ser perverso, não era sua aparência, mas sim uma insanidade voraz, sádica e um tanto quanto sórdida que tornava seus atos inapropriados.

        Malungo era seu nome, tinha 44 anos e tentou a vida no exterior, indo morar no Japão com uma asiática que conhecera por um aplicativo, mas ele era daqueles tipos fadados ao fracasso, e devido as suas atitudes nada convencionais, foi expulso do país e deportado ao Brasil, mais precisamente para a cidade do Rio de Janeiro.

        Malungo morava com seus pais, era um rapaz de pele muito clara, você o confundiria facilmente com um russo, tinha a cara bolachuda e cheia de sardas, dava a impressão de que lhe faltava um dente de tanto que seus incisivos centrais superiores eram separados. Tinha o cabelo ruivo encaracolado e orelhas de Dumbo. Gostava de usar bermudas xadrez com zíper e camiseta azul, que apenas evidenciava mais sua barriga saliente. Sua estatura era de 1,75.

        -Pô velho! Não tem cerveja nessa porra? – Gritou Malungo batendo a porta da geladeira e se voltando para o pai, um senhor na casa dos 70 anos, que estava sentado no sofá da sala vendo formula 1 naquela tranquila manhã de domingo. -Me dá grana pra eu ir no Walmart comprar umas geladas e um tira gosto!

        Malungo saiu para aquela manhã ensolarada, usava óculos de sol com lentes azuis e andava com aquele sorriso sínico no rosto rechonchudo. Desceu a Rua Gonzaga de Campos e parou em um semáforo na Av. Dom Hélder Câmara.

        Quando o semáforo abriu para os pedestres ele percebeu um cego se aproximar, era um homem na casa dos 50, alto e meio corcunda, pedindo ajuda para atravessar a rua. Instantaneamente um sorriso de escárnio brilhou na face de Malungo.

        Malungo colocou a mão no ombro do cego, puxou sua bengala de madeira e empurrou-o em direção à rua, não deixando colocar seu pé direito na frente, fazendo o homem tomar um tombo feio.

        Malungo riu, como se tivesse acabado de fazer uma boa ação e atravessou a rua enquanto o semáforo para pedestres ainda estava aberto. Atrás dele o cego cuspia-lhe maldições.

        -Seu filho da puta! – Berrou um motorista descendo do carro para ajudar o cego caído.

        -Devolve a bengala do cego seu ordinário!…- esbravejou uma mulher.

        Malungo então quebrou a bengala forçando-a contra o joelho, dividindo-a em duas e atirou os pedaços para as pessoas que se juntavam em volta do homem cego, que continuava proferindo maldições contra ele, fazendo-o correr para evitar ser linchado.

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