Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





O Projeto K9 – parte 04

Rodrigo sentiu a respiração presa na garganta, o ônibus começou a acelerar, e sem pensar, agindo apenas por impulso, ele usou a mão esquerda para apoiar na janela e saltou, enfiando sua mão dentro do veículo e puxou com força o telefone.

A menina deu um grito estridente, agudo, enquanto ele pousava os pés no asfalto e se preparava para correr, mas o grande telefone caiu de sua mão, se espatifando no chão.

Rodrigo pensou em pegar o aparelho assim mesmo, mas ouviu o som das rodas do ônibus derraparem e o veículo parar e abrir as portas.

O coro “pega Ladrão” explodia de dentro do ônibus, enquanto Rodrigo corria como um louco. Corria para longe dali, corria enquanto a palavra de seu pai lhe retumbava na mente: “Fracassado”. A palavra que ele usava para defini-lo desde sua infância. “Fracassado”.“Fracassado”.“Fracassado”.

Rodrigo estava ofegante quando parou debaixo do viaduto da Avenida 23 de Maio. O suor lhe minava da testa.

-Que merda cê fez lá cara?- indagou Pedrosa saindo das sombras, uma carranca estampada na face cinzenta. –cê ferrou tudo seu cuzão!!

-Me desculpem- murmurou Rodrigo cabisbaixo, com uma mão apoiando o corpo numa das vigas do viaduto, tentando recuperar o fôlego. –A mina se virou e me encarou, daí tentei pegar o telefone, mas ele escorregou da minha mão e…

-Esquenta não primo- comentou Lora, se aproximando dele, acendendo um cigarro. –A gente volta lá e consegue meter a fita noutro otário.

Passava pouco das 16 horas. O sol começava a mudar de cor, lançando seus raios avermelhados pelas ruas e prédios. Pedrosa e seus amigos estavam de volta na praça da Sé, observando o movimento.

As pessoas passavam apressadas em seus carros ou a pé enquanto outras, angustiadas, esperavam pelos ônibus nos pontos.
A turma sondava os pontos, quando Pedrosa olhou para uma das paradas de ônibus do outro lado da rua e viu algo que lhe causou um arrepio nas costas.

No ponto de ônibus havia quatro pessoas, eram elas: um cadeirante já idoso com um jornal dobrado repousando sobre seu colo, dois homens altos, magros vestindo ternos pretos, conversando animadamente e uma mulher estranhamente magra e de pele muito clara, aparentava ter uns 40 anos. O que chamou a atenção do marginal foi o grande celular que ela segurava com um desenho de uma maçã mordida na parte de trás.

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Allan Fear
O Projeto K9 – parte 04

Rodrigo sentiu a respiração presa na garganta, o ônibus começou a acelerar, e sem pensar, agindo apenas por impulso, ele usou a mão esquerda para apoiar na janela e saltou, enfiando sua mão dentro do veículo e puxou com força o telefone.

A menina deu um grito estridente, agudo, enquanto ele pousava os pés no asfalto e se preparava para correr, mas o grande telefone caiu de sua mão, se espatifando no chão.

Rodrigo pensou em pegar o aparelho assim mesmo, mas ouviu o som das rodas do ônibus derraparem e o veículo parar e abrir as portas.

O coro “pega Ladrão” explodia de dentro do ônibus, enquanto Rodrigo corria como um louco. Corria para longe dali, corria enquanto a palavra de seu pai lhe retumbava na mente: “Fracassado”. A palavra que ele usava para defini-lo desde sua infância. “Fracassado”.“Fracassado”.“Fracassado”.

Rodrigo estava ofegante quando parou debaixo do viaduto da Avenida 23 de Maio. O suor lhe minava da testa.

-Que merda cê fez lá cara?- indagou Pedrosa saindo das sombras, uma carranca estampada na face cinzenta. –cê ferrou tudo seu cuzão!!

-Me desculpem- murmurou Rodrigo cabisbaixo, com uma mão apoiando o corpo numa das vigas do viaduto, tentando recuperar o fôlego. –A mina se virou e me encarou, daí tentei pegar o telefone, mas ele escorregou da minha mão e…

-Esquenta não primo- comentou Lora, se aproximando dele, acendendo um cigarro. –A gente volta lá e consegue meter a fita noutro otário.

Passava pouco das 16 horas. O sol começava a mudar de cor, lançando seus raios avermelhados pelas ruas e prédios. Pedrosa e seus amigos estavam de volta na praça da Sé, observando o movimento.

As pessoas passavam apressadas em seus carros ou a pé enquanto outras, angustiadas, esperavam pelos ônibus nos pontos.
A turma sondava os pontos, quando Pedrosa olhou para uma das paradas de ônibus do outro lado da rua e viu algo que lhe causou um arrepio nas costas.

No ponto de ônibus havia quatro pessoas, eram elas: um cadeirante já idoso com um jornal dobrado repousando sobre seu colo, dois homens altos, magros vestindo ternos pretos, conversando animadamente e uma mulher estranhamente magra e de pele muito clara, aparentava ter uns 40 anos. O que chamou a atenção do marginal foi o grande celular que ela segurava com um desenho de uma maçã mordida na parte de trás.

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