Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





Projeto K9 – Parte 3

(Leia a segunda parte: http://maldohorror.com.br/allan-fear/projeto-k9-parte-2/)

Mas o policial não estava no mesmo pique que Pedrosa, os poucos passos que dera, já havia acabado com seu fôlego, seu rosto branco e gordo estava vermelho, minando suor.

Pedrosa desapareceu de sua vista por entre os carros, dando trombadas em alguns pedestres e cinco minutos depois se encontrou com Lora e Rodrigo embaixo de um viaduto, na Avenida 23 de maio, onde havia muitos papelões sobre o chão.

Pedrosa chegou e os conduziu por uma boca de lobo para os esgotos, escondida debaixo dos papelões. Desceram as escadas de ferro e Rodrigo viu que era ali o quartel general dos vagabundos de São Paulo.

O local era uma parte desativada dos esgotos, provavelmente uma obra inacabada, e não passava um canal por ali. Estava seco, muitas moradas de papelão se estendiam pelo perímetro. Tambores com chamas crepitando serviam de iluminação. Fogões de lenha feitos de tijolos se estendiam entre uma morada e outra. Um cheiro de urina com carne assada pairava no ar.

Outros vagabundos conversavam e bebiam na extensão do esgoto. Uns riam e dançavam. Outros estavam caídos pelos cantos, provavelmente de porre.

Pedrosa retirou da cintura e exibiu um grande aparelho celular de cor dourada.

– O Edu vai pagar uma nota nesse aí!- exclamou Lora sorrindo e pegando o celular e examinando-o nas mãos. Depois o devolveu ao amigo e acendeu outro cigarro, ofereceu um ao Rodrigo, mas este recusou.

– Já que cêtá com a gente, a meta vai ser conseguir uns 10 aparelhos hoje pode crê?- indagou Pedrosa abraçando Rodrigo pelo pescoço, naquela conversa de manos.

– Pode deixar comigo- assentiu Rodrigo, sentindo um arrepio gelado percorrer seu corpo. Não era muito bom em roubar, ele sabia que tinha que fazer o que fosse preciso para sobreviver, mas não leva muito jeito pra coisa.

No ano passado, com uma turma com quem andava, disseram que era a vez dele, e tentou roubar o relógio de uma mulher na rua, quando ela saia de uma loja, era quase final de tarde. Chegou nela por trás, como seus colegas faziam, e foi metendo a mão em seu relógio, mas não conseguiu que ele se soltasse do seu braço e a mulher começou a gritar, era uma senhora já na casa dos 40.

Desesperado pelos gritos da mulher, sentindo as pernas moles, tremendo como vara de bambu, ele começou a correr e, para seu espanto, um homem corpulento e alto, saiu de uma loja e veio atrás dele, cuspindo ameaças.

Rodrigo nunca correra tanto na vida e só conseguiu escapar depois que quase foi atropelado por um carro, ganhar um dos becos do morro e subir em disparada.

Depois disso foi muito zombado pela galera e decidiu não andar mais com eles. Jurou para si mesmo que não iria mais roubar as pessoas.
Mas ali estava ele, sabia que se não ajudasse a roubar não o iriam aceita-lo no bando. Ele não tinha pra onde ir, não tinha mais parentes em São Paulo e sabia que se ficasse sozinho pelas ruas seria estuprado ou mesmo morto.

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Allan Fear
Projeto K9 – Parte 3

(Leia a segunda parte: http://maldohorror.com.br/allan-fear/projeto-k9-parte-2/)

Mas o policial não estava no mesmo pique que Pedrosa, os poucos passos que dera, já havia acabado com seu fôlego, seu rosto branco e gordo estava vermelho, minando suor.

Pedrosa desapareceu de sua vista por entre os carros, dando trombadas em alguns pedestres e cinco minutos depois se encontrou com Lora e Rodrigo embaixo de um viaduto, na Avenida 23 de maio, onde havia muitos papelões sobre o chão.

Pedrosa chegou e os conduziu por uma boca de lobo para os esgotos, escondida debaixo dos papelões. Desceram as escadas de ferro e Rodrigo viu que era ali o quartel general dos vagabundos de São Paulo.

O local era uma parte desativada dos esgotos, provavelmente uma obra inacabada, e não passava um canal por ali. Estava seco, muitas moradas de papelão se estendiam pelo perímetro. Tambores com chamas crepitando serviam de iluminação. Fogões de lenha feitos de tijolos se estendiam entre uma morada e outra. Um cheiro de urina com carne assada pairava no ar.

Outros vagabundos conversavam e bebiam na extensão do esgoto. Uns riam e dançavam. Outros estavam caídos pelos cantos, provavelmente de porre.

Pedrosa retirou da cintura e exibiu um grande aparelho celular de cor dourada.

– O Edu vai pagar uma nota nesse aí!- exclamou Lora sorrindo e pegando o celular e examinando-o nas mãos. Depois o devolveu ao amigo e acendeu outro cigarro, ofereceu um ao Rodrigo, mas este recusou.

– Já que cêtá com a gente, a meta vai ser conseguir uns 10 aparelhos hoje pode crê?- indagou Pedrosa abraçando Rodrigo pelo pescoço, naquela conversa de manos.

– Pode deixar comigo- assentiu Rodrigo, sentindo um arrepio gelado percorrer seu corpo. Não era muito bom em roubar, ele sabia que tinha que fazer o que fosse preciso para sobreviver, mas não leva muito jeito pra coisa.

No ano passado, com uma turma com quem andava, disseram que era a vez dele, e tentou roubar o relógio de uma mulher na rua, quando ela saia de uma loja, era quase final de tarde. Chegou nela por trás, como seus colegas faziam, e foi metendo a mão em seu relógio, mas não conseguiu que ele se soltasse do seu braço e a mulher começou a gritar, era uma senhora já na casa dos 40.

Desesperado pelos gritos da mulher, sentindo as pernas moles, tremendo como vara de bambu, ele começou a correr e, para seu espanto, um homem corpulento e alto, saiu de uma loja e veio atrás dele, cuspindo ameaças.

Rodrigo nunca correra tanto na vida e só conseguiu escapar depois que quase foi atropelado por um carro, ganhar um dos becos do morro e subir em disparada.

Depois disso foi muito zombado pela galera e decidiu não andar mais com eles. Jurou para si mesmo que não iria mais roubar as pessoas.
Mas ali estava ele, sabia que se não ajudasse a roubar não o iriam aceita-lo no bando. Ele não tinha pra onde ir, não tinha mais parentes em São Paulo e sabia que se ficasse sozinho pelas ruas seria estuprado ou mesmo morto.

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