Paralisia do sono - Allan Fear
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





Paralisia do sono

       Era hora de acordar, eu sabia, mas aqui estou eu, deitado de barriga para cima, mergulhado em densas trevas. Novamente aquela maldita paralisia do sono me afeta, mantendo-me nesta posição, com os olhos fechados, incapaz de mover um dedo sequer.

       Meu nome é Romário Montanhas, sou advogado trabalhista e sempre acordo bem cedo para ir ao escritório no centro de Mordor Valley. Mas aqui estou eu, sofrendo, uma vez mais, desse distúrbio do sono que começou na infância, quando tinha meus 10 anos e que me segue até hoje.

       Segundo os médicos, a paralisia do sono é um fenômeno comum, grande parte das pessoas passa por isso ao menos uma vez na vida, você acorda, sua mente consciente desperta, porém, seu cérebro acha que você ainda está dormindo e o mantem privado dos movimentos, enchendo sua cabeça de imagens oníricas.

       Bem me lembro do quanto à paralisia do sono era assustadora, eu via coisas, ouvia vozes e até cheguei a ver meu próprio corpo deitado na cama. Mas nos acostumamos com tudo não é mesmo?

       Mas aqui estou eu, sentindo essa aflição, essa sensação estranha, sinto-me prisioneiro dentro do meu próprio corpo, um arrepio gélido percorre minha nuca e ouço meu estômago roncar, Ah! Como estou faminto!

       Eu me lembro de ter tido um pesadelo onde alguém me atacava, era uma mulher muito pálida, de olhar selvagem, parecia possessa de raiva, avançou sobre mim bem no centro da cidade e arranhou meu braço com suas unhas afiadas, eu posso até me lembrar da dor que senti, então várias pessoas a contiveram e não me lembro mais o que aconteceu depois. Sonhos quase nunca fazem sentido algum.

       Estou tentando mexer meus dedos, pois sempre fui aconselhado pelo Dr. Faustos, do instituto do sono, foi ele quem acompanhou meu caso anos atrás, ele dizia para tentar mexer o dedo, isso envia um sinal para o cérebro de que eu acordei e ele me libera dessa maldita paralisia.

       Mas minhas mãos continuam paralisadas.

       Estou faminto, parece que faz dias que não como nada, meu estômago está se remoendo de fome. Preciso me alimentar.

       De repente, ouvi um ruído, e uma claridade ofuscante jorrou sobre mim sua luz brilhante. Meus olhos continuam fechados, mas posso perceber nitidamente que há luz no meu quarto.

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Allan Fear
Paralisia do sono

       Era hora de acordar, eu sabia, mas aqui estou eu, deitado de barriga para cima, mergulhado em densas trevas. Novamente aquela maldita paralisia do sono me afeta, mantendo-me nesta posição, com os olhos fechados, incapaz de mover um dedo sequer.

       Meu nome é Romário Montanhas, sou advogado trabalhista e sempre acordo bem cedo para ir ao escritório no centro de Mordor Valley. Mas aqui estou eu, sofrendo, uma vez mais, desse distúrbio do sono que começou na infância, quando tinha meus 10 anos e que me segue até hoje.

       Segundo os médicos, a paralisia do sono é um fenômeno comum, grande parte das pessoas passa por isso ao menos uma vez na vida, você acorda, sua mente consciente desperta, porém, seu cérebro acha que você ainda está dormindo e o mantem privado dos movimentos, enchendo sua cabeça de imagens oníricas.

       Bem me lembro do quanto à paralisia do sono era assustadora, eu via coisas, ouvia vozes e até cheguei a ver meu próprio corpo deitado na cama. Mas nos acostumamos com tudo não é mesmo?

       Mas aqui estou eu, sentindo essa aflição, essa sensação estranha, sinto-me prisioneiro dentro do meu próprio corpo, um arrepio gélido percorre minha nuca e ouço meu estômago roncar, Ah! Como estou faminto!

       Eu me lembro de ter tido um pesadelo onde alguém me atacava, era uma mulher muito pálida, de olhar selvagem, parecia possessa de raiva, avançou sobre mim bem no centro da cidade e arranhou meu braço com suas unhas afiadas, eu posso até me lembrar da dor que senti, então várias pessoas a contiveram e não me lembro mais o que aconteceu depois. Sonhos quase nunca fazem sentido algum.

       Estou tentando mexer meus dedos, pois sempre fui aconselhado pelo Dr. Faustos, do instituto do sono, foi ele quem acompanhou meu caso anos atrás, ele dizia para tentar mexer o dedo, isso envia um sinal para o cérebro de que eu acordei e ele me libera dessa maldita paralisia.

       Mas minhas mãos continuam paralisadas.

       Estou faminto, parece que faz dias que não como nada, meu estômago está se remoendo de fome. Preciso me alimentar.

       De repente, ouvi um ruído, e uma claridade ofuscante jorrou sobre mim sua luz brilhante. Meus olhos continuam fechados, mas posso perceber nitidamente que há luz no meu quarto.

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