Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





Projeto K9 – Parte 2

-Vaza daqui moleque desgraçado, filho da puta, antes que eu…- o homem libertou Rodrigo afastando a faca de sua barriga, cuspindo-lhe ameaças amargas, afinal era o único da casa que trabalhava e achava que a mulher e o filho eram suas propriedades.

O pai lhe deu-lhe 1 hora para juntar suas tralhas e dar o fora dali, do contrário quando voltasse para o barraco, o esfolaria vivo.

Rodrigo sabia que o pai tinha uns homicídios nas costas, já estivera preso algumas vezes, e sabia bem que ele cumpria suas promessas. Era um homem frio, nervoso, explosivo.

A mãe implorou para que Rodrigo fosse embora, tinha lágrimas nos olhos. Ela temia o marido, chorava e implorava, mas aceitava ser espancada, se submetia as suas fantasias sexuais doentias.

Rodrigo juntou algumas tralhas e deixou o barraco onde morava, descendo o morro da Vila Jacui na calada da noite quente de verão.
Rodrigo sabia que sua prima e os amigos dela vadiavam na rua, roubando, usando drogas e aprontando. Mas que escolha ele tinha? Pelo menos assim ele descolava uns trocados, pois os 30 reais que a mãe lhe dera não duraria muito.

Pedrosa usava de suas artimanhas da rua, fingia conhecer alguns jovens que passavam e estendia a mão para cumprimentá-los, com o intuito de vender as correntinhas. Era um truque funcional, pois a pessoa olhava para Pedrosa e ficava tentando se lembrar de onde o conhecia, e isso era a deixa para fazer o cumprimento e já ir colocando a correntinha no pescoço da vítima, forçando-a a comprar.

-Qual é a boa de hoje?- indagou Rodrigo, de braços cruzados em frente ao peito, sobre o blusão vermelho, tentando disfarçar suas preocupações.

-O lance tá na moral – falou Lora chegando mais perto dele, -tamo nos esquemas de celular morou?

-Vem com a gente,- chamou Pedrosa, colocou as correntes que segurava no próprio pescoço e seguiu, com seu gingado de malandro pela rua, atrás de um coletivo vermelho que parara em um ponto para pegar passageiros.

-Observa- murmurou Pedrosa voltando-se para Rodrigo.

Pedrosa parou próximo ao ônibus, olhando atentamente os passageiros sentados próximos à janela e viu uma moça loira, aparentando uns 25 anos, com um Smartphone na mão, digitando concentrada no teclado de um aplicativo de mensagens.

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Allan Fear
Projeto K9 – Parte 2

-Vaza daqui moleque desgraçado, filho da puta, antes que eu…- o homem libertou Rodrigo afastando a faca de sua barriga, cuspindo-lhe ameaças amargas, afinal era o único da casa que trabalhava e achava que a mulher e o filho eram suas propriedades.

O pai lhe deu-lhe 1 hora para juntar suas tralhas e dar o fora dali, do contrário quando voltasse para o barraco, o esfolaria vivo.

Rodrigo sabia que o pai tinha uns homicídios nas costas, já estivera preso algumas vezes, e sabia bem que ele cumpria suas promessas. Era um homem frio, nervoso, explosivo.

A mãe implorou para que Rodrigo fosse embora, tinha lágrimas nos olhos. Ela temia o marido, chorava e implorava, mas aceitava ser espancada, se submetia as suas fantasias sexuais doentias.

Rodrigo juntou algumas tralhas e deixou o barraco onde morava, descendo o morro da Vila Jacui na calada da noite quente de verão.
Rodrigo sabia que sua prima e os amigos dela vadiavam na rua, roubando, usando drogas e aprontando. Mas que escolha ele tinha? Pelo menos assim ele descolava uns trocados, pois os 30 reais que a mãe lhe dera não duraria muito.

Pedrosa usava de suas artimanhas da rua, fingia conhecer alguns jovens que passavam e estendia a mão para cumprimentá-los, com o intuito de vender as correntinhas. Era um truque funcional, pois a pessoa olhava para Pedrosa e ficava tentando se lembrar de onde o conhecia, e isso era a deixa para fazer o cumprimento e já ir colocando a correntinha no pescoço da vítima, forçando-a a comprar.

-Qual é a boa de hoje?- indagou Rodrigo, de braços cruzados em frente ao peito, sobre o blusão vermelho, tentando disfarçar suas preocupações.

-O lance tá na moral – falou Lora chegando mais perto dele, -tamo nos esquemas de celular morou?

-Vem com a gente,- chamou Pedrosa, colocou as correntes que segurava no próprio pescoço e seguiu, com seu gingado de malandro pela rua, atrás de um coletivo vermelho que parara em um ponto para pegar passageiros.

-Observa- murmurou Pedrosa voltando-se para Rodrigo.

Pedrosa parou próximo ao ônibus, olhando atentamente os passageiros sentados próximos à janela e viu uma moça loira, aparentando uns 25 anos, com um Smartphone na mão, digitando concentrada no teclado de um aplicativo de mensagens.

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