Projeto K9 - Parte 5 - Allan Fear
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





Projeto K9 – Parte 5

O sol estava se pondo, já passava pouco das 18 horas quando chegaram na Avenida 23 de Maio e entraram para o subterrâneo do viaduto.

Lora deu alguns comprimidos para Pedrosa, alguns copos com água e uma sopa. Deixou-o deitado e colocou compressas de pano úmido em sua testa na esperança de baixar sua temperatura. Depois jantaram ovos fritos com tomate e beberam um pouco de rum barato sob a luz das chamas que queimavam nos tambores.

Rodrigo ficou surpreso com a quantidade de moradores que habitavam aquele espaço. Eram por volta de algumas duzias, dentre eles homens, mulheres e crianças. Havia também alguns cães vira latas.

Depois da janta todos começaram a se aninhar em seus barracos de papelão e lenções para dormir. Rodrigo ficou num barraco amplo com Lora e Pedrosa. Era simples, papelões e lenções forravam o chão e a coberta era um tecido xadrez, igual aos usados em redes de balanço.
Desde que jantara a sopa que Lora lhe dera na boca, Pedrosa não falou mais, tentava dormir, enquanto o corpo tremia. Lora dissera que ele iria melhorar, os remédios o deixariam com muito sono e quando acordasse estaria melhor.

Mas Rodrigo não sabia se poderia acreditar em sua amiga. Pedrosa estava muito mal. O braço direito estava ficando roxo e tremia bastante. O local da picada da agulha já estava inflamado, inchado do tamanho de um pêssego.

Por fim todos já estavam dormindo, exceto Rodrigo, que se sentia inquieto com a respiração ruidosa de pedrosa e aquele cheiro de carniça que começou de repente. De inicio ele pensou que algum sem teto estivesse defecando por perto.

Lora estava deitada em uma extremidade do barracão e dormia profundamente. No meio estava Pedrosa, deitado de barriga para cima e do seu lado direito estava Rodrigo.

Ainda havia um tambor com fogo lá fora, fazendo sua luz entrar por algumas frestas no papelão que servia de parede do barracão, deixando o local numa penumbra. Rodrigo se levantou, pegou uma garrava de água numa prateleira improvisada de madeira e deu duas longas tragadas, ele estava arrasado com sua situação, expulso de casa, ter de roubar para sobreviver correndo risco de ser morto ou preso.

Rodrigo guardou a garrafa na prateleira e se aproximou de pedrosa, tapando o nariz com gola da blusa. O fedor estava mais forte e parecia vir do moribundo.

Rodrigo notou que o braço de Pedrosa estava cheio de bolhas que iam inchando, se tornando cada vez maiores. O braço estava cada vez mais roxo. Parecia tão grande quanto sua coxa.

Algo estava errado. Isso Rodrigo sabia. Mas o que havia injetado no braço de pedrosa? O que iria acontecer com ele? Será que ele sobreviveria àquela noite?

-Lora- chamou Rodrigo, estudando as bolhas no braço de Pedrosa que cresciam, atingindo o tamanho de laranjas. –Lora, acorda! Tem algo errado acontecendo com o braço do Pedrosa.

Ela acordou sonolenta, piscando e cambaleou de joelhos até o amigo.

-Porra- grunhiu ela tapando o nariz e a boca com a palma da mão, -Que carniça. Esse fedor…

-Tá vindo do braço, olha- falou Rodrigo apontando para o braço inchado, de cor roxa cujos caroços não paravam de crescer. –Parece que vão…

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Allan Fear
Projeto K9 – Parte 5

O sol estava se pondo, já passava pouco das 18 horas quando chegaram na Avenida 23 de Maio e entraram para o subterrâneo do viaduto.

Lora deu alguns comprimidos para Pedrosa, alguns copos com água e uma sopa. Deixou-o deitado e colocou compressas de pano úmido em sua testa na esperança de baixar sua temperatura. Depois jantaram ovos fritos com tomate e beberam um pouco de rum barato sob a luz das chamas que queimavam nos tambores.

Rodrigo ficou surpreso com a quantidade de moradores que habitavam aquele espaço. Eram por volta de algumas duzias, dentre eles homens, mulheres e crianças. Havia também alguns cães vira latas.

Depois da janta todos começaram a se aninhar em seus barracos de papelão e lenções para dormir. Rodrigo ficou num barraco amplo com Lora e Pedrosa. Era simples, papelões e lenções forravam o chão e a coberta era um tecido xadrez, igual aos usados em redes de balanço.
Desde que jantara a sopa que Lora lhe dera na boca, Pedrosa não falou mais, tentava dormir, enquanto o corpo tremia. Lora dissera que ele iria melhorar, os remédios o deixariam com muito sono e quando acordasse estaria melhor.

Mas Rodrigo não sabia se poderia acreditar em sua amiga. Pedrosa estava muito mal. O braço direito estava ficando roxo e tremia bastante. O local da picada da agulha já estava inflamado, inchado do tamanho de um pêssego.

Por fim todos já estavam dormindo, exceto Rodrigo, que se sentia inquieto com a respiração ruidosa de pedrosa e aquele cheiro de carniça que começou de repente. De inicio ele pensou que algum sem teto estivesse defecando por perto.

Lora estava deitada em uma extremidade do barracão e dormia profundamente. No meio estava Pedrosa, deitado de barriga para cima e do seu lado direito estava Rodrigo.

Ainda havia um tambor com fogo lá fora, fazendo sua luz entrar por algumas frestas no papelão que servia de parede do barracão, deixando o local numa penumbra. Rodrigo se levantou, pegou uma garrava de água numa prateleira improvisada de madeira e deu duas longas tragadas, ele estava arrasado com sua situação, expulso de casa, ter de roubar para sobreviver correndo risco de ser morto ou preso.

Rodrigo guardou a garrafa na prateleira e se aproximou de pedrosa, tapando o nariz com gola da blusa. O fedor estava mais forte e parecia vir do moribundo.

Rodrigo notou que o braço de Pedrosa estava cheio de bolhas que iam inchando, se tornando cada vez maiores. O braço estava cada vez mais roxo. Parecia tão grande quanto sua coxa.

Algo estava errado. Isso Rodrigo sabia. Mas o que havia injetado no braço de pedrosa? O que iria acontecer com ele? Será que ele sobreviveria àquela noite?

-Lora- chamou Rodrigo, estudando as bolhas no braço de Pedrosa que cresciam, atingindo o tamanho de laranjas. –Lora, acorda! Tem algo errado acontecendo com o braço do Pedrosa.

Ela acordou sonolenta, piscando e cambaleou de joelhos até o amigo.

-Porra- grunhiu ela tapando o nariz e a boca com a palma da mão, -Que carniça. Esse fedor…

-Tá vindo do braço, olha- falou Rodrigo apontando para o braço inchado, de cor roxa cujos caroços não paravam de crescer. –Parece que vão…

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