Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





Projeto K9 – Parte 5

“Bruurffff” Foi como o som de um peido nojento quando os caroços começaram a estourar, liberando uma gosma malcheirosa e antes que pudessem protestar, os olhos de Pedrosa se abriram, olhos vermelhos cheios de sangue, e de sua boca um urro animalesco explodiu no pequeno barracão.

Enlouquecido de dor, de desespero, com uma dose absurda de adrenalina pulsando em seu peito, Pedrosa, aos berros ensandecidos, levantou suas mãos e agarrou seus amigos, puxando-os.

Sua mão direita agarrou no rosto de Rodrigo, enterrando dois dedos em sua boca e apertando de forma sobre humana, enquanto a mão esquerda agarrou o pescoço de Lora, estrangulando-a, esmagando sua traqueia.

Os jovens tentaram se libertar, gritando, sufocados pela carniça putrefata que lhes penetrava pelas narinas.

Mas a força ensandecida da loucura de Pedrosa era por demais absurda e deslocou o maxilar de Rodrigo, quebrando-o em seguida.

Sua mão esquerda torceu o pescoço de Lora como se torce o pescoço de uma galinha.

Os outros sem teto arrancaram os papelões do barracão para ver do que se tratava toda aquela gritaria e se depararam com os corpos caídos de Lora e Rodrigo, enquanto Pedrosa, agora com uma aparência inumana, bestial, não apenas com o braço direito inchado, mas todo o corpo, que agora ganhara uma cor roxa, se erguia enlouquecido pronto para atacar e destruir tudo a sua volta, berrando ferozmente.

Os mendigos, os quatro que haviam acordado, estavam assustados, tentando entender se aquele horror era real ou se fazia parte de seus delírios, tentaram contê-lo.

Mas Pedrosa, ou aquela coisa asquerosa em que se transformara, os atacou de forma animal, mordendo e dilacerando-os enquanto os furúnculos continuavam a crescer e estourar por todo o seu corpo, liberando uma estranha gosma que ao atingir outras pessoas queimava lhes a pele, como ácido, derretendo até os ossos.

Parado, nas sombras da Avenida 23 de Maio, já por volta das 4 da manhã, havia um Volvo preto. O Motorista, um rapaz de uns 30 anos, com cabeça raspada e vestindo roupas sociais escuras, olhava para o Rolex de ouro em seu pulso. Estava calmo e sereno. Mascava tranquilamente um chiclete.

Passados mais cinco minutos ele abriu a porta do Volvo e saiu do veículo carregando uma lanterna. Olhou em volta, a avenida estava calma e deserta, uma brisa fresca soprava do norte.

O homem foi em direção ao esgoto desativado que ficava embaixo do viaduto. Passou pelos papelões no chão, ligou a lanterna e sob sua luz brilhante achou a entrada secreta dos sem teto.

Tirou uma máscara especial que pendia sobre o peito e a colocou sobre a face. Ajeitou suas luvas pretas de couro nas mãos e começou a descer as escadas de ferro apoiando os pés e uma das mãos enquanto a outra segurava a lanterna.

O rapaz chegou ao fundo do esgoto, escuro, silencioso, malcheiroso e contemplou uma cena macabra, onde dezenas de corpos em putrefação se espalhavam pelo perímetro. Todos estavam inchados, com a pele completamente roxa, cheio de perebas e buracos por todo o corpo.

Ele tirou o celular do bolso e começou a fotografar os corpos, iluminando-os atentamente com a lanterna, dali mesmo, parado próximo as escadas de ferro. Tirou ao menos uma dúzia de fotos, depois retornou as escadas, apesar da máscara, o odor de carniça era demasiadamente insuportável.

O homem camuflou a entrada do esgoto novamente e voltou para seu carro. Deu a partida e acelerou pela Avenida enquanto fazia uma ligação.

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Allan Fear
Projeto K9 – Parte 5

“Bruurffff” Foi como o som de um peido nojento quando os caroços começaram a estourar, liberando uma gosma malcheirosa e antes que pudessem protestar, os olhos de Pedrosa se abriram, olhos vermelhos cheios de sangue, e de sua boca um urro animalesco explodiu no pequeno barracão.

Enlouquecido de dor, de desespero, com uma dose absurda de adrenalina pulsando em seu peito, Pedrosa, aos berros ensandecidos, levantou suas mãos e agarrou seus amigos, puxando-os.

Sua mão direita agarrou no rosto de Rodrigo, enterrando dois dedos em sua boca e apertando de forma sobre humana, enquanto a mão esquerda agarrou o pescoço de Lora, estrangulando-a, esmagando sua traqueia.

Os jovens tentaram se libertar, gritando, sufocados pela carniça putrefata que lhes penetrava pelas narinas.

Mas a força ensandecida da loucura de Pedrosa era por demais absurda e deslocou o maxilar de Rodrigo, quebrando-o em seguida.

Sua mão esquerda torceu o pescoço de Lora como se torce o pescoço de uma galinha.

Os outros sem teto arrancaram os papelões do barracão para ver do que se tratava toda aquela gritaria e se depararam com os corpos caídos de Lora e Rodrigo, enquanto Pedrosa, agora com uma aparência inumana, bestial, não apenas com o braço direito inchado, mas todo o corpo, que agora ganhara uma cor roxa, se erguia enlouquecido pronto para atacar e destruir tudo a sua volta, berrando ferozmente.

Os mendigos, os quatro que haviam acordado, estavam assustados, tentando entender se aquele horror era real ou se fazia parte de seus delírios, tentaram contê-lo.

Mas Pedrosa, ou aquela coisa asquerosa em que se transformara, os atacou de forma animal, mordendo e dilacerando-os enquanto os furúnculos continuavam a crescer e estourar por todo o seu corpo, liberando uma estranha gosma que ao atingir outras pessoas queimava lhes a pele, como ácido, derretendo até os ossos.

Parado, nas sombras da Avenida 23 de Maio, já por volta das 4 da manhã, havia um Volvo preto. O Motorista, um rapaz de uns 30 anos, com cabeça raspada e vestindo roupas sociais escuras, olhava para o Rolex de ouro em seu pulso. Estava calmo e sereno. Mascava tranquilamente um chiclete.

Passados mais cinco minutos ele abriu a porta do Volvo e saiu do veículo carregando uma lanterna. Olhou em volta, a avenida estava calma e deserta, uma brisa fresca soprava do norte.

O homem foi em direção ao esgoto desativado que ficava embaixo do viaduto. Passou pelos papelões no chão, ligou a lanterna e sob sua luz brilhante achou a entrada secreta dos sem teto.

Tirou uma máscara especial que pendia sobre o peito e a colocou sobre a face. Ajeitou suas luvas pretas de couro nas mãos e começou a descer as escadas de ferro apoiando os pés e uma das mãos enquanto a outra segurava a lanterna.

O rapaz chegou ao fundo do esgoto, escuro, silencioso, malcheiroso e contemplou uma cena macabra, onde dezenas de corpos em putrefação se espalhavam pelo perímetro. Todos estavam inchados, com a pele completamente roxa, cheio de perebas e buracos por todo o corpo.

Ele tirou o celular do bolso e começou a fotografar os corpos, iluminando-os atentamente com a lanterna, dali mesmo, parado próximo as escadas de ferro. Tirou ao menos uma dúzia de fotos, depois retornou as escadas, apesar da máscara, o odor de carniça era demasiadamente insuportável.

O homem camuflou a entrada do esgoto novamente e voltou para seu carro. Deu a partida e acelerou pela Avenida enquanto fazia uma ligação.

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