Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





Projeto K9 – Parte 1

PARTE 1

O sol queimava em um céu azul límpido. Passava pouco do meio-dia, a correria no centro da cidade seguia estressante, trânsito engarrafado e motoristas apressados que não economizavam nas buzinas.

– Cara eu ferrei aquele bosta- dizia Rodrigo, um jovem de 21 anos, para seus dois colegas encostados na parede branca ao lado de uma agência do Bradesco, de frente para a praça da Sé.

–O filho da puta sempre chegava bêbado em casa e brigava com minha velha, mas neste fim de semana ele quis botar a mão nela.

Seus dois colegas, um rapaz conhecido como Pedrosa, alto, de pele clara mas bronzeada pelo sol, ouvia os relatos enquanto segurava algumas correntinhas douradas e prateadas de metais vagabundos e oferecia a quem passava. Ao seu lado, uma garota, a quem todos chamavam de Lora, tragava um cigarro e brincava com o piercing na língua, prendendo-o entre os dentes.

-Era domingo à noite, saca?– falou Rodrigo gesticulando, seu semblante estava meio distorcido num misto de raiva com frustração, mas salpicado de um certo assombro. –Eu estava jantando, aí ele já chegou reclamando e de repente ele pegou a minha velha pelo pescoço e ergueu o punho fechado, cara ele ia arregaçar a cara dela.

-O sangue ferveu e eu puxei ele, caímos os dois, eu tava com a faca de serrinha que cortava o bife, aí eu furei ele até botar suas tripas pra fora. Foi que nem linguiça saindo da máquina no açougue saca?

-Pô Rodrigo, mandou bem – elogiou Lora, cumprimentando-o com seu melhor aperto de mão. Mas e aí, o quê que pegou depois?

– A velha mandou eu dar no pé até a poeira baixar, aí pensei em passar uns dias com você, prima. Você sabe, eu posso ajudar nos corre.

-Tamo junto, velho, – murmurou Pedrosa em sua voz áspera, fitando Rodrigo com aquele olhar de malandro e cumprimentando-o. Família da Lora é sempre bem vinda na nossa comunidade, morou?

Rodrigo agradeceu, exibindo seu sorriso torto de dentes encavalados e encardidos.

Mentir se tornara tão fácil, ele sabia fazer com emoção, às vezes até chegava a acreditar em suas mentiras. Ele queria ter matado o pai, queria mesmo, mas não era forte ou mesmo corajoso o suficiente.

Páginas: 1 2

Allan Fear
Projeto K9 – Parte 1

PARTE 1

O sol queimava em um céu azul límpido. Passava pouco do meio-dia, a correria no centro da cidade seguia estressante, trânsito engarrafado e motoristas apressados que não economizavam nas buzinas.

– Cara eu ferrei aquele bosta- dizia Rodrigo, um jovem de 21 anos, para seus dois colegas encostados na parede branca ao lado de uma agência do Bradesco, de frente para a praça da Sé.

–O filho da puta sempre chegava bêbado em casa e brigava com minha velha, mas neste fim de semana ele quis botar a mão nela.

Seus dois colegas, um rapaz conhecido como Pedrosa, alto, de pele clara mas bronzeada pelo sol, ouvia os relatos enquanto segurava algumas correntinhas douradas e prateadas de metais vagabundos e oferecia a quem passava. Ao seu lado, uma garota, a quem todos chamavam de Lora, tragava um cigarro e brincava com o piercing na língua, prendendo-o entre os dentes.

-Era domingo à noite, saca?– falou Rodrigo gesticulando, seu semblante estava meio distorcido num misto de raiva com frustração, mas salpicado de um certo assombro. –Eu estava jantando, aí ele já chegou reclamando e de repente ele pegou a minha velha pelo pescoço e ergueu o punho fechado, cara ele ia arregaçar a cara dela.

-O sangue ferveu e eu puxei ele, caímos os dois, eu tava com a faca de serrinha que cortava o bife, aí eu furei ele até botar suas tripas pra fora. Foi que nem linguiça saindo da máquina no açougue saca?

-Pô Rodrigo, mandou bem – elogiou Lora, cumprimentando-o com seu melhor aperto de mão. Mas e aí, o quê que pegou depois?

– A velha mandou eu dar no pé até a poeira baixar, aí pensei em passar uns dias com você, prima. Você sabe, eu posso ajudar nos corre.

-Tamo junto, velho, – murmurou Pedrosa em sua voz áspera, fitando Rodrigo com aquele olhar de malandro e cumprimentando-o. Família da Lora é sempre bem vinda na nossa comunidade, morou?

Rodrigo agradeceu, exibindo seu sorriso torto de dentes encavalados e encardidos.

Mentir se tornara tão fácil, ele sabia fazer com emoção, às vezes até chegava a acreditar em suas mentiras. Ele queria ter matado o pai, queria mesmo, mas não era forte ou mesmo corajoso o suficiente.

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