Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





Roleta Russa

“CLIK!” foi o som que retumbou pavorosamente nos ouvidos de Katarina, fazendo-a estremecer da cabeça aos pés.
A jovem na casa dos 17 anos olhava ao redor, sentindo-se estranha, febril, meio grogue, com uma angustia depressiva transbordando de seu peito. Tudo parecia irreal, como se o cenário estivesse embaçado por uma névoa acinzentada e espessa.
Katarina deu-se conta de que estava sentada à uma mesa de mármore redonda, na companhia de três outras pessoas, que não estavam nítidas à sua vista turva, mas ela podia identificar dois homens, o da sua direita era gorducho, tinha o cabelo curto encaracolado e gemia enquanto choramingava, a face rechonchuda era pálida. Do seu lado esquerdo estava o outro homem, magro, alto e com um grande pescoço fino, o cabelo preto liso penteado para trás e o olhar fixo na mesa, os lábios cerrados tremiam, o medo o assombrava.

Katarina ergueu a cabeça e viu à sua frente, na outra extremidade da mesa, uma mulher, que usava um vestido encardido de noiva, era loura, o cabelo amarelo embaraçado se assemelhava à macarrão instantâneo sobre sua face muito pálida. Ela mordia seu lábio inferior, esbranquiçado, fazendo um filete de sangue vermelho-púrpura escorrer pelo queixo abaixo. Seus olhos lacrimejantes e avermelhados fitavam algo sobre a mesa, algo que lhe atormentava o espírito.

-OH!- exclamou Katarina ao pousar seu olhar cansado sobre o centro da mesa e visualizar um revolver de calibre 38, o que a fez ser invadida instantaneamente por um pavor tenebroso.

Tudo eram trevas ao redor daquela mesa, a temperatura era fria como um túmulo e um odor estranho penetrava as narinas de Katarina, um cheiro de morte, semelhante ao que se inspira em necrotérios com notas de formal, mas também de carne em decomposição.

Katarina viu com horror a mulher à sua frente pegar a arma com sua pequena e frágil mão direita, que tremia, hesitante, e a apontou para a própria cabeça. Mais lágrimas desceram por sua face, mas sua mão, embora insegura, estava determinada, puxou o gatilho e fez um som de explosão rugir como um trovão feroz no aposento sombrio.

Katarina engasgou de horror ao contemplar o estrago da bala na cabeça da mulher, pouco acima do ouvido, e a viu tombar sobre a mesa em câmera lenta, enquanto seu braço desfalecido a acompanhava.

A cabeça da defunta fez um baque ao atingir a mesa, um ruído grotesco, como uma caixa de ovos se quebrando, e ficou imóvel, as lágrimas, agora de sangue vermelho-brilhante, desciam por sua face enquanto seus olhos verde-acinzentados fitavam Katarina cegamente.

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Allan Fear
Roleta Russa

“CLIK!” foi o som que retumbou pavorosamente nos ouvidos de Katarina, fazendo-a estremecer da cabeça aos pés.
A jovem na casa dos 17 anos olhava ao redor, sentindo-se estranha, febril, meio grogue, com uma angustia depressiva transbordando de seu peito. Tudo parecia irreal, como se o cenário estivesse embaçado por uma névoa acinzentada e espessa.
Katarina deu-se conta de que estava sentada à uma mesa de mármore redonda, na companhia de três outras pessoas, que não estavam nítidas à sua vista turva, mas ela podia identificar dois homens, o da sua direita era gorducho, tinha o cabelo curto encaracolado e gemia enquanto choramingava, a face rechonchuda era pálida. Do seu lado esquerdo estava o outro homem, magro, alto e com um grande pescoço fino, o cabelo preto liso penteado para trás e o olhar fixo na mesa, os lábios cerrados tremiam, o medo o assombrava.

Katarina ergueu a cabeça e viu à sua frente, na outra extremidade da mesa, uma mulher, que usava um vestido encardido de noiva, era loura, o cabelo amarelo embaraçado se assemelhava à macarrão instantâneo sobre sua face muito pálida. Ela mordia seu lábio inferior, esbranquiçado, fazendo um filete de sangue vermelho-púrpura escorrer pelo queixo abaixo. Seus olhos lacrimejantes e avermelhados fitavam algo sobre a mesa, algo que lhe atormentava o espírito.

-OH!- exclamou Katarina ao pousar seu olhar cansado sobre o centro da mesa e visualizar um revolver de calibre 38, o que a fez ser invadida instantaneamente por um pavor tenebroso.

Tudo eram trevas ao redor daquela mesa, a temperatura era fria como um túmulo e um odor estranho penetrava as narinas de Katarina, um cheiro de morte, semelhante ao que se inspira em necrotérios com notas de formal, mas também de carne em decomposição.

Katarina viu com horror a mulher à sua frente pegar a arma com sua pequena e frágil mão direita, que tremia, hesitante, e a apontou para a própria cabeça. Mais lágrimas desceram por sua face, mas sua mão, embora insegura, estava determinada, puxou o gatilho e fez um som de explosão rugir como um trovão feroz no aposento sombrio.

Katarina engasgou de horror ao contemplar o estrago da bala na cabeça da mulher, pouco acima do ouvido, e a viu tombar sobre a mesa em câmera lenta, enquanto seu braço desfalecido a acompanhava.

A cabeça da defunta fez um baque ao atingir a mesa, um ruído grotesco, como uma caixa de ovos se quebrando, e ficou imóvel, as lágrimas, agora de sangue vermelho-brilhante, desciam por sua face enquanto seus olhos verde-acinzentados fitavam Katarina cegamente.

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