Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





Roleta Russa

Então Katarina viu o homem magro ao seu lado esquerdo se apossar da arma, tirando-a cuidadosamente da mão da defunta e a erguer até a própria cabeça, temeroso, como se aquela fosse a única e drástica solução. Os músculos de seu rosto estavam contraídos, os dentes cerrados, um brilho de pavor faiscava em seus olhos arregalados.

“CLIK!” fez o som quando ele puxou o gatilho e soltou o ar dos pulmões, aliviado, o suor escorrendo em abundância pela testa larga.

Cuidadosamente o rapaz depositou o revolver sobre a mesa, bem na frente de Katarina, que sentiu súbita repulsa ao fitar aquela arma. Queria se levantar dali e correr, fugir o máximo que conseguisse daquela coisa desprezível. Porém ela estremeceu em horror quando sentiu sua mão esquerda se erguer do colo onde repousava e se apossar da arma, cujo metal estava morno. Ela sentia como se uma força sobrenatural estivesse mantendo-a ali, sentada sobre a cadeira dura, obrigando-a a jogar Roleta Russa com aqueles estranhos.

“Faça isso, liberte-se…” uma voz estranha, distante, semelhante ao ruído do vento soprando folhas mortas começou a cantarolar em sua mente, causando arrepios gélidos que irromperam por sua nuca. “Seja livre, silencie a dor, tudo vai acabar, apenas coloque um fim na depressão…”

O sangue de Katarina gelou em suas veias quando o cano morno da arma tocou em sua cabeça, pouco acima da orelha esquerda, sobre seu cabelo preto, então seu dedo indicador começou a pressionar o gatilho. Ela queria gritar, fugir daquele horror, mas uma força sombria, obscura, totalmente depressiva, a estava controlando.

Lágrimas geladas começaram a rolar pela face de Katarina, queimando seu rosto. Ela tinha os dentes cerrados, lutando para abaixar seu braço e jogar aquela arma terrível o mais longe possível. Uma agonia tenebrosa assolava seu espírito, tornando-se um pavor incontrolável.

Como que obedecendo sua vontade o dedo conteve a pressão sobre o gatilho e o braço começou a abaixar, desencostando o cano de sua cabeça. Uma sensação de alívio invadiu seu peito, onde o coração o esmurrava loucamente.

Por um momento Katarina começou a chorar de alívio, feliz por não cometer aquele ato insano de suicídio.

Mas então ela engasgou quando sentiu um gosto ácido de metal em sua boca e deu-se conta, em total estado de choque, que agora o cano do revólver estava em sua boca, entre as fileiras de seus dentes.

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Allan Fear
Roleta Russa

Então Katarina viu o homem magro ao seu lado esquerdo se apossar da arma, tirando-a cuidadosamente da mão da defunta e a erguer até a própria cabeça, temeroso, como se aquela fosse a única e drástica solução. Os músculos de seu rosto estavam contraídos, os dentes cerrados, um brilho de pavor faiscava em seus olhos arregalados.

“CLIK!” fez o som quando ele puxou o gatilho e soltou o ar dos pulmões, aliviado, o suor escorrendo em abundância pela testa larga.

Cuidadosamente o rapaz depositou o revolver sobre a mesa, bem na frente de Katarina, que sentiu súbita repulsa ao fitar aquela arma. Queria se levantar dali e correr, fugir o máximo que conseguisse daquela coisa desprezível. Porém ela estremeceu em horror quando sentiu sua mão esquerda se erguer do colo onde repousava e se apossar da arma, cujo metal estava morno. Ela sentia como se uma força sobrenatural estivesse mantendo-a ali, sentada sobre a cadeira dura, obrigando-a a jogar Roleta Russa com aqueles estranhos.

“Faça isso, liberte-se…” uma voz estranha, distante, semelhante ao ruído do vento soprando folhas mortas começou a cantarolar em sua mente, causando arrepios gélidos que irromperam por sua nuca. “Seja livre, silencie a dor, tudo vai acabar, apenas coloque um fim na depressão…”

O sangue de Katarina gelou em suas veias quando o cano morno da arma tocou em sua cabeça, pouco acima da orelha esquerda, sobre seu cabelo preto, então seu dedo indicador começou a pressionar o gatilho. Ela queria gritar, fugir daquele horror, mas uma força sombria, obscura, totalmente depressiva, a estava controlando.

Lágrimas geladas começaram a rolar pela face de Katarina, queimando seu rosto. Ela tinha os dentes cerrados, lutando para abaixar seu braço e jogar aquela arma terrível o mais longe possível. Uma agonia tenebrosa assolava seu espírito, tornando-se um pavor incontrolável.

Como que obedecendo sua vontade o dedo conteve a pressão sobre o gatilho e o braço começou a abaixar, desencostando o cano de sua cabeça. Uma sensação de alívio invadiu seu peito, onde o coração o esmurrava loucamente.

Por um momento Katarina começou a chorar de alívio, feliz por não cometer aquele ato insano de suicídio.

Mas então ela engasgou quando sentiu um gosto ácido de metal em sua boca e deu-se conta, em total estado de choque, que agora o cano do revólver estava em sua boca, entre as fileiras de seus dentes.

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