VÍSCERAS, MIOLOS E MUITA CARNIÇA- Partes 4 e 5 - Allan Fear
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





VÍSCERAS, MIOLOS E MUITA CARNIÇA- Partes 4 e 5

Parte 4

 

Eu chorava desesperado enquanto que com uma mão segurava o volante e com a outra o ombro da minha filha para impedi-la de me devorar.

            Pisei no freio até parar o carro, fazendo Lara cair para a frente, e saí do carro. Mas ela veio atrás de mim, gemendo e com aqueles olhos sem vida, aquele olhar faminto dos mortos.          

            Ela era lenta, saiu engatinhando do carro pela porta do motorista e foi neste momento que eu catei uma grande e pesada pedra, ergui-a com as duas mãos para afundar o crânio de minha filhinha zumbi.

            Lágrimas voltaram a rolar dos meus olhos, queimando minha face enquanto eu fitava minha pobre filhinha aos meus pés, tocando minhas pernas enquanto estalava seus dentes tentando me morder como se eu não passasse de um maldito pedaço de carne.

            Agora era a hora de rachar seu crânio e colocar um fim naquele horror.

 

 

VÍSCERAS, MIOLOS E MUITA CARNIÇA

 

Parte 5

 

Chorando, eu larguei a pedra e peguei minha filha por um dos braços e cabelos, evitando sua boca, e a joguei dentro do porta-malas. Eu definitivamente não estava pronto para perder minha filha, aquela que poderia ser meu único parente ainda… “vivo”? Bem esta não é a palavra certa, talvez “inteiro” seja mais adequada.

***

            De todos as formas do mundo acabar aquela foi a pior e mais fedorenta de todas. Os zumbis andando por aí em bandos e até mesmo grandes hordas, devorando pessoas e animais…  …e o fedor?

            Era fácil detectar zumbis, eles fediam muito, à medida que os dias iam passando e todo meio de comunicação ia sumindo e os zumbis aumentando sua população de mortos-vivos, o cheiro de carniça ia se espalhando por onde eles vagavam.

            Eu me abriguei numa fazenda onde a família havia cometido suicídio e fiquei vivendo ali, deixei minha filha zumbi trancada num quarto e ia alimentando ela com bons suínos ou aves.

            Quando a comida estava escassa eu ia até a cidade saquear algum estabelecimento.

            Mas era uma droga, os mortos fediam demais, eles comiam e comiam e se cagavam todo, era bizarro ver a merda descendo pelas pernas dos que usavam shorts e saias ou vestidos ou mesmo aqueles que cambaleavam nus pelas ruas.

            Mais escroto ainda eram os zumbis de calça, eles vagavam por aí com suas bundas infladas de tanta merda, loucos por devorar mais carne.

            Eu não encontrava uma viva alma por onde eu passava, apenas zumbis fedorentos. Era fácil ficar na surdina e saquear os estabelecimentos sorrateiramente. 

            Foi num dia triste e chuvoso, que eu peguei o rifle que o fazendeiro usou para dar cabo da sua vida e da sua família e coloquei o cano na boca pronto para puxar o gatilho e por fim na minha vida de bosta.            

 

Allan Fear
VÍSCERAS, MIOLOS E MUITA CARNIÇA- Partes 4 e 5

Parte 4

 

Eu chorava desesperado enquanto que com uma mão segurava o volante e com a outra o ombro da minha filha para impedi-la de me devorar.

            Pisei no freio até parar o carro, fazendo Lara cair para a frente, e saí do carro. Mas ela veio atrás de mim, gemendo e com aqueles olhos sem vida, aquele olhar faminto dos mortos.          

            Ela era lenta, saiu engatinhando do carro pela porta do motorista e foi neste momento que eu catei uma grande e pesada pedra, ergui-a com as duas mãos para afundar o crânio de minha filhinha zumbi.

            Lágrimas voltaram a rolar dos meus olhos, queimando minha face enquanto eu fitava minha pobre filhinha aos meus pés, tocando minhas pernas enquanto estalava seus dentes tentando me morder como se eu não passasse de um maldito pedaço de carne.

            Agora era a hora de rachar seu crânio e colocar um fim naquele horror.

 

 

VÍSCERAS, MIOLOS E MUITA CARNIÇA

 

Parte 5

 

Chorando, eu larguei a pedra e peguei minha filha por um dos braços e cabelos, evitando sua boca, e a joguei dentro do porta-malas. Eu definitivamente não estava pronto para perder minha filha, aquela que poderia ser meu único parente ainda… “vivo”? Bem esta não é a palavra certa, talvez “inteiro” seja mais adequada.

***

            De todos as formas do mundo acabar aquela foi a pior e mais fedorenta de todas. Os zumbis andando por aí em bandos e até mesmo grandes hordas, devorando pessoas e animais…  …e o fedor?

            Era fácil detectar zumbis, eles fediam muito, à medida que os dias iam passando e todo meio de comunicação ia sumindo e os zumbis aumentando sua população de mortos-vivos, o cheiro de carniça ia se espalhando por onde eles vagavam.

            Eu me abriguei numa fazenda onde a família havia cometido suicídio e fiquei vivendo ali, deixei minha filha zumbi trancada num quarto e ia alimentando ela com bons suínos ou aves.

            Quando a comida estava escassa eu ia até a cidade saquear algum estabelecimento.

            Mas era uma droga, os mortos fediam demais, eles comiam e comiam e se cagavam todo, era bizarro ver a merda descendo pelas pernas dos que usavam shorts e saias ou vestidos ou mesmo aqueles que cambaleavam nus pelas ruas.

            Mais escroto ainda eram os zumbis de calça, eles vagavam por aí com suas bundas infladas de tanta merda, loucos por devorar mais carne.

            Eu não encontrava uma viva alma por onde eu passava, apenas zumbis fedorentos. Era fácil ficar na surdina e saquear os estabelecimentos sorrateiramente. 

            Foi num dia triste e chuvoso, que eu peguei o rifle que o fazendeiro usou para dar cabo da sua vida e da sua família e coloquei o cano na boca pronto para puxar o gatilho e por fim na minha vida de bosta.