Kafkiana - Ana Rosenrot
Ana Rosenrot
Ana Rosenrot, de Jacareí – SP, é escritora, editora, cineasta trash e pesquisadora de cinema, integrou antologias nacionais e internacionais e participou de várias edições do projeto "A Arte do Terror". Assina a "Coluna CULTíssimo", especializada em cinema e universo cult. No cinema, trabalha com produções independentes, longas e curtas-metragens, quase sempre voltados para o terror e o trash. Recebeu também 7 estatuetas do Prêmio "Corvo de Gesso" (2013-14-15-17), conhecido como "O Oscar do Cinema Trash" e foi curadora das duas edições da “Monstro – Mostra de Cinema Fantástico de Jacareí”(2015-16).
É criadora e editora da Revista LiteraLivre, uma publicação bimestral que uni escritores independentes e autora do livro "Cinema e Cult – vol. 1", lançado em 2018.
http://cultissimo.wixsite.com/anarosenrot/
https://www.facebook.com/AnaRosenrott/
Instagram: @anarosenrot





Kafkiana

Em exaustão,

me atiro no sofá,

a camurça velha pinica e arde,

já está tão tarde,

e eu não consigo sair do lugar…

 

Tem lixo por toda a parte,

e uma barata enorme, insiste em me encarar,

queria o seu corpo fedorento esmagar,

mas não quero me levantar…

 

Ser adulto é tão entediante,

tudo é complicado,

sem propósito;

é uma luta constante,

com destino pré-determinado,

onde só a morte é relevante…

 

Sinto saudade de temer o bicho-papão,

hoje o que me aterroriza,

são as obrigações legais,

e o pagamento do cartão…

 

Queria saber quando me tornei inútil,

e todos os meus sonhos viraram pesadelos,

agora tudo o que já fiz é fútil,

fruto do delírio da juventude passageira…

 

Mas não quero pensar nisso,

nem na última vez que lavei os meus cabelos;

definho em nuvens de poeira,

enquanto a barata cascuda voa faceira,

expondo a imundície mundana,

da minha alma kafkiana.

Ana Rosenrot
Kafkiana

Em exaustão,

me atiro no sofá,

a camurça velha pinica e arde,

já está tão tarde,

e eu não consigo sair do lugar…

 

Tem lixo por toda a parte,

e uma barata enorme, insiste em me encarar,

queria o seu corpo fedorento esmagar,

mas não quero me levantar…

 

Ser adulto é tão entediante,

tudo é complicado,

sem propósito;

é uma luta constante,

com destino pré-determinado,

onde só a morte é relevante…

 

Sinto saudade de temer o bicho-papão,

hoje o que me aterroriza,

são as obrigações legais,

e o pagamento do cartão…

 

Queria saber quando me tornei inútil,

e todos os meus sonhos viraram pesadelos,

agora tudo o que já fiz é fútil,

fruto do delírio da juventude passageira…

 

Mas não quero pensar nisso,

nem na última vez que lavei os meus cabelos;

definho em nuvens de poeira,

enquanto a barata cascuda voa faceira,

expondo a imundície mundana,

da minha alma kafkiana.