Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Bruno Costa
Faz parte de um grupo de RPG chamado Erro Crítico. Foi onde interpretou, durante três anos, um vampiro cafetão do século XIV. Antes de completar 19 anos, Bruno trepou com a Loucura. Depois, traiu sua amante com dois comprimidos.
Às 10:00 horas: Antietanol.
Às 22:00 horas: Carbamazepina. (Nunca entendeu esse aqui)
Foi outro relacionamento que terminou rápido. Ele desprezou a receita ilegível. Mas não reatou com a sua companheira de bebida. Só com o álcool e a solidão. E de vez em quando, a Loucura ainda quer uma rapidinha no escuro.
Ex-Louco cheio de cicatrizes de catapora no rosto. Escreve com violência. Ler até passar mal. Cospe tanta fumaça quanto um incêndio criminoso. Filho do velho Mundo das Trevas. Odeia seres humanos castrados. Ri da própria desgraça. Sonha com a extinção em massa. E tem amor pelas putas assumidas.
Com uma mistura de frescura e brutalidade, ele sentou-se com Álvares de Azevedo numa Noite na Taverna, o Poeta bebeu sangue de virgem, enquanto Bruno bebia o mijo do Diabo. Claro que passou mal!
Nunca mais parou de vomitar.
O resultado foi uma sopa de letrinhas que formam palavrões. No estilo: vai tomar no cu, filho da puta! Que mijo horrível! Coloca mais, aí!
E-mail: bruno.grazoonp@gmail.com
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Água Inquietante – parte 2

— Ele quem, Lucia? — Rebeca se inclina e coloca a mão no joelho da jovem.

— Eu sei! Eu sei! Foi ele que matou a velha. — Ela recolhe o joelho e lança olhares para todos os lados, sem parar em um ponto fixo.

— O seu filho? Foi ele? — Rebeca arrisca.

— Foi doutora! Eu te disse. Ele tá vivo! Ele tá vivo! Eu vi! Ela jogou o bichinho no rio, eu tava vendo, ela também falou aquelas coisas horríveis e tá tudo acontecendo. Aquela bruxa doida jogou uma praga na cidade. — Lucia respira rápido e finalmente os olhos param em um ponto distante e cruel de sua memória.

— O que está acontecendo?

— O CHORO! Foi bem no início doutora, vai dizer que a senhora num ouviu? Ele vai matar todo mundo! — A garota se levanta da cadeira e começa a dar voltas pela sala. — Agora ele tá rindo da gente.

Rebeca já acompanhava o caso de Lucia a tanto tempo, que de fato, o que vinha acontecendo em Paulino Neves poderia ser correlacionado com o que a garota dizia, antes mesmo de acontecer tais mistérios.

De alguma forma, três dias depois do “parto”, o segredo da jovem se espalhou pela cidade em milhares de versões alternativas. Cada palavra sussurrada em uma esquina ao seu respeito, contribuía com o seu isolamento.

Em uma semana ela abandonou a escola, deixando para atrás os colegas que cuspiram palavras de ódio em cima dos seus sonhos. Sem força para negar, seus pais a pressionaram. O mundo de Lucia ruiu. Meses sem pisar os pés fora de casa. Rebeca foi lhe visitar a pedido dos familiares, a psicóloga convenceu a garota a viver. Logo, Lucia começou a ir em todas as sessões, contou sobre o que aconteceu naquela noite chuvosa e o que viu após acordar ensanguentada naquele casebre funesto.

Ela correria para sua casa se tivesse energia naquele momento, mas os mantras doentio daquela velha lhe chegou aos ouvidos, e seguindo o som, ela viu a cena que estilhaçou sua sanidade.

E agora? Lucia sabe! Existe algo no rio.

01 de janeiro de 2015, 3:47 da manhã.

Ela espera. Escuta as águas abaixo, senti o frio da madrugada, vê as últimas luzes das habitações ao longe se apagarem. Olha para o rio, um passo, e ela já está na borda da ponte de madeira. Se senta, balança os pés no ar, apoia o queixo nas mãos juntas e suspira.

— Tlá-Tlá-Tlá-Tlá — O som ecoa, a risada instintiva de algo que nenhum ser humano poderia produzir. Uma mistura horrenda de um coaxar de anfíbio com uma gargalhada brutal.

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Bruno Costa
Água Inquietante – parte 2

— Ele quem, Lucia? — Rebeca se inclina e coloca a mão no joelho da jovem.

— Eu sei! Eu sei! Foi ele que matou a velha. — Ela recolhe o joelho e lança olhares para todos os lados, sem parar em um ponto fixo.

— O seu filho? Foi ele? — Rebeca arrisca.

— Foi doutora! Eu te disse. Ele tá vivo! Ele tá vivo! Eu vi! Ela jogou o bichinho no rio, eu tava vendo, ela também falou aquelas coisas horríveis e tá tudo acontecendo. Aquela bruxa doida jogou uma praga na cidade. — Lucia respira rápido e finalmente os olhos param em um ponto distante e cruel de sua memória.

— O que está acontecendo?

— O CHORO! Foi bem no início doutora, vai dizer que a senhora num ouviu? Ele vai matar todo mundo! — A garota se levanta da cadeira e começa a dar voltas pela sala. — Agora ele tá rindo da gente.

Rebeca já acompanhava o caso de Lucia a tanto tempo, que de fato, o que vinha acontecendo em Paulino Neves poderia ser correlacionado com o que a garota dizia, antes mesmo de acontecer tais mistérios.

De alguma forma, três dias depois do “parto”, o segredo da jovem se espalhou pela cidade em milhares de versões alternativas. Cada palavra sussurrada em uma esquina ao seu respeito, contribuía com o seu isolamento.

Em uma semana ela abandonou a escola, deixando para atrás os colegas que cuspiram palavras de ódio em cima dos seus sonhos. Sem força para negar, seus pais a pressionaram. O mundo de Lucia ruiu. Meses sem pisar os pés fora de casa. Rebeca foi lhe visitar a pedido dos familiares, a psicóloga convenceu a garota a viver. Logo, Lucia começou a ir em todas as sessões, contou sobre o que aconteceu naquela noite chuvosa e o que viu após acordar ensanguentada naquele casebre funesto.

Ela correria para sua casa se tivesse energia naquele momento, mas os mantras doentio daquela velha lhe chegou aos ouvidos, e seguindo o som, ela viu a cena que estilhaçou sua sanidade.

E agora? Lucia sabe! Existe algo no rio.

01 de janeiro de 2015, 3:47 da manhã.

Ela espera. Escuta as águas abaixo, senti o frio da madrugada, vê as últimas luzes das habitações ao longe se apagarem. Olha para o rio, um passo, e ela já está na borda da ponte de madeira. Se senta, balança os pés no ar, apoia o queixo nas mãos juntas e suspira.

— Tlá-Tlá-Tlá-Tlá — O som ecoa, a risada instintiva de algo que nenhum ser humano poderia produzir. Uma mistura horrenda de um coaxar de anfíbio com uma gargalhada brutal.

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