Água Inquietante - parte 2 - Bruno Costa
Bruno Costa
Faz parte de um grupo de RPG chamado Erro Crítico. Foi onde interpretou, durante três anos, um vampiro cafetão do século XIV. Antes de completar 19 anos, Bruno trepou com a Loucura. Depois, traiu sua amante com dois comprimidos.
Às 10:00 horas: Antietanol.
Às 22:00 horas: Carbamazepina. (Nunca entendeu esse aqui)
Foi outro relacionamento que terminou rápido. Ele desprezou a receita ilegível. Mas não reatou com a sua companheira de bebida. Só com o álcool e a solidão. E de vez em quando, a Loucura ainda quer uma rapidinha no escuro.
Ex-Louco cheio de cicatrizes de catapora no rosto. Escreve com violência. Ler até passar mal. Cospe tanta fumaça quanto um incêndio criminoso. Filho do velho Mundo das Trevas. Odeia seres humanos castrados. Ri da própria desgraça. Sonha com a extinção em massa. E tem amor pelas putas assumidas.
Com uma mistura de frescura e brutalidade, ele sentou-se com Álvares de Azevedo numa Noite na Taverna, o Poeta bebeu sangue de virgem, enquanto Bruno bebia o mijo do Diabo. Claro que passou mal!
Nunca mais parou de vomitar.
O resultado foi uma sopa de letrinhas que formam palavrões. No estilo: vai tomar no cu, filho da puta! Que mijo horrível! Coloca mais, aí!
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Água Inquietante – parte 2

Os olhos de Lucia brilham, seus pés param de balançar.

— Cê veio — Ela fica de pé. O barulho de um carro se aproxima. — Ela também chegou. Bem na hora! — sussurra, ainda com os olhos no rio.

Na esquerda de Lucia, uma carro vermelho estaciona no início da ponte, que era larga o suficiente para passar um veículo. Mas a motorista desce do carro e vai até ela, a pé.

— Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá

A mulher trava no meio do percurso. Seus olhos arregalados encontram os de Lucia.

— Vem doutora! Cê já tá com medo?

Rebeca continua. O coração acelerado, o arrepio ao escutar aquele som e o passo que volta vacilante. Sim! Tudo isso é a resposta silenciosa. Ela já está com medo.

— O que foi isso, Lucia? Porque me chamou aqui a essa hora? O que vai fazer? — Rebeca observa a garota muito perto da borda.

— Isso? Isso é o meu Nego D´água, vem pra mamãe, querido!

— Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá — o barulho é alto. É rápido. Os cães latem alarmados. Rebeca congela no ponto onde está.

Com dificuldade, ela lança um olhar para a esquerda e abaixo. Uma cabeça escura está lhe observando com olhos amarelos, mas naquela escuridão, assemelhavam-se a dois faróis. Uma erupção d´água ocorre. A coisa salta. Um segundo silencioso. Uma pancada seca na madeira.

O coração da psicóloga nunca trabalhou tanto.

O Nego D´água está de cócoras na ponte. Aquilo não deveria existir. Um ser humano musculoso com escamas brilhantes, barbatanas dos ombros aos pulsos, pés e mãos de pato, guelras no pescoço, lábios verde como lodo, a pele negra como a de Lucia. Os olhos são bolas amarelas, sem pupilas. Rebeca tenta articular a boca. Nada. Nenhum som expressaria o horror da alma. A coisa fica ereta como um homem. As pernas da mulher fraquejam. Lágrimas mudas caem dos olhos.

— Cê já sabe, né? Tava achando que eu te chamei até aqui pra me salvar, doutora? Me poupe! Ninguém salvou aquela velha nojenta dele e ninguém vai te salvar também. — Lucia sorri alucinada. E continua. — Meu bebê é animal! Cresceu rápido! Mas graças a Deus, ele sabe quem é a mãe. O instinto materno não falha, doutora.

— Porque? — A voz sai rouca e baixa.

— Esse lugar me julgou! E é eu que pergunto: Porque? VAI NEGO! Leva ela!

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Bruno Costa
Água Inquietante – parte 2

Os olhos de Lucia brilham, seus pés param de balançar.

— Cê veio — Ela fica de pé. O barulho de um carro se aproxima. — Ela também chegou. Bem na hora! — sussurra, ainda com os olhos no rio.

Na esquerda de Lucia, uma carro vermelho estaciona no início da ponte, que era larga o suficiente para passar um veículo. Mas a motorista desce do carro e vai até ela, a pé.

— Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá

A mulher trava no meio do percurso. Seus olhos arregalados encontram os de Lucia.

— Vem doutora! Cê já tá com medo?

Rebeca continua. O coração acelerado, o arrepio ao escutar aquele som e o passo que volta vacilante. Sim! Tudo isso é a resposta silenciosa. Ela já está com medo.

— O que foi isso, Lucia? Porque me chamou aqui a essa hora? O que vai fazer? — Rebeca observa a garota muito perto da borda.

— Isso? Isso é o meu Nego D´água, vem pra mamãe, querido!

— Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá-Tlá — o barulho é alto. É rápido. Os cães latem alarmados. Rebeca congela no ponto onde está.

Com dificuldade, ela lança um olhar para a esquerda e abaixo. Uma cabeça escura está lhe observando com olhos amarelos, mas naquela escuridão, assemelhavam-se a dois faróis. Uma erupção d´água ocorre. A coisa salta. Um segundo silencioso. Uma pancada seca na madeira.

O coração da psicóloga nunca trabalhou tanto.

O Nego D´água está de cócoras na ponte. Aquilo não deveria existir. Um ser humano musculoso com escamas brilhantes, barbatanas dos ombros aos pulsos, pés e mãos de pato, guelras no pescoço, lábios verde como lodo, a pele negra como a de Lucia. Os olhos são bolas amarelas, sem pupilas. Rebeca tenta articular a boca. Nada. Nenhum som expressaria o horror da alma. A coisa fica ereta como um homem. As pernas da mulher fraquejam. Lágrimas mudas caem dos olhos.

— Cê já sabe, né? Tava achando que eu te chamei até aqui pra me salvar, doutora? Me poupe! Ninguém salvou aquela velha nojenta dele e ninguém vai te salvar também. — Lucia sorri alucinada. E continua. — Meu bebê é animal! Cresceu rápido! Mas graças a Deus, ele sabe quem é a mãe. O instinto materno não falha, doutora.

— Porque? — A voz sai rouca e baixa.

— Esse lugar me julgou! E é eu que pergunto: Porque? VAI NEGO! Leva ela!

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