O Circo Rasga Garganta – 2º Ato: O Domador de Leões - Bruno Costa
Bruno Costa
Faz parte de um grupo de RPG chamado Erro Crítico. Foi onde interpretou, durante três anos, um vampiro cafetão do século XIV. Antes de completar 19 anos, Bruno trepou com a Loucura. Depois, traiu sua amante com dois comprimidos.
Às 10:00 horas: Antietanol.
Às 22:00 horas: Carbamazepina. (Nunca entendeu esse aqui)
Foi outro relacionamento que terminou rápido. Ele desprezou a receita ilegível. Mas não reatou com a sua companheira de bebida. Só com o álcool e a solidão. E de vez em quando, a Loucura ainda quer uma rapidinha no escuro.
Ex-Louco cheio de cicatrizes de catapora no rosto. Escreve com violência. Ler até passar mal. Cospe tanta fumaça quanto um incêndio criminoso. Filho do velho Mundo das Trevas. Odeia seres humanos castrados. Ri da própria desgraça. Sonha com a extinção em massa. E tem amor pelas putas assumidas.
Com uma mistura de frescura e brutalidade, ele sentou-se com Álvares de Azevedo numa Noite na Taverna, o Poeta bebeu sangue de virgem, enquanto Bruno bebia o mijo do Diabo. Claro que passou mal!
Nunca mais parou de vomitar.
O resultado foi uma sopa de letrinhas que formam palavrões. No estilo: vai tomar no cu, filho da puta! Que mijo horrível! Coloca mais, aí!
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O Circo Rasga Garganta – 2º Ato: O Domador de Leões

— E agora! Tragam a jaula, o chicote e o sadismo. O nome dele é Daniel. Que nem o da Bíblia! E ele não tem amor no coração, mas o dele bombeia sangue pra caralho!

Isso! Uma delícia, já consigo ouvir os rugidos da fome.

São os meus gatinhos.

Os escravos arrastam a jaula com rodinhas. Assim como os vendedores que circulam pela arquibancada, nenhum deles possuem olhos, boca e nariz. Um papel em branco é a face de cada um, sem identidade.

Os felinos ficam inquietos com toda a gritaria. Estão na beira do canibalismo. As costelas marcam a pele cicatrizada. Dos olhos escorrem secreções, um paraíso de mosquitos os deixam quase na cegueira total.

Um descuidado! Tinha que ser o novato. O braço foi dilacerado com uma mordida. O escravo cai no chão, rola em agonia muda. Os outros param de arrastar a jaula.

— Sim! Nossos gatinhos estão com fome. Será que Daniel dará conta. Aquela leoa com o olho furado comeu o próprio filhote.

Caminho até o preguiçoso no chão. Chuto uma, duas, três vezes.

— Se levanta e continua arrastando. Aqui não tem descanso.

O sem-braço se ergue e volta ao trabalho.

Os animais farejam o sangue fresco. A jaula tem o peso concentrado na ponta esquerda. E o pobre novato deixa um rastro de urina pela areia. O medo atiçando a fome é excitante. A segunda batida de tambor é magistral. O brilho da brasa no véu negro incentiva a fúria das bestas aprisionadas. Ao fundo, uma sombra. Ele sai da escuridão no meio das cortinas vermelhas.

Daniel!

O olhar de matador, o cinto de vaqueiro machão, um chicote e uma faca preso nele. Tatuagens tribais no rosto, músculos deliciosos para serem saboreados por leões famintos. — Eu adoro suicidas. — Os passos pesados vem até mim. Estendo o microfone até aquela boquinha sexy e descarnada.

— Já posso começar?

— Calma aí, grandão! — Viro o olhar para o povo. — Pessoal! Para quem não sabe, esse é mais um Daniel. Ele é o número 523. Já perdemos 522 Danieis. É um pouco triste, mas todo mundo é substituído em um dia de verão. Quer falar alguma coisa?

— Não, eu quero começar. — Ele puxa o chicote preso ao cinto e emite um estralo ao estica-lo com as mãos.

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Bruno Costa
O Circo Rasga Garganta – 2º Ato: O Domador de Leões

— E agora! Tragam a jaula, o chicote e o sadismo. O nome dele é Daniel. Que nem o da Bíblia! E ele não tem amor no coração, mas o dele bombeia sangue pra caralho!

Isso! Uma delícia, já consigo ouvir os rugidos da fome.

São os meus gatinhos.

Os escravos arrastam a jaula com rodinhas. Assim como os vendedores que circulam pela arquibancada, nenhum deles possuem olhos, boca e nariz. Um papel em branco é a face de cada um, sem identidade.

Os felinos ficam inquietos com toda a gritaria. Estão na beira do canibalismo. As costelas marcam a pele cicatrizada. Dos olhos escorrem secreções, um paraíso de mosquitos os deixam quase na cegueira total.

Um descuidado! Tinha que ser o novato. O braço foi dilacerado com uma mordida. O escravo cai no chão, rola em agonia muda. Os outros param de arrastar a jaula.

— Sim! Nossos gatinhos estão com fome. Será que Daniel dará conta. Aquela leoa com o olho furado comeu o próprio filhote.

Caminho até o preguiçoso no chão. Chuto uma, duas, três vezes.

— Se levanta e continua arrastando. Aqui não tem descanso.

O sem-braço se ergue e volta ao trabalho.

Os animais farejam o sangue fresco. A jaula tem o peso concentrado na ponta esquerda. E o pobre novato deixa um rastro de urina pela areia. O medo atiçando a fome é excitante. A segunda batida de tambor é magistral. O brilho da brasa no véu negro incentiva a fúria das bestas aprisionadas. Ao fundo, uma sombra. Ele sai da escuridão no meio das cortinas vermelhas.

Daniel!

O olhar de matador, o cinto de vaqueiro machão, um chicote e uma faca preso nele. Tatuagens tribais no rosto, músculos deliciosos para serem saboreados por leões famintos. — Eu adoro suicidas. — Os passos pesados vem até mim. Estendo o microfone até aquela boquinha sexy e descarnada.

— Já posso começar?

— Calma aí, grandão! — Viro o olhar para o povo. — Pessoal! Para quem não sabe, esse é mais um Daniel. Ele é o número 523. Já perdemos 522 Danieis. É um pouco triste, mas todo mundo é substituído em um dia de verão. Quer falar alguma coisa?

— Não, eu quero começar. — Ele puxa o chicote preso ao cinto e emite um estralo ao estica-lo com as mãos.

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