Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
C.B. Kaihatsu
C. B. Kaihatsu é escritora, poetisa, engenheira de controle e automação, bailarina clássica e de jazz e colunista cultural do Jornal Tribuna de Paulínia, da revista Amazing e do site CultEcléticos.
Coautora do livro “Retalhos: Almas em Versos” (Editora Empíreo), vencedor do Prêmio Brasil Entre Palavras na categoria Melhor Livro de Poesia de 2016, também participou das antologias: Mais Amor, Por Favor (Editora Coerência), Arquivos do Mal (Editora Coerência), A Arte do Terror – Cartas (Elemental Editoração). É organizadora da antologia de contos de terror e suspense “A Sociedade dos Corvos” publicada este ano pela Editora Coerência. O Mestre do Horror, R. F. Lucchetti, participa como prefaciador e autor convidado.
Ainda em 2017, possui participação nas antologias: Vampiro: Um Livro Colaborativo (Editora Empíreo) , Playlist – Contos Musicais (Editora Rouxinol) e Noite Natalina (Editora Skull).
Fã de Fórmula 1, já colaborou com artigos para o blog F1 – Fórmula 1.

E-mail: c.b.kaihatsu@gmail.com
Fanpage: facebook.com/C.B.Kaihatsu
Wattpad: CBKaihatsu






A Ceifadora

Glamorgan, 18 de Agosto de 1607

Caro Conde de Glamorgan,

Em primeiro lugar, gostaria de lhe dizer para não se assustar ao não achar nome ou endereço do remetente, esta carta não chegou à sua casa de modo convencional.
Sim, é sangue e não tinta vermelha. Não me julgue mal. Era a única coisa que tinha para escrever. Na verdade, tenho bastante! Então aproveito para usar com a pena no lugar do nanquim. Você deve estar se perguntando se é meu sangue. Não é meu. É do meu último destinatário, ou melhor, destinatária. Era uma mulher.
Se eu fosse você, leria até o final. Tudo o que aqui está escrito é de grande interesse seu. Irá entender quando chegar ao final. Por ora, só peço que seja paciente e me acompanhe.
Simon Ward, ou deveria chamá-lo de George Phillips, o Conde de Glamorgan?
Surpreso por eu saber o seu segredo? Hoje, vocês são conhecidos por outros nomes, mas ao longo dos séculos eu procurei cada um de vocês. Persegui toda a sua linhagem! Simon, você é o último Ward vivo.
Pensou mesmo que não seria cobrada a pena dos crimes que você e seus antepassados cometeram ao longo da história?
Assassinatos, saques, estupros e golpes. Este é o legado da família Ward. Mãos sujas com sangue de inocentes! Almas maculadas com tudo o que há de pior! Déspotas! Vis! Cruéis! Demônios encarnados! Estes são os Ward!
Ah! Posso adivinhar o que está pensando neste momento! Que não é o único a carregar esse sangue amaldiçoado! Ledo engano, caro amigo! A criança que sua jovem esposa carrega no ventre já está morta. Eu levei o pequeno ontem. Sim. Era um menino. Não podia deixá-lo propagar as maldades da família Ward. Esse é o único que foi puro. Terá destino melhor. Quanto a você, uma eternidade de dor e sofrimento lhe espera.
Aposto que está a pensar como sei de tudo isso. Eu sei tudo sobre todas as coisas, Simon. Suponho que não haja problema chamar o falso conde por seu prenome, já que nos sinto tão íntimos.
Aproveite suas últimas horas com sabedoria. Você pode até ter conseguido me enganar por algum tempo, mas nenhuma alma viva consegue fugir de mim.

Páginas: 1 2

C.B. Kaihatsu
A Ceifadora

Glamorgan, 18 de Agosto de 1607

Caro Conde de Glamorgan,

Em primeiro lugar, gostaria de lhe dizer para não se assustar ao não achar nome ou endereço do remetente, esta carta não chegou à sua casa de modo convencional.
Sim, é sangue e não tinta vermelha. Não me julgue mal. Era a única coisa que tinha para escrever. Na verdade, tenho bastante! Então aproveito para usar com a pena no lugar do nanquim. Você deve estar se perguntando se é meu sangue. Não é meu. É do meu último destinatário, ou melhor, destinatária. Era uma mulher.
Se eu fosse você, leria até o final. Tudo o que aqui está escrito é de grande interesse seu. Irá entender quando chegar ao final. Por ora, só peço que seja paciente e me acompanhe.
Simon Ward, ou deveria chamá-lo de George Phillips, o Conde de Glamorgan?
Surpreso por eu saber o seu segredo? Hoje, vocês são conhecidos por outros nomes, mas ao longo dos séculos eu procurei cada um de vocês. Persegui toda a sua linhagem! Simon, você é o último Ward vivo.
Pensou mesmo que não seria cobrada a pena dos crimes que você e seus antepassados cometeram ao longo da história?
Assassinatos, saques, estupros e golpes. Este é o legado da família Ward. Mãos sujas com sangue de inocentes! Almas maculadas com tudo o que há de pior! Déspotas! Vis! Cruéis! Demônios encarnados! Estes são os Ward!
Ah! Posso adivinhar o que está pensando neste momento! Que não é o único a carregar esse sangue amaldiçoado! Ledo engano, caro amigo! A criança que sua jovem esposa carrega no ventre já está morta. Eu levei o pequeno ontem. Sim. Era um menino. Não podia deixá-lo propagar as maldades da família Ward. Esse é o único que foi puro. Terá destino melhor. Quanto a você, uma eternidade de dor e sofrimento lhe espera.
Aposto que está a pensar como sei de tudo isso. Eu sei tudo sobre todas as coisas, Simon. Suponho que não haja problema chamar o falso conde por seu prenome, já que nos sinto tão íntimos.
Aproveite suas últimas horas com sabedoria. Você pode até ter conseguido me enganar por algum tempo, mas nenhuma alma viva consegue fugir de mim.

Páginas: 1 2