Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
C.B. Kaihatsu
C. B. Kaihatsu é escritora, poetisa, engenheira de controle e automação, bailarina clássica e de jazz e colunista cultural do Jornal Tribuna de Paulínia, da revista Amazing e do site CultEcléticos.
Coautora do livro “Retalhos: Almas em Versos” (Editora Empíreo), vencedor do Prêmio Brasil Entre Palavras na categoria Melhor Livro de Poesia de 2016, também participou das antologias: Mais Amor, Por Favor (Editora Coerência), Arquivos do Mal (Editora Coerência), A Arte do Terror – Cartas (Elemental Editoração). É organizadora da antologia de contos de terror e suspense “A Sociedade dos Corvos” publicada este ano pela Editora Coerência. O Mestre do Horror, R. F. Lucchetti, participa como prefaciador e autor convidado.
Ainda em 2017, possui participação nas antologias: Vampiro: Um Livro Colaborativo (Editora Empíreo) , Playlist – Contos Musicais (Editora Rouxinol) e Noite Natalina (Editora Skull).
Fã de Fórmula 1, já colaborou com artigos para o blog F1 – Fórmula 1.

E-mail: c.b.kaihatsu@gmail.com
Fanpage: facebook.com/C.B.Kaihatsu
Wattpad: CBKaihatsu






A Cidade das Noivas Mortas

Ninguém poderia imaginar como o mal surgiu na pacata cidade do interior de São Paulo, Paulínia. Uma das cidades mais ricas da região, que ostenta obras faraônicas, sendo justamente numa dessas onde tudo começou.

Em cada saída da cidade há um portal temático, o que possuía menos esplendor era o circense que em 2009 foi substituído pelo portal greco-romano. Uma imponente construção, toda revestida em mármore branco, apresentava dez estátuas de cada lado e no centro a de um homem montado num cavalo, pareciam guardiões do município.

No ano seguinte a construção, uma tragédia ocorreu. Na véspera de seu casamento, a jovem Sofia, até hoje não se sabe como ela conseguiu, escalou até o topo do portal, proferiu abominações em linguagem incompreensível e atirou-se ao vazio para uma morte instantânea. Muito barulho, sirenes ligadas, alguns curiosos, parentes desolados e um homem que chorava copiosamente, seu noivo Edgar. Levaram o corpo para o necrotério, um a um todos se foram deixando para trás aquela cena de horror e um homem no qual não jazia mais vida no olhar.

Edgar deitou-se no gramado, chorou, praguejou e por fim barganhou. Sentiu um ar gélido envolver todo o seu corpo, olhou no seu relógio de pulso, que marcava três horas da manhã, a hora morta, a melhor hora para negociar com o diabo. E assim foi feito. Tomado pela loucura o homem fez um acordo com o demônio, levaria uma mulher nubente a cada equinócio e solstício até totalizar o número de vinte, a quantidade de estátuas do portal. Deveria vesti-las de noiva e com um punhal arrancar seu coração e comê-lo, como prova do seu amor à Sofia. As almas das pobres infelizes seriam oferecidas de bom grado ao diabo. Quando conseguisse a última alma, teria sua amada de volta.

A primeira vítima foi difícil, olhos suplicantes se encontraram com os de Edgar, fazendo-o lembrar de sua noiva suicida. Hesitou por um momento, mas pontualmente às três horas da manhã apunhalou a jovem e arrancou-lhe do peito o coração. Sentindo o sangue quente e inocente em suas mãos, chorou e em seguida devorou com asco o órgão vital que acabara de tirar da moça. Ajeitou a morta com cuidado no mesmo gramado que havia deitado meses antes e ficou esperando seu credor aparecer. E a alma da mulher fora aprisionada numa das estátuas. A partir deste dia, toda noite Edgar escutava os lamentos da mulher assassinada, estava a ponto de enlouquecer. Mas nada o faria desistir de ter Sofia de volta. A pequena cidade virou um pandemônio, tamanho o choque de todos com um crime tão brutal.

Quando a segunda mulher fora assassinada começaram teorias sobre um serial killer à solta em Paulínia. Mas o boato que ganhou mais força foi o de que alguma entidade maligna estava tomando para si as vítimas como esposas. Todas as mulheres que estavam às vésperas do casamento ficaram alarmadas, mas alguns meses se passaram e nada aconteceu.

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C.B. Kaihatsu
A Cidade das Noivas Mortas

Ninguém poderia imaginar como o mal surgiu na pacata cidade do interior de São Paulo, Paulínia. Uma das cidades mais ricas da região, que ostenta obras faraônicas, sendo justamente numa dessas onde tudo começou.

Em cada saída da cidade há um portal temático, o que possuía menos esplendor era o circense que em 2009 foi substituído pelo portal greco-romano. Uma imponente construção, toda revestida em mármore branco, apresentava dez estátuas de cada lado e no centro a de um homem montado num cavalo, pareciam guardiões do município.

No ano seguinte a construção, uma tragédia ocorreu. Na véspera de seu casamento, a jovem Sofia, até hoje não se sabe como ela conseguiu, escalou até o topo do portal, proferiu abominações em linguagem incompreensível e atirou-se ao vazio para uma morte instantânea. Muito barulho, sirenes ligadas, alguns curiosos, parentes desolados e um homem que chorava copiosamente, seu noivo Edgar. Levaram o corpo para o necrotério, um a um todos se foram deixando para trás aquela cena de horror e um homem no qual não jazia mais vida no olhar.

Edgar deitou-se no gramado, chorou, praguejou e por fim barganhou. Sentiu um ar gélido envolver todo o seu corpo, olhou no seu relógio de pulso, que marcava três horas da manhã, a hora morta, a melhor hora para negociar com o diabo. E assim foi feito. Tomado pela loucura o homem fez um acordo com o demônio, levaria uma mulher nubente a cada equinócio e solstício até totalizar o número de vinte, a quantidade de estátuas do portal. Deveria vesti-las de noiva e com um punhal arrancar seu coração e comê-lo, como prova do seu amor à Sofia. As almas das pobres infelizes seriam oferecidas de bom grado ao diabo. Quando conseguisse a última alma, teria sua amada de volta.

A primeira vítima foi difícil, olhos suplicantes se encontraram com os de Edgar, fazendo-o lembrar de sua noiva suicida. Hesitou por um momento, mas pontualmente às três horas da manhã apunhalou a jovem e arrancou-lhe do peito o coração. Sentindo o sangue quente e inocente em suas mãos, chorou e em seguida devorou com asco o órgão vital que acabara de tirar da moça. Ajeitou a morta com cuidado no mesmo gramado que havia deitado meses antes e ficou esperando seu credor aparecer. E a alma da mulher fora aprisionada numa das estátuas. A partir deste dia, toda noite Edgar escutava os lamentos da mulher assassinada, estava a ponto de enlouquecer. Mas nada o faria desistir de ter Sofia de volta. A pequena cidade virou um pandemônio, tamanho o choque de todos com um crime tão brutal.

Quando a segunda mulher fora assassinada começaram teorias sobre um serial killer à solta em Paulínia. Mas o boato que ganhou mais força foi o de que alguma entidade maligna estava tomando para si as vítimas como esposas. Todas as mulheres que estavam às vésperas do casamento ficaram alarmadas, mas alguns meses se passaram e nada aconteceu.

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