Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
C.B. Kaihatsu
C. B. Kaihatsu é escritora, poetisa, engenheira de controle e automação, bailarina clássica e de jazz e colunista cultural do Jornal Tribuna de Paulínia, da revista Amazing e do site CultEcléticos.
Coautora do livro “Retalhos: Almas em Versos” (Editora Empíreo), vencedor do Prêmio Brasil Entre Palavras na categoria Melhor Livro de Poesia de 2016, também participou das antologias: Mais Amor, Por Favor (Editora Coerência), Arquivos do Mal (Editora Coerência), A Arte do Terror – Cartas (Elemental Editoração). É organizadora da antologia de contos de terror e suspense “A Sociedade dos Corvos” publicada este ano pela Editora Coerência. O Mestre do Horror, R. F. Lucchetti, participa como prefaciador e autor convidado.
Ainda em 2017, possui participação nas antologias: Vampiro: Um Livro Colaborativo (Editora Empíreo) , Playlist – Contos Musicais (Editora Rouxinol) e Noite Natalina (Editora Skull).
Fã de Fórmula 1, já colaborou com artigos para o blog F1 – Fórmula 1.

E-mail: c.b.kaihatsu@gmail.com
Fanpage: facebook.com/C.B.Kaihatsu
Wattpad: CBKaihatsu






A Cidade das Noivas Mortas

Até que Edgar raptou e assassinou a terceira mulher, fazendo a lenda urbana voltar com força total, e a cidade que outrora era conhecida por sua riqueza ficou marcada como a cidade das noivas mortas.

As autoridades não sabiam o que pensar, nenhum objeto roubado das vítimas, tampouco pedido de resgate e não havia sinais de violência sexual. Pela brutalidade da morte, sem motivo aparente, também começaram a suspeitar de crime ligado a algum tipo de ritual satânico.

Com o tempo, Edgar já não sentia mais pesar pelas vítimas, lá pela quinta vítima começou a gostar de matar. Não tinha pressa em seu ritual macabro. Regozijava-se ao sentir o punhal cortar a carne da mulher, e um prazer sexual tomava conta do seu ser a cada golpe que desferia. Cada morte se tornava mais lenta e dolorosa. E ele apreciava cada vez mais o coração humano como iguaria. Tinha fome dele e ansiava sempre pelo próximo equinócio ou solstício.

Após cinco anos, finalmente cumpriria o maldito trato, oferecendo a alma da vigésima noiva. Aproveitou cada minuto do assassinato que deveria realizar com o mesmo modus operandi utilizado com as outras dezenove mulheres. Esta foi a mais resignada de todas, sabia que seu destino estava selado, e que nada poderia fazer contra forças ocultas ou malignas. Depois de comer o último coração até lambeu os dedos, queria sentir o sangue, deleitava-se com toda essa sordidez.

O demônio também cumpriu sua parte nesse infame pacto. Aprisionou a alma da mulher na estátua de soldado e esta se juntou as outras num lamento triste e melodioso. Edgar aguardava ansiosamente por sua amada Sofia. Ele olhava maravilhado para uma luz bem forte que rodeava Sofia, que trajava o mesmo vestido da fatídica noite. A luz cessou e o horror tomou conta de Edgar. A mulher não voltara exatamente como ele imaginava. Não era uma morta e nem uma viva, era morta-viva. Os cabelos sedosos pelos quais ele gostava de passear com os dedos estavam sujos e desgrenhados, a maçã do rosto carcomida, a carne em estado de putrefação e uma das mãos totalmente descarnada.

Sentiu uma ojeriza tão grande pela aparência de Sofia e por todos os atos vis que havia cometido que vomitou aos pés dela, uma golfada escura que lembrava petróleo.

O homem correu como um maratonista e trancou-se em sua casa, deixando para trás Sofia com sua meia-vida. Ela chorou e amaldiçoou o ex-noivo por tê-la tirado da paz de sua morte para simplesmente abandoná-la a própria sorte. O que Edgar não poderia imaginar é que Sofia também faria um pacto com o diabo.

Páginas: 1 2 3

C.B. Kaihatsu
A Cidade das Noivas Mortas

Até que Edgar raptou e assassinou a terceira mulher, fazendo a lenda urbana voltar com força total, e a cidade que outrora era conhecida por sua riqueza ficou marcada como a cidade das noivas mortas.

As autoridades não sabiam o que pensar, nenhum objeto roubado das vítimas, tampouco pedido de resgate e não havia sinais de violência sexual. Pela brutalidade da morte, sem motivo aparente, também começaram a suspeitar de crime ligado a algum tipo de ritual satânico.

Com o tempo, Edgar já não sentia mais pesar pelas vítimas, lá pela quinta vítima começou a gostar de matar. Não tinha pressa em seu ritual macabro. Regozijava-se ao sentir o punhal cortar a carne da mulher, e um prazer sexual tomava conta do seu ser a cada golpe que desferia. Cada morte se tornava mais lenta e dolorosa. E ele apreciava cada vez mais o coração humano como iguaria. Tinha fome dele e ansiava sempre pelo próximo equinócio ou solstício.

Após cinco anos, finalmente cumpriria o maldito trato, oferecendo a alma da vigésima noiva. Aproveitou cada minuto do assassinato que deveria realizar com o mesmo modus operandi utilizado com as outras dezenove mulheres. Esta foi a mais resignada de todas, sabia que seu destino estava selado, e que nada poderia fazer contra forças ocultas ou malignas. Depois de comer o último coração até lambeu os dedos, queria sentir o sangue, deleitava-se com toda essa sordidez.

O demônio também cumpriu sua parte nesse infame pacto. Aprisionou a alma da mulher na estátua de soldado e esta se juntou as outras num lamento triste e melodioso. Edgar aguardava ansiosamente por sua amada Sofia. Ele olhava maravilhado para uma luz bem forte que rodeava Sofia, que trajava o mesmo vestido da fatídica noite. A luz cessou e o horror tomou conta de Edgar. A mulher não voltara exatamente como ele imaginava. Não era uma morta e nem uma viva, era morta-viva. Os cabelos sedosos pelos quais ele gostava de passear com os dedos estavam sujos e desgrenhados, a maçã do rosto carcomida, a carne em estado de putrefação e uma das mãos totalmente descarnada.

Sentiu uma ojeriza tão grande pela aparência de Sofia e por todos os atos vis que havia cometido que vomitou aos pés dela, uma golfada escura que lembrava petróleo.

O homem correu como um maratonista e trancou-se em sua casa, deixando para trás Sofia com sua meia-vida. Ela chorou e amaldiçoou o ex-noivo por tê-la tirado da paz de sua morte para simplesmente abandoná-la a própria sorte. O que Edgar não poderia imaginar é que Sofia também faria um pacto com o diabo.

Páginas: 1 2 3