Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
C.B. Kaihatsu
C. B. Kaihatsu é escritora, poetisa, engenheira de controle e automação, bailarina clássica e de jazz e colunista cultural do Jornal Tribuna de Paulínia, da revista Amazing e do site CultEcléticos.
Coautora do livro “Retalhos: Almas em Versos” (Editora Empíreo), vencedor do Prêmio Brasil Entre Palavras na categoria Melhor Livro de Poesia de 2016, também participou das antologias: Mais Amor, Por Favor (Editora Coerência), Arquivos do Mal (Editora Coerência), A Arte do Terror – Cartas (Elemental Editoração). É organizadora da antologia de contos de terror e suspense “A Sociedade dos Corvos” publicada este ano pela Editora Coerência. O Mestre do Horror, R. F. Lucchetti, participa como prefaciador e autor convidado.
Ainda em 2017, possui participação nas antologias: Vampiro: Um Livro Colaborativo (Editora Empíreo) , Playlist – Contos Musicais (Editora Rouxinol) e Noite Natalina (Editora Skull).
Fã de Fórmula 1, já colaborou com artigos para o blog F1 – Fórmula 1.

E-mail: c.b.kaihatsu@gmail.com
Fanpage: facebook.com/C.B.Kaihatsu
Wattpad: CBKaihatsu






A Cidade das Noivas Mortas

Se na próxima lua nova, ela pudesse repetir com Edgar o mesmo ritual que ele praticara com tantas mulheres inocentes, ela poderia voltar para sua morte e ele libertaria as almas de todas elas.

Edgar virou um farrapo humano, não conseguia mais comer ou dormir. Sempre que fechava os olhos, o horror de tudo que fizera materializava-se em sua mente, e a imagem de Sofia em decomposição atormentava todos os seus pensamentos.

Não conseguia mais sair de casa, acabou sendo demitido, e passou os dias a beber, entorpecido pelo álcool perdia a consciência, o que lhe garantia momentos de tranquilidade.

Finalmente chegara a lua nova e Sofia começou sua caçada a Edgar. O primeiro local a procurar foi o apartamento no qual moravam. Imaginava que ele certamente havia se mudado, mas para seu espanto ele fora burro o bastante para continuar vivendo lá. Porém não se encontrava no domicílio. A morta-viva com sede de vingança percorreu vários lugares da cidade que os dois costumavam a frequentar juntos sem obter sucesso.

Quando estava prestes a desistir, avistou Edgar saindo com uma garrafa barata de vodca de um boteco na José Paulino, principal avenida do centro de Paulínia. Ele sentou-se na sarjeta. Com dificuldade, uma vez que controlava muito pouco suas funções motoras, ele tomou uma boa golada de vodca.

Sofia aproveitou sua sorte e postou-se de frente a Edgar. Num primeiro momento o homem sentiu medo, mas depois resignou-se e sem apresentar resistência alguma seguiu a mulher, ele sabia que devia isso a ela.

Não protestou, apenas fechou os olhos e sentiu uma dor lancinante quando o punhal invadiu sem piedade a sua carne. Sofia foi rápida. Com movimentos precisos fez o que tinha se proposto a fazer, comeu o coração de Edgar sem entusiasmo algum.

Conforme o combinado, o diabo deixou Sofia voltar para o mundo dos mortos e libertou a alma de todas as mulheres. As estátuas se quebraram a cada alma que finalmente poderia ter tranquilidade em sua morte.

Restou apenas a estátua do cavaleiro montado em seu cavalo, na qual a alma de Edgar fora aprisionada. O cavaleiro solitário. Condenado por seus crimes.

Toda a cidade ficou confusa porque dessa vez a vítima era um homem. Ninguém sabia mais o que pensar e todo o tipo de lenda urbana foi criada.

Dizem que quem passar por aquele lugar por volta das três da madrugada é capaz de escutar as lamúrias de uma voz masculina.

 

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C.B. Kaihatsu
A Cidade das Noivas Mortas

Se na próxima lua nova, ela pudesse repetir com Edgar o mesmo ritual que ele praticara com tantas mulheres inocentes, ela poderia voltar para sua morte e ele libertaria as almas de todas elas.

Edgar virou um farrapo humano, não conseguia mais comer ou dormir. Sempre que fechava os olhos, o horror de tudo que fizera materializava-se em sua mente, e a imagem de Sofia em decomposição atormentava todos os seus pensamentos.

Não conseguia mais sair de casa, acabou sendo demitido, e passou os dias a beber, entorpecido pelo álcool perdia a consciência, o que lhe garantia momentos de tranquilidade.

Finalmente chegara a lua nova e Sofia começou sua caçada a Edgar. O primeiro local a procurar foi o apartamento no qual moravam. Imaginava que ele certamente havia se mudado, mas para seu espanto ele fora burro o bastante para continuar vivendo lá. Porém não se encontrava no domicílio. A morta-viva com sede de vingança percorreu vários lugares da cidade que os dois costumavam a frequentar juntos sem obter sucesso.

Quando estava prestes a desistir, avistou Edgar saindo com uma garrafa barata de vodca de um boteco na José Paulino, principal avenida do centro de Paulínia. Ele sentou-se na sarjeta. Com dificuldade, uma vez que controlava muito pouco suas funções motoras, ele tomou uma boa golada de vodca.

Sofia aproveitou sua sorte e postou-se de frente a Edgar. Num primeiro momento o homem sentiu medo, mas depois resignou-se e sem apresentar resistência alguma seguiu a mulher, ele sabia que devia isso a ela.

Não protestou, apenas fechou os olhos e sentiu uma dor lancinante quando o punhal invadiu sem piedade a sua carne. Sofia foi rápida. Com movimentos precisos fez o que tinha se proposto a fazer, comeu o coração de Edgar sem entusiasmo algum.

Conforme o combinado, o diabo deixou Sofia voltar para o mundo dos mortos e libertou a alma de todas as mulheres. As estátuas se quebraram a cada alma que finalmente poderia ter tranquilidade em sua morte.

Restou apenas a estátua do cavaleiro montado em seu cavalo, na qual a alma de Edgar fora aprisionada. O cavaleiro solitário. Condenado por seus crimes.

Toda a cidade ficou confusa porque dessa vez a vítima era um homem. Ninguém sabia mais o que pensar e todo o tipo de lenda urbana foi criada.

Dizem que quem passar por aquele lugar por volta das três da madrugada é capaz de escutar as lamúrias de uma voz masculina.

 

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