Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
C.B. Kaihatsu
C. B. Kaihatsu é escritora, poetisa, engenheira de controle e automação, bailarina clássica e de jazz e colunista cultural do Jornal Tribuna de Paulínia, da revista Amazing e do site CultEcléticos.
Coautora do livro “Retalhos: Almas em Versos” (Editora Empíreo), vencedor do Prêmio Brasil Entre Palavras na categoria Melhor Livro de Poesia de 2016, também participou das antologias: Mais Amor, Por Favor (Editora Coerência), Arquivos do Mal (Editora Coerência), A Arte do Terror – Cartas (Elemental Editoração). É organizadora da antologia de contos de terror e suspense “A Sociedade dos Corvos” publicada este ano pela Editora Coerência. O Mestre do Horror, R. F. Lucchetti, participa como prefaciador e autor convidado.
Ainda em 2017, possui participação nas antologias: Vampiro: Um Livro Colaborativo (Editora Empíreo) , Playlist – Contos Musicais (Editora Rouxinol) e Noite Natalina (Editora Skull).
Fã de Fórmula 1, já colaborou com artigos para o blog F1 – Fórmula 1.

E-mail: c.b.kaihatsu@gmail.com
Fanpage: facebook.com/C.B.Kaihatsu
Wattpad: CBKaihatsu






O Caso do Soldado Soviético

— Ele estava próximo a mim. Fui ajudá-lo. Estava cercado por nazistas e de repente meus próprios companheiros me atacaram. Eu sei Vlad, eu salvei sua vida. Eles são uns idiotas.

— Ah! O Sr. Sokolov está aqui? Onde? — perguntou o médico intrigado.

— Como assim, doutor? Está sentando naquela cadeira — respondeu Dimitri apontando o local.

— Muito bem! Já terminamos. Pode sair Sr. Ivanov. Recomendo repouso.

O médico analisou mais uma vez o prontuário de Dimitri e os relatórios. Os colegas notaram um comportamento estranho desde que ele chegou à Stalingrado. Estava mais agressivo, falava sozinho como se houvesse um interlocutor, transtornos de fala, perturbações e o histórico familiar de demência precoce. O diagnóstico estava pronto. Esquizofrenia, o novo nome atribuído à demência precoce por Bleuler. O rapaz deveria ser mandado a Kuznetsov imediatamente. Certamente gostariam de tratá-lo lá. Esquizofrênicos é sempre um desafio.

 

No Kuznetsov

Dimitri precisou ser sedado para ser levado ao Kuznetsov. Ele sabia o que o aguardava lá. A mãe só conseguiu sair morta, sabia que teria o mesmo fim. E ele não era louco. Por qual razão estariam levando um homem saudável para um hospício? Quando acordou já no seu dormitório, ou seria cela? Notou que tinha companhia. Três no total. Um homem magro e alto que olhava para ele com curiosidade, um gordo baixinho que não parava de bater com a cabeça na parede e Vladimir. Os sacanas tinham levado Vlad como retaliação, ele pensou.

— Pare, Yuri! Seu estúpido! Os abutres vão vir até aqui se você não parar com isso e vai sobrar para todos nós! — gritou o homem alto.

Dimitri e Vladimir apenas observaram sem emitir nenhum som e o homem percebeu a perplexidade no rosto de Dimitri.

— Ah! Desculpe-me rapaz! Carne fresca no Kuznetsov, não? Em breve você conhecerá os abutres deste lugar. E que falta de educação a minha. Eu sou Mikhail Stiepanov e aquele idiota é o Yuri Nikolaiev. E você, meu jovem? Quem é? E por que lhe mandaram aqui? Irritou alguém em Moscou também?

— Dimitri Ivanov e aquele é Vladimir Sokolov. Servimos em Stalingrado. Não sei se você sabe, mas Hitler rompeu o pacto de não agressão.

Estávamos combatendo nazistas e agora estamos aqui, mas nós não somos loucos.

— Filho, isso é o que todos dizem quando chegam aqui. Como eu disse logo você e seu amiguinho — disse Mikhail cínico e mirando o lugar vazio ao lado de Dimitri — vão conhecer os abutres. Se quer um conselho, não fale desse seu amigo para eles.

A primeira noite no Kuznetsov foi difícil para Dimitri, o sono foi interrompido por uma série de pesadelos com a mãe e com o que teria acontecido com ela lá. O que lhe reconfortava era saber que pelos menos tinha o Vlad para conversar. Sentiu-se mal por esse pensamento, era um tanto quanto egoísta ficar feliz por ter a companhia do amigo naquele lugar amaldiçoado.

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C.B. Kaihatsu
O Caso do Soldado Soviético

— Ele estava próximo a mim. Fui ajudá-lo. Estava cercado por nazistas e de repente meus próprios companheiros me atacaram. Eu sei Vlad, eu salvei sua vida. Eles são uns idiotas.

— Ah! O Sr. Sokolov está aqui? Onde? — perguntou o médico intrigado.

— Como assim, doutor? Está sentando naquela cadeira — respondeu Dimitri apontando o local.

— Muito bem! Já terminamos. Pode sair Sr. Ivanov. Recomendo repouso.

O médico analisou mais uma vez o prontuário de Dimitri e os relatórios. Os colegas notaram um comportamento estranho desde que ele chegou à Stalingrado. Estava mais agressivo, falava sozinho como se houvesse um interlocutor, transtornos de fala, perturbações e o histórico familiar de demência precoce. O diagnóstico estava pronto. Esquizofrenia, o novo nome atribuído à demência precoce por Bleuler. O rapaz deveria ser mandado a Kuznetsov imediatamente. Certamente gostariam de tratá-lo lá. Esquizofrênicos é sempre um desafio.

 

No Kuznetsov

Dimitri precisou ser sedado para ser levado ao Kuznetsov. Ele sabia o que o aguardava lá. A mãe só conseguiu sair morta, sabia que teria o mesmo fim. E ele não era louco. Por qual razão estariam levando um homem saudável para um hospício? Quando acordou já no seu dormitório, ou seria cela? Notou que tinha companhia. Três no total. Um homem magro e alto que olhava para ele com curiosidade, um gordo baixinho que não parava de bater com a cabeça na parede e Vladimir. Os sacanas tinham levado Vlad como retaliação, ele pensou.

— Pare, Yuri! Seu estúpido! Os abutres vão vir até aqui se você não parar com isso e vai sobrar para todos nós! — gritou o homem alto.

Dimitri e Vladimir apenas observaram sem emitir nenhum som e o homem percebeu a perplexidade no rosto de Dimitri.

— Ah! Desculpe-me rapaz! Carne fresca no Kuznetsov, não? Em breve você conhecerá os abutres deste lugar. E que falta de educação a minha. Eu sou Mikhail Stiepanov e aquele idiota é o Yuri Nikolaiev. E você, meu jovem? Quem é? E por que lhe mandaram aqui? Irritou alguém em Moscou também?

— Dimitri Ivanov e aquele é Vladimir Sokolov. Servimos em Stalingrado. Não sei se você sabe, mas Hitler rompeu o pacto de não agressão.

Estávamos combatendo nazistas e agora estamos aqui, mas nós não somos loucos.

— Filho, isso é o que todos dizem quando chegam aqui. Como eu disse logo você e seu amiguinho — disse Mikhail cínico e mirando o lugar vazio ao lado de Dimitri — vão conhecer os abutres. Se quer um conselho, não fale desse seu amigo para eles.

A primeira noite no Kuznetsov foi difícil para Dimitri, o sono foi interrompido por uma série de pesadelos com a mãe e com o que teria acontecido com ela lá. O que lhe reconfortava era saber que pelos menos tinha o Vlad para conversar. Sentiu-se mal por esse pensamento, era um tanto quanto egoísta ficar feliz por ter a companhia do amigo naquele lugar amaldiçoado.

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