SUPPLICIUM - Cannubis
Cannubis
Cannubis é natural de São Luís Ma mas agora vive perdida entre as vielas fétidas de sua mente sequelada. Odeia finais felizes e por isso vive embriagada de terror e de seus subgêneros, vomita na cara dos padrões impostos pela sociedade enquanto da vida a CANNUBiS seu filho, irmão e amante. Dirige pela periferia de São luis um Opala preto e tem como companhia o top five dos mais procurados do submundo, coleciona as capsulas de balas que mataram gente como kennedy, Jhon Lennon e Tupac... Foi depois de tomar um shot de bournon que ela emprestou suas mãos a um cão infernal para escrever “DEIXAI TODA ESPERANÇA, Ó VÓS QUE ENTRAIS!" no umbral dos portões infernais da comedia de Dante Alighieri. Quer um conselho? Não leiam com carinho pois aqui não se prega a paz. Como morbitvs vividvs diz: "Uma bandeira branca é como o pus de um ser putrefato".
@arj.Wanessa - instagram
@CANNUBiS.cg - wattpad







SUPPLICIUM

Enquanto caminho pela Beira mar, olho para o relógio em meu pulso e vejo os ponteiros

marcarem dez em ponto.

Acendo um cigarro e observo a brisa úmida da maresia acelerar a combustão.

Trago a fumaça que sobe serpenteando como dragões ferozes rumo ao céu e os expulso num

sopro de hálito quente.

Atravesso a avenida sem olhar para os lados pois o fluxo de carros assim como o de pessoas,

diminuiu, dando lugar ao silencio sepulcral das ruas noturnas do centro histórico de São Luís.

As barracas personalizadas com fotos da cidade, antes lotadas de comidas típicas e souvenirs,

agora servem apenas como abrigo aos cães, e próximo ao bar Contraponto não há ninguém

além dos dois flanelinhas que brigam pelo último gole de cachaça.

Sento em um dos bancos de madeira que estão dispostos em círculo na praça dos Catraeiros,

a umidade do banco não me incomoda pois daqui tenho uma visão privilegiada da única janela

do bar. Através dos vitrais vejo o rosto pálido de um sujeito, iluminado somente pela luz

esmaecida de uma lâmpada em forma de lampião.

Atraído pelo som das ondas indo de encontro à mureta de proteção da Beira mar, desvio o

olhar do bar. O baque das ondas se junta à sinfonia criada pelo farfalhar das palmeiras que

ornam a praça e logo adiante a lua cheia em um tom amarelado como uma enorme moeda de

ouro, compõe o cenário litorâneo.

O mar está mais agitado que o normal devido a um fenômeno chamado maré de cizigia, hoje

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Cannubis
SUPPLICIUM

Enquanto caminho pela Beira mar, olho para o relógio em meu pulso e vejo os ponteiros

marcarem dez em ponto.

Acendo um cigarro e observo a brisa úmida da maresia acelerar a combustão.

Trago a fumaça que sobe serpenteando como dragões ferozes rumo ao céu e os expulso num

sopro de hálito quente.

Atravesso a avenida sem olhar para os lados pois o fluxo de carros assim como o de pessoas,

diminuiu, dando lugar ao silencio sepulcral das ruas noturnas do centro histórico de São Luís.

As barracas personalizadas com fotos da cidade, antes lotadas de comidas típicas e souvenirs,

agora servem apenas como abrigo aos cães, e próximo ao bar Contraponto não há ninguém

além dos dois flanelinhas que brigam pelo último gole de cachaça.

Sento em um dos bancos de madeira que estão dispostos em círculo na praça dos Catraeiros,

a umidade do banco não me incomoda pois daqui tenho uma visão privilegiada da única janela

do bar. Através dos vitrais vejo o rosto pálido de um sujeito, iluminado somente pela luz

esmaecida de uma lâmpada em forma de lampião.

Atraído pelo som das ondas indo de encontro à mureta de proteção da Beira mar, desvio o

olhar do bar. O baque das ondas se junta à sinfonia criada pelo farfalhar das palmeiras que

ornam a praça e logo adiante a lua cheia em um tom amarelado como uma enorme moeda de

ouro, compõe o cenário litorâneo.

O mar está mais agitado que o normal devido a um fenômeno chamado maré de cizigia, hoje

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