Aço sino - Carli Bortolanza
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Aço sino

Fechei os olhos, mas não vi a escuridão.
Tranquei a boca, mas não senti seus lábios tocar os meus.
Cruzei os braços em torno de seu corpo, que também se envolveu no meu.
Ergui a mão e o punhal ficou reluzente.
O brilho ecoou nos pulmões faltando-lhe o ar.
O corpo larguei ao chão com o aço cravado nas costas.
Só quando cuspi, o tapa levei.
Deixei a faca nas suas costas e as minhas virei.
Caminhando para longe.
Com lágrimas derramando.
E me perguntando.
Por que a matei?

 

Carli Bortolanza
Aço sino

Fechei os olhos, mas não vi a escuridão.
Tranquei a boca, mas não senti seus lábios tocar os meus.
Cruzei os braços em torno de seu corpo, que também se envolveu no meu.
Ergui a mão e o punhal ficou reluzente.
O brilho ecoou nos pulmões faltando-lhe o ar.
O corpo larguei ao chão com o aço cravado nas costas.
Só quando cuspi, o tapa levei.
Deixei a faca nas suas costas e as minhas virei.
Caminhando para longe.
Com lágrimas derramando.
E me perguntando.
Por que a matei?