Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Arquiteta da “pá e chão”

…Meus olhos fechados, mas sua presença é sentida pelas narinas que cheiram sua pureza a se aproximar de meu corpo deitado.
Inerte eu fico, para querer saber quão longe você aproveitar-se-á de mim, e cada vez mais perto tu chegas, meu desejo de lhe abraçar e beija-la aumenta.

Sua mão esquerda chega aos meus pés e toca minha perna, numa suavidade como a de quem toca as nuvens em harmonia ao prazer mais inculto.

Meu corpo enaltece e sente a maciez de sua mão subindo levemente como quem arrasta a mão ao passar por um carro querendo arranha-lo.

Seu corpo se projeta ao lado de meu tórax, onde a mão esquerda se junta à mão direita para apalpar meu peito nu em carícias nunca antes percebidas, desferidas.

Sei que a essa altura devo estar suando a testa e que a poucos centímetros de meus olhos encerados deve estar seu quadril lindo, pois até sinto o perfume de sua vulva ao mesmo tempo em que percebo seus belos seios raspar em meu ventre ao se debruçar por cima de mim.

Suas mãos apalpam daqui e dali, hora na lateral da cintura, hora na lateral da barriga, tendo seu corpo inclinado por cima do meu e que busco mantê-lo inerte, imóvel, e com seus toques delicados que me fazem esvaía-se em prazeres jamais vivenciados e delirando em sonhos inatingíveis.

Seus lábios chegam tão perto dos meus, mas desviam-se ao quase toca-los e indo em direção aos meus ouvidos, chegando tão perto que sinto o sussurro de sua respiração ecoar em meus tímpanos apaixonados, tendo pressentido o êxtase da luxúria, por tão perto chegar.

Minha vontade é de abrir meus olhos; abraça-la e enche-la de beijos foi tão grande que quando não resistindo mais, iria fazê-lo; de súbito afasta-se de mim como quem sabia que eu iria abraça-la e não quisesse. Fiquei perplexo, pensando no que fiz, será que ela percebeu que eu estava me mantendo inerte e que quis me fazer uma provocação também? Será que ela percebeu e não gostou de minha brincadeira, afinal eu não havia, literalmente, feito nada.

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Carli Bortolanza
Arquiteta da “pá e chão”

…Meus olhos fechados, mas sua presença é sentida pelas narinas que cheiram sua pureza a se aproximar de meu corpo deitado.
Inerte eu fico, para querer saber quão longe você aproveitar-se-á de mim, e cada vez mais perto tu chegas, meu desejo de lhe abraçar e beija-la aumenta.

Sua mão esquerda chega aos meus pés e toca minha perna, numa suavidade como a de quem toca as nuvens em harmonia ao prazer mais inculto.

Meu corpo enaltece e sente a maciez de sua mão subindo levemente como quem arrasta a mão ao passar por um carro querendo arranha-lo.

Seu corpo se projeta ao lado de meu tórax, onde a mão esquerda se junta à mão direita para apalpar meu peito nu em carícias nunca antes percebidas, desferidas.

Sei que a essa altura devo estar suando a testa e que a poucos centímetros de meus olhos encerados deve estar seu quadril lindo, pois até sinto o perfume de sua vulva ao mesmo tempo em que percebo seus belos seios raspar em meu ventre ao se debruçar por cima de mim.

Suas mãos apalpam daqui e dali, hora na lateral da cintura, hora na lateral da barriga, tendo seu corpo inclinado por cima do meu e que busco mantê-lo inerte, imóvel, e com seus toques delicados que me fazem esvaía-se em prazeres jamais vivenciados e delirando em sonhos inatingíveis.

Seus lábios chegam tão perto dos meus, mas desviam-se ao quase toca-los e indo em direção aos meus ouvidos, chegando tão perto que sinto o sussurro de sua respiração ecoar em meus tímpanos apaixonados, tendo pressentido o êxtase da luxúria, por tão perto chegar.

Minha vontade é de abrir meus olhos; abraça-la e enche-la de beijos foi tão grande que quando não resistindo mais, iria fazê-lo; de súbito afasta-se de mim como quem sabia que eu iria abraça-la e não quisesse. Fiquei perplexo, pensando no que fiz, será que ela percebeu que eu estava me mantendo inerte e que quis me fazer uma provocação também? Será que ela percebeu e não gostou de minha brincadeira, afinal eu não havia, literalmente, feito nada.

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