Assim nasce o canto dos tubarões de Ducase - Carli Bortolanza
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Assim nasce o canto dos tubarões de Ducase

Logo, colocando-se em pé, seu equilíbrio era como a de qualquer adulto, pegou o cordão umbilical ainda preso em seu umbigo numa ponta e a placenta presa na outra, esticou-o com as duas mãos, e com uma delas começou a gira-lo, caminhando em direção de uma árvore a uns trinta passos mata adentro, quando bem perto checou de seu tronco, lançou a placenta sob um dos galhos como quem lança uma corda para escalar, e prendendo a placenta entre o tronco e o galho, agarrou firme o cordão umbilical e apoiando os pés na casca rígida da árvore, começou a subir até alcançar o primeiro ganho, e assim o fez, de galho em galho até chegar ao topo da árvore, onde se via ao sul as luzes de uma cidade e ao norte, o por do sol, beleza única de cores e sombras. Mas Luci não estava ali a encher seus olhos com o magnífico espetáculo, estava ali como meio de sobrevivência, pois na mata há muitos caçadores noturnos e ali no topo e a noite, apenas a noite, estaria protegido e protegendo sua existência.
A noite cai, a placenta cobrindo parte de seu corpo e com folhas presas umas as outras com seus caules, uma coberta de folhas se assim podemos chamar, camuflou-se e cobriu todo seu pequeno corpo ingênuo.
Logo o dia iria amanhecer, quando luzes ofuscaram o chão nos arredores onde jazia nascido ou lançado a terra; eram pessoas fardadas e armadas, policiais ou bombeiros, com seus cães farejadores, iluminavam as redondezas, tentando encontrar a crueldade de seus pais, mas procuraram em vão, até a leve chuva que havia caído horas antes, o ajudara, pois havia lavado as manchas de sangue que cobrira seu corpo e sujara os galgos e o tronco da árvore por onde havia escalado para chegar em seu primeiro berço, o protegendo também do faro dos narizes sedentos dos pastores, não o encontrando um corpo, deram por encerrada a busca e talvez até ao crime.
A aurora estava começando quando, com um pé em cada galho e equilibrando-se na alto do angico vermelho sangue, com seu cordão umbilical esticado entre suas duas mãos, deixando a placenta balbuciando, curte o vislumbre celestial da aurora ao norte e com toda a voz, grita em silêncio sua raiva e seu rancor, não pela mata que preenche seus olhos até o horizonte e que o acolheu, mas para com a humanidade terrestre que lhe excluíram e que desse dia em diante, começaria seu fim.
Luci Maldanger jazia suas primeiras doze horas de vida, sua força e sua raiva dava a firmeza de que ele necessitava, mas precisava se alimentar, já havia ficando muito tempo sem, e a carne humana, era a única que ele já havia saboreado e conhecia seu delicioso gosto.
Luci vira-se então a olha para o sul; pensa, o estômago reage à fome, e então começa a descer…

 

Páginas: 1 2

Carli Bortolanza
Assim nasce o canto dos tubarões de Ducase

Logo, colocando-se em pé, seu equilíbrio era como a de qualquer adulto, pegou o cordão umbilical ainda preso em seu umbigo numa ponta e a placenta presa na outra, esticou-o com as duas mãos, e com uma delas começou a gira-lo, caminhando em direção de uma árvore a uns trinta passos mata adentro, quando bem perto checou de seu tronco, lançou a placenta sob um dos galhos como quem lança uma corda para escalar, e prendendo a placenta entre o tronco e o galho, agarrou firme o cordão umbilical e apoiando os pés na casca rígida da árvore, começou a subir até alcançar o primeiro ganho, e assim o fez, de galho em galho até chegar ao topo da árvore, onde se via ao sul as luzes de uma cidade e ao norte, o por do sol, beleza única de cores e sombras. Mas Luci não estava ali a encher seus olhos com o magnífico espetáculo, estava ali como meio de sobrevivência, pois na mata há muitos caçadores noturnos e ali no topo e a noite, apenas a noite, estaria protegido e protegendo sua existência.
A noite cai, a placenta cobrindo parte de seu corpo e com folhas presas umas as outras com seus caules, uma coberta de folhas se assim podemos chamar, camuflou-se e cobriu todo seu pequeno corpo ingênuo.
Logo o dia iria amanhecer, quando luzes ofuscaram o chão nos arredores onde jazia nascido ou lançado a terra; eram pessoas fardadas e armadas, policiais ou bombeiros, com seus cães farejadores, iluminavam as redondezas, tentando encontrar a crueldade de seus pais, mas procuraram em vão, até a leve chuva que havia caído horas antes, o ajudara, pois havia lavado as manchas de sangue que cobrira seu corpo e sujara os galgos e o tronco da árvore por onde havia escalado para chegar em seu primeiro berço, o protegendo também do faro dos narizes sedentos dos pastores, não o encontrando um corpo, deram por encerrada a busca e talvez até ao crime.
A aurora estava começando quando, com um pé em cada galho e equilibrando-se na alto do angico vermelho sangue, com seu cordão umbilical esticado entre suas duas mãos, deixando a placenta balbuciando, curte o vislumbre celestial da aurora ao norte e com toda a voz, grita em silêncio sua raiva e seu rancor, não pela mata que preenche seus olhos até o horizonte e que o acolheu, mas para com a humanidade terrestre que lhe excluíram e que desse dia em diante, começaria seu fim.
Luci Maldanger jazia suas primeiras doze horas de vida, sua força e sua raiva dava a firmeza de que ele necessitava, mas precisava se alimentar, já havia ficando muito tempo sem, e a carne humana, era a única que ele já havia saboreado e conhecia seu delicioso gosto.
Luci vira-se então a olha para o sul; pensa, o estômago reage à fome, e então começa a descer…

 

Páginas: 1 2