Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Cu arrependido

Prostrei-me diante da solidão, cultivando o rancor da dor que range dentro de mim, ensurdecendo meus ouvidos leprosos.

Palpito na jogada que deveria dar certo se a faca não desvia-se o alvo humano.

Controlo minha arcada dentária bem aberta para os tubos e as sondas me vasculhares garganta a baixo.

Bateristas tocam um pagode para homenagear o bode nu no altar celestial.

As fisgadas tocam meu estômago, mas os peixes que estão lá não mordem a isca e fogem intestino abaixo.

O fogo e a ansiedade de estar ali expurgam gazes fétidos com a cor da merda logo abaixo de minhas narinas, salpicando minha boca com a macies das fezes.

Picaretas são usadas, assim como machadinhos, espadas e tudo mais, mas o ogro que vive dentro de mim não é despertado e nem liberto.

Sons melancólicos ecoam pelo horizonte ao por do sol e deixam de brilhar no anus, e não passando essa tarefa ao satélite chamado de Lua, e nesse caso e nessa posição a tarefa ficou para a lâmpada da mesa de cirúrgica.

Triunfante todos os peixes perfazem o caminho do intestino, que é percorrido como o melhor do drift, e vendo a luz no fim do túnel, enfim chegam ao seu destino chapiscando tudo e todos como a um bronzeamento em ar rarefeito e com as nadadeiras raspando nas hemorroidas, saem fazendo cócegas, e o alívio só é completo depois das enguias eletrocutarem e cicatrizarem o orifício.

 

Carli Bortolanza
Cu arrependido

Prostrei-me diante da solidão, cultivando o rancor da dor que range dentro de mim, ensurdecendo meus ouvidos leprosos.

Palpito na jogada que deveria dar certo se a faca não desvia-se o alvo humano.

Controlo minha arcada dentária bem aberta para os tubos e as sondas me vasculhares garganta a baixo.

Bateristas tocam um pagode para homenagear o bode nu no altar celestial.

As fisgadas tocam meu estômago, mas os peixes que estão lá não mordem a isca e fogem intestino abaixo.

O fogo e a ansiedade de estar ali expurgam gazes fétidos com a cor da merda logo abaixo de minhas narinas, salpicando minha boca com a macies das fezes.

Picaretas são usadas, assim como machadinhos, espadas e tudo mais, mas o ogro que vive dentro de mim não é despertado e nem liberto.

Sons melancólicos ecoam pelo horizonte ao por do sol e deixam de brilhar no anus, e não passando essa tarefa ao satélite chamado de Lua, e nesse caso e nessa posição a tarefa ficou para a lâmpada da mesa de cirúrgica.

Triunfante todos os peixes perfazem o caminho do intestino, que é percorrido como o melhor do drift, e vendo a luz no fim do túnel, enfim chegam ao seu destino chapiscando tudo e todos como a um bronzeamento em ar rarefeito e com as nadadeiras raspando nas hemorroidas, saem fazendo cócegas, e o alívio só é completo depois das enguias eletrocutarem e cicatrizarem o orifício.