Ecologia - Carli Bortolanza
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Ecologia

Em uma mata pequena contempla um filhote de um pequeno animal fodedor.

Seu instinto de desejo sexual é tranquilizado pelas flechadas de pólvoras que vão à sua direção, seguidas pelos cães farejadores, mas não tão farejadores quanto seus humanos pelo pó branco das rochas de quartzo produzidos artificialmente em laboratórios clandestinos.

O animal delicado e macio transborda angústia, pois ali, seu habitat natural, já não é mais natural, ou se tornou natural de outra natureza que não a sua.

Sua libido, que servia apenas para sua recreação e consequente reprodução, serve hoje para se esconder entre o que sobrou da mata transformada em canteiro de obras para as ruínas do futuro que chamam de lar.

A energia gasta com o ato sexual, por gerações vem diminuído sua saciedade e sua espécie, tornando-a cada vez mais rara na natureza; porém, assim como plantas indefesas cultivada em vasos, são criados em gaiolas para reprodução artificial; e esse inofensivo ser gastará toda sua energia na tentativa de sobrevivência de sua espécie.

Macio e sedutor, seduz e transmite a puberdade, virilidade para quem de seus ovos experimenta. Mas esse filhote ainda não bate suas asas a voar e fugir do perigo iminente; E mesmo que já tivesse suas asas adultas, não bastaria para voar além das nuvens, para o cosmos, onde buscaria encontrar outro planeta para habitar e torcer que lá não tenha humanos suicidas que destroem seu próprio planeta para construir uns poucos metros quadrados de cimento e apenas aquele pedaço chamam de lar.

E nesse novo planeta buscar a sobrevivência de sua espécie, que aqui chamam de irracionais, mas que nenhum mal fez para seu habitat.

 

 

(Bortolanza, Carli R. –1999)

Carli Bortolanza
Ecologia

Em uma mata pequena contempla um filhote de um pequeno animal fodedor.

Seu instinto de desejo sexual é tranquilizado pelas flechadas de pólvoras que vão à sua direção, seguidas pelos cães farejadores, mas não tão farejadores quanto seus humanos pelo pó branco das rochas de quartzo produzidos artificialmente em laboratórios clandestinos.

O animal delicado e macio transborda angústia, pois ali, seu habitat natural, já não é mais natural, ou se tornou natural de outra natureza que não a sua.

Sua libido, que servia apenas para sua recreação e consequente reprodução, serve hoje para se esconder entre o que sobrou da mata transformada em canteiro de obras para as ruínas do futuro que chamam de lar.

A energia gasta com o ato sexual, por gerações vem diminuído sua saciedade e sua espécie, tornando-a cada vez mais rara na natureza; porém, assim como plantas indefesas cultivada em vasos, são criados em gaiolas para reprodução artificial; e esse inofensivo ser gastará toda sua energia na tentativa de sobrevivência de sua espécie.

Macio e sedutor, seduz e transmite a puberdade, virilidade para quem de seus ovos experimenta. Mas esse filhote ainda não bate suas asas a voar e fugir do perigo iminente; E mesmo que já tivesse suas asas adultas, não bastaria para voar além das nuvens, para o cosmos, onde buscaria encontrar outro planeta para habitar e torcer que lá não tenha humanos suicidas que destroem seu próprio planeta para construir uns poucos metros quadrados de cimento e apenas aquele pedaço chamam de lar.

E nesse novo planeta buscar a sobrevivência de sua espécie, que aqui chamam de irracionais, mas que nenhum mal fez para seu habitat.

 

 

(Bortolanza, Carli R. –1999)