EU - Carli Bortolanza
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




EU

 

Num oriundo submundo pude nascer, entre túmulos e covas;

Entre putridão obsoletas cresci.

Meus estudos foram marcadas por estúpidas rezas e orquestra de choro sobre seus entes queridos
O absurdo devaneio das gotas de lágrimas a cair naquele antro de podridão
No insano templo espero ansioso a morte chegar; à colorir as cruzes com sangue e a enfiar as falsas santas nos gosmentos estômagos à derramarem suas vísceras.
Como que por ironia dos deuses, fui seguindo cegamente e atravessando as malditas e infames trilhas.
Demonstrando todo o ódio com que nasci.
Deteriorando corpos, mutilando pessoas, triturando homens, esquartejando mulheres.
Tudo como se eu tivesse culpa.
Pois foi o destino quem traçou o caminho mortal.

Sigo e seguirei a trilha como um bom cristão. A procura da carne purulenta.
Para desovar meus ovos e traçar o caminho de mais um nojento verme…




Publicado pela 1º vez no Zine Vermes 03 em Dezembro de 1996 e posteriormente em quadrinhos no vermes 04 em 1997.

 

Num oriundo submundo pude nascer, entre túmulos e covas;

Entre putridão obsoletas cresci.

Meus estudos foram marcadas por estúpidas rezas e orquestra de choro sobre seus entes queridos
O absurdo devaneio das gotas de lágrimas a cair naquele antro de podridão
No insano templo espero ansioso a morte chegar; à colorir as cruzes com sangue e a enfiar as falsas santas nos gosmentos estômagos à derramarem suas vísceras.
Como que por ironia dos deuses, fui seguindo cegamente e atravessando as malditas e infames trilhas.
Demonstrando todo o ódio com que nasci.
Deteriorando corpos, mutilando pessoas, triturando homens, esquartejando mulheres.
Tudo como se eu tivesse culpa.
Pois foi o destino quem traçou o caminho mortal.

Sigo e seguirei a trilha como um bom cristão. A procura da carne purulenta.
Para desovar meus ovos e traçar o caminho de mais um nojento verme…




Publicado pela 1º vez no Zine Vermes 03 em Dezembro de 1996 e posteriormente em quadrinhos no vermes 04 em 1997.