Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Fata Morgana

Anoitecendo estás quando de longe a miragem me faz correr e me esconder atrás das tumbas nesse cemitério em formato de labirinto.

Não estou aqui a trabalho de algum ritual religioso, satânico ou cristão, o que dá na mesma; estou aqui por mera circunstância de ganhar a vida honestamente, suando a testa, as costas e as mãos; mas este nervosismo de poder ver na prática atos libidinosos e eróticos com restos de carne que um dia chamaram de humanos, mas que agora não passam de cadáveres decompostos pelo tempo, mas vívido pelo amor de seus amantes.

Minha profissão me permite usar uma arma letal, mas prefiro trocar as balas de aço por balas de borrachas, pois sei que não matarei ninguém e que ao sentirem o choque da bala em seus corpos, irá proporcionar uma dor intensa e satisfarão meu sadismo e em poucas semanas após, estarão renovados por aí  para serem alvo de mais algumas balas e ou andarem por aí como filhos adotivos de alguma entidade divina ou em algum outro caminho a seguir que não seja o da criminalidade; mas aí requer outra crítica, pois, afinal, apenas obedecemos as leis impostas por outrem…

Ali estou para flagrar um ato sexual e não demora muito para que a miragem que me fez esconder transforma-se em situação real com a presença dos necrófilos.

A lápide pesada ainda está com o cimento fresco, e enterrado nela esta aquela gostosona que foi surpreendida pela mulher de seu amante e que a mesma, acabou acertando um tiro em seu coração, órgão esse que todos que a conheceram em vida queriam sentimentalmente o tê-lo, mas aquele coração não era de ninguém, apenas seu corpo, assim como agora, vulnerável e ingênuo a mercê de seus profanadores.

Seu caixão é cuidadosamente aberto, trava por trava, o véu de cetim branco que cobria seu corpo é majestosamente esticado na lápide ao lado, onde seu corpo é despido e posicionado com todo amor e carinho.

Só estando ali, vendo aquela cena, aquele corpo nu que da inveja a milhões de outras mulheres, por ter sido esculpido na carne humana, feita pelos melhores escultores de todos os tempos. Seus lábios carnudos, outrora recobertos pelo batom avermelhado que sussurravam delícias nos ouvidos de quem a pagava, agora está azulado, dando um brilho e um espetáculo ímpar.

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Carli Bortolanza
Fata Morgana

Anoitecendo estás quando de longe a miragem me faz correr e me esconder atrás das tumbas nesse cemitério em formato de labirinto.

Não estou aqui a trabalho de algum ritual religioso, satânico ou cristão, o que dá na mesma; estou aqui por mera circunstância de ganhar a vida honestamente, suando a testa, as costas e as mãos; mas este nervosismo de poder ver na prática atos libidinosos e eróticos com restos de carne que um dia chamaram de humanos, mas que agora não passam de cadáveres decompostos pelo tempo, mas vívido pelo amor de seus amantes.

Minha profissão me permite usar uma arma letal, mas prefiro trocar as balas de aço por balas de borrachas, pois sei que não matarei ninguém e que ao sentirem o choque da bala em seus corpos, irá proporcionar uma dor intensa e satisfarão meu sadismo e em poucas semanas após, estarão renovados por aí  para serem alvo de mais algumas balas e ou andarem por aí como filhos adotivos de alguma entidade divina ou em algum outro caminho a seguir que não seja o da criminalidade; mas aí requer outra crítica, pois, afinal, apenas obedecemos as leis impostas por outrem…

Ali estou para flagrar um ato sexual e não demora muito para que a miragem que me fez esconder transforma-se em situação real com a presença dos necrófilos.

A lápide pesada ainda está com o cimento fresco, e enterrado nela esta aquela gostosona que foi surpreendida pela mulher de seu amante e que a mesma, acabou acertando um tiro em seu coração, órgão esse que todos que a conheceram em vida queriam sentimentalmente o tê-lo, mas aquele coração não era de ninguém, apenas seu corpo, assim como agora, vulnerável e ingênuo a mercê de seus profanadores.

Seu caixão é cuidadosamente aberto, trava por trava, o véu de cetim branco que cobria seu corpo é majestosamente esticado na lápide ao lado, onde seu corpo é despido e posicionado com todo amor e carinho.

Só estando ali, vendo aquela cena, aquele corpo nu que da inveja a milhões de outras mulheres, por ter sido esculpido na carne humana, feita pelos melhores escultores de todos os tempos. Seus lábios carnudos, outrora recobertos pelo batom avermelhado que sussurravam delícias nos ouvidos de quem a pagava, agora está azulado, dando um brilho e um espetáculo ímpar.

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