Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Fata Morgana

Os dois elementos começaram a acariciar com suas mãos calosas aquele corpo que mesmo em vida, aposto que igualmente foram rígidos, porém, deviam ser aquecidos pelo fervor de sua uretra e que agora frio, aquecer-se-á apenas com as frenéticas investidas de seus, talvez, últimos amantes.

Minhas mãos antes suadas, agora vibram e antes de refletir sobre as consequências, o gatilho é apertado várias vezes em direção dos amantes; e pelos anos de treinamento militar, dificilmente erraria o alvo; e acertando-os várias vezes, nocauteio-os ao chão frio ao lado daquele perfeito corpo nu.

Quando ao lado dos três me encontro, olhando a indefesa dos dois amantes estirados ao chão com suas calças abaixadas e as fortes marcas das balas de borracha, principalmente nas testas, (minha mira continua a mesma desde quando entrei pras forças armadas especiais) pensei no ato que eles cometeriam, na profanação celestial e virei-me então à brindar meus olhos naquele sedutor corpo repousando, ali tão pertinho, estava percebendo a real intenção dos meliantes a desfrutar aquela beldade e criticando meu próprio julgamento; (eu estava errado a respeito do ato que iria ser concretizado); ajuntei um a um dos malandros que continuavam desacordados e coloquei-os dentro do caixão aberto da bela representante feminina.

A lápide pesada (agora entendia por que sempre vinham em dupla), foi colocada lentamente em seu lugar; fiquei pensando no susto que aqueles dois teriam ao acordar dentro de um caixão e tendo que erguer a lápide com seus pés descalços e sentir a ausência da sedutora vítima e seu corpo feminino; seria o castigo perfeito para que eles nunca mais profanassem os limites da morte.

Com meus braços franzinos, mas fortes pela malhação, peguei aquela escultura feminina e levei até o banco do carona dianteiro de meu carro onde fiquei apreciando aquele corpo e no aguardo dos meliantes acordarem aos prantos, até manobrei meu carro para que, mesmo com a distância pudesse assistir a tudo sem perder a estupenda moça de meus olhos aflitos, afinal, pela manobra, precisava olhar os meliantes através daquela sedutora deusa.

Já estava amanhecendo quando o cansaço dos olhos pegou e já acostumado com a presença ilustre, nem havia me dado conta de que ela pertencia ao sono dos mortos; cobri-a com meu casaco de couro bovino e revolvi sair daquele local, mesmo porque meu turno já havia acabado há umas 02 horas atrás e deveria aproveitar minhas setenta horas de descanso ainda restantes, para só então dar sequência à investigação.

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Carli Bortolanza
Fata Morgana

Os dois elementos começaram a acariciar com suas mãos calosas aquele corpo que mesmo em vida, aposto que igualmente foram rígidos, porém, deviam ser aquecidos pelo fervor de sua uretra e que agora frio, aquecer-se-á apenas com as frenéticas investidas de seus, talvez, últimos amantes.

Minhas mãos antes suadas, agora vibram e antes de refletir sobre as consequências, o gatilho é apertado várias vezes em direção dos amantes; e pelos anos de treinamento militar, dificilmente erraria o alvo; e acertando-os várias vezes, nocauteio-os ao chão frio ao lado daquele perfeito corpo nu.

Quando ao lado dos três me encontro, olhando a indefesa dos dois amantes estirados ao chão com suas calças abaixadas e as fortes marcas das balas de borracha, principalmente nas testas, (minha mira continua a mesma desde quando entrei pras forças armadas especiais) pensei no ato que eles cometeriam, na profanação celestial e virei-me então à brindar meus olhos naquele sedutor corpo repousando, ali tão pertinho, estava percebendo a real intenção dos meliantes a desfrutar aquela beldade e criticando meu próprio julgamento; (eu estava errado a respeito do ato que iria ser concretizado); ajuntei um a um dos malandros que continuavam desacordados e coloquei-os dentro do caixão aberto da bela representante feminina.

A lápide pesada (agora entendia por que sempre vinham em dupla), foi colocada lentamente em seu lugar; fiquei pensando no susto que aqueles dois teriam ao acordar dentro de um caixão e tendo que erguer a lápide com seus pés descalços e sentir a ausência da sedutora vítima e seu corpo feminino; seria o castigo perfeito para que eles nunca mais profanassem os limites da morte.

Com meus braços franzinos, mas fortes pela malhação, peguei aquela escultura feminina e levei até o banco do carona dianteiro de meu carro onde fiquei apreciando aquele corpo e no aguardo dos meliantes acordarem aos prantos, até manobrei meu carro para que, mesmo com a distância pudesse assistir a tudo sem perder a estupenda moça de meus olhos aflitos, afinal, pela manobra, precisava olhar os meliantes através daquela sedutora deusa.

Já estava amanhecendo quando o cansaço dos olhos pegou e já acostumado com a presença ilustre, nem havia me dado conta de que ela pertencia ao sono dos mortos; cobri-a com meu casaco de couro bovino e revolvi sair daquele local, mesmo porque meu turno já havia acabado há umas 02 horas atrás e deveria aproveitar minhas setenta horas de descanso ainda restantes, para só então dar sequência à investigação.

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